Pacientes com HIV estão sem medicamentos no RN

Publicação: 2019-06-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

A falta de quatro medicamentos para o tratamento da HIV vem preocupando profissionais da área da Saúde no Rio Grande do Norte. Há cerca de 20 dias, os medicamentos Zidovudina (AZT) oral e injetável, Efravidenz (EFZ) e Raltegravir (RAL) estão em falta no Estado, aguardando o envio por parte do Ministério da Saúde, que faz a compra centralizada. A interrupção do tratamento em pacientes infectados pelo vírus pode gerar complicações graves, de acordo com especialistas.

Falta de medicação pode piorar estado de saúde dos portadores do vírus HIV/Aids e Hepatite C
Falta de medicação pode piorar estado de saúde dos portadores do vírus HIV/Aids e Hepatite C

Ao todo, 13 unidades oferecem o “coquetel" para o tratamento de HIV, espalhados pelo Estado. De 2014 a 2017, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), o Rio Grande do Norte viveu, a exemplo de outros Estados do Brasil, o aumento no número de casos de HIV, que saltou de 582, em 2014, para 834, em 2017. Este ano, 237 novos casos já foram registrados, de acordo com a Sesap.

Um fenômeno similar foi observado para a sífilis e a hepatite, outras duas doenças sexualmente transmissíveis que tiveram um crescimento nesse mesmo intervalo de tempo. “No Nordeste, o número de casos vem aumentando paulatinamente, em especial entre os jovens”, afirma André Prudente, diretor do Hospital Giselda Trigueiro, referência no tratamento de doenças infecto-contagiosas e toxicológicas no Estado.

O Zidovudina e o Alfavirenz são utilizados principalmente por crianças ou pacientes em alimentação por sonda, que estão impossibilitados de receber o medicamento pela via oral. “Não trouxe ainda um impacto muito grande, porque temos mais de 20 tipos de medicamentos para HIV, então muitas vezes fazemos o remanejamento. Mas isso nem sempre é possível”, diz Prudente.

De acordo com o médico, os medicamentos para o tratamento de HIV estão em falta no Giselda Trigueiro há cerca de 20 dias. “Isso preocupa porque o tratamento de HIV não pode ficar um dia sequer sem tomar o medicamento, sob o risco do vírus adquirir resistência”, diz André Prudente. O especialista afirma que a falta desse medicamento pode aumentar a quantidade de doenças oportunistas, que caracterizam a AIDS e, consequentemente, o número de casos graves e internações.

“Em HIV, hoje, nós só temos basicamente dois grupos de pessoas internadas: aquelas que receberam o diagnóstico muito tardiamente e, por isso, estão doentes, e aquelas que não estão fazendo o tratamento adequadamente, seja porque abandonaram o tratamento, ou porque faltaram os medicamentos”, completa.

Hepatite
De compra exclusiva por parte do Ministério da Saúde, os medicamentos para o tratamento da Hepatite C, uma infecção sexualmente transmissível que ataca o fígado, também estão em falta no RN. A situação desses medicamentos, de acordo com o diretor do Hospital Giselda Trigueiro, é “preocupante”, pois os pacientes estão, desde o início do ano, sem receber os medicamentos para realizar o tratamento.

O tratamento para esse tipo de doença é feito de forma diferenciada do caso da HIV. Para receber os medicamentos, as pessoas precisam se inscrever em um cadastro nacional, ter sua situação analisada por um auditor e, só aí, recebem os remédios. “A gente só recebe especificamente aquela quantidade indicada para o número de pacientes cadastrados”, diz Prudente.

Infectologista André Prudente, diretor do Hosp. Giselda Trigueiro
Infectologista André Prudente, diretor do Hosp. Giselda Trigueiro

No Giselda, que trata a maior parte dos pacientes em Natal e região metropolitana, são cerca de 30 pessoas que, desde o início do ano, estão com o tratamento interrompido pela descontinuidade do fornecimento dos remédios.

Em março, o Ministério da Saúde chegou a emitir uma nota informativa (Nota Informativa nº 13/2019), na qual dizia que a expectativa de distribuição dos medicamentos seria para o mês de abril. Quase três meses depois, os remédios permanecem sem data para chegar.

De acordo com a Sesap/RN, a justificativa usada pelo Ministério para o atraso foi de uma mudança em um dos componentes de compra. Eles afirmam, também, que os contratos para a aquisição dos medicamentos já estão regularizados, e estão aguardando a conclusão do procedimento para recebê-los.

Confira a evolução dos casos e unidades de referência no RN
237 novos casos de HIV

98 novos casos de AIDS 

49 casos de Hepatite C

30 pessoas com a doença aguardam a chegada do medicamento no Giselda Trigueiro

Serviços de atenção especializada a pessoas vivendo com HIV no RN:

Natal
Hospital Giselda Trigueiro

Centro de Especialidades Integradas Leste II / Maternidade Escola Januário Cicco

Mossoró
Hospital Rafael Fernandes /

Ambulatório Materno Infantil Dr. Raimundo de Medeiros Fernandes

São José de Mipibu
Centro de Especialidade João Berckmens

Caicó
Centro Clínico Gerson Feitosa

Santa Cruz
Hospital Regional Dr. Aluizio Bezerra / Hospital Universitário Ana Bezerra

São Paulo do Potengi
Policlínica Raimundo Dagmar

Pau dos Ferros
Centro de Saúde Dr. Pedro Diógenes Júnior

Parnamirim
Centro de Infectologia

São Gonçalo do Amarante
Unidade de Saúde Jardim Lola

Macaíba
Centro de Saúde Luiz Antonio Fonseca / Centro de Educação e Pesquisa Anita Garibaldi













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