Padang define “Dia D” para aluguel

Publicação: 2012-06-14 00:00:00
O assunto aluguel do estádio Frasqueirão pode ter um dia decisivo hoje. O presidente do América, Alex Padang, vai conceder entrevista coletiva as 16 horas, no auditório da Federação Norte-Riograndense de Futebol (FNF), no sentindo de colocar um ponto final na questão. O dirigente não esconde o interesse de locar o estádio abacedista para mandar os jogos do alvirrubro nos próximos dois anos, mas ressalta, que também já dispõe de meios para adequar o estádio de Goianinha às condições exigidas pela CBF para que o clube potiguar possa continuar utilizando aquela praça esportiva.
Alex Padag convocou entrevista coletiva para tratar do assunto
“Temos de arranjar uma solução rápida para este caso, não podemos ficar nesse clima de expectativa. O América vai se posicionar definitivamente sobre essa questão hoje. Acredito que poderemos dar um exemplo de união ao Brasil e ao mundo e que os dois clubes têm muito a ganhar com o acordo”, destacou Alex Padang. “Mas devo confessar que esse poder de decisão está nas mãos do ABC, o América vinha atuando apenas como um observador, porém aberto a negociação”.

A questão de resistência das torcidas e até mesmo de alguns conselheiros de ambos os clubes, Padang taxa como normal e ressalta que os clubes quando levantaram a questão, apenas abriram um canal para tratarem de um negócio. Os R$ 750 mil, que hoje estariam destinados a implantação das arquibancadas móveis, no Nazarenão, seriam repassados ao ABC, como princípio de um acordo. Os demais ganhos viriam de negociações com dois patrocinadores nacionais, que já apresentaram interesse em participar do projeto “Arena da Paz”.

Para os críticos ao projeto do lado alvinegro, os números não escondem que a situação será bem melhor que a de 2007, quando o acordo firmado entre os clubes para o aluguel do Frasqueirão era o seguinte: 10% da arrecadação com um teto mínimo de R$ 18 mil para os jogos diurnos e de R$ 25 mil para os noturnos. No caso atual, se não fosse conquistado nenhum outro benefício, o ABC embolsaria R$ 75 mil por partida, fora os 10% das arrecadações, uma vez que o alvirrubro realizaria apenas dez partidas no estádio até o final da série B.

Dentro do contexto, deve-se levar em consideração a realização de mais dois clássicos entre ABC x América, no estádio. No qual o ABC teria direito a 100% da arrecadação em um deles e, no mínimo, mais 10% da renda do segundo jogo.

“Estou ciente de que o acordo entre os clubes será bom para todo mundo. O futebol do RN só tem a ganhar com isso e a mídia nacional já vem elogiando bastante essa possibilidade”, acrescenta Alex Padang. “Sem o acordo tudo vai continuar como está e ninguém vai ganhar nada. O América vai pegar o dinheiro cedido pelo governo e repassar a empresa que vai instalar as arquibancadas móveis no Nazarenão. As nossas rendas vão continuar sendo insuficientes para resolver nossa questões financeiras e o ABC terá de buscar novas alternativas de arrecadações”.

RESISTÊNCIA

O Advogado do ABC, José Wilson, disse que foi montada uma comissão no clube para tratar exclusivamente dessa questão. Ele ressaltou que a negociação se tornou complicada devido ao ressentimento que boa parte dos conselheiros e torcedores abecedistas demonstram contra “as piadinhas de mal-gosto” realizadas pelos rivais em relação ao estádio Frasqueirão. Porém, afirma que a realização de um negócio não está descartada, desde que sejam apresentadas propostas concretas para o aluguel do estádio.

“Sabemos que existe a intenção, mas o América e aqueles que estão por traz dessa negociação devem nos enviar uma proposta concreta. Um documento constando valores para que possamos avaliar quais as vantagens que teríamos com o aluguel do nosso estádio”, disse o advogado, ressaltando em seguida que hoje, a maioria esmagadora do conselho alvinegro se mostra contra a proposta.

Membro da diretoria, José Wilson deu parecer jurídico contrário a verba prometida pelo governo do estado para os clubes.

“Nós já fizemos um negócio nos mesmos moldes com a Prefeitura do Natal, recebemos a primeira parcela e depois o Ministério Público veio e mandou suspender o contrato. Cedo ou trade o Ministério Público vai entrar nessa história, o governo não tem como realizar repasses para o futebol com crise no sistema de saúde e de segurança, por exemplo. Será prudente da nossa parte não contar com esse dinheiro”, alertou José Wilson.