Paixão incompetente

Publicação: 2019-12-27 00:00:00
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Só falta o simplista aparecer e dizer que a dívida milionária do ABC é culpa da paixão. Me apaixonei algumas vezes e tampouco pedi que minha avó vendesse a casa onde moramos. O caso do ABC é de UTI com morte cerebral e somente o estilo cru do ex-dirigente Bira Rocha dimensionou o desastre. 

O que esperar de um time que deve R$ 14 milhões em questões trabalhistas das quais vinha comprometendo R$ 200 mil por mês? Esperar a mendicância. O ABC sempre deve, todos os outros idem, mas os tempos são outros. Agora, há mecanismos duríssimos de cobrança e uma história construída há 104 anos pode ficar nos jornais velhos e revistas esporádicas. 

Falta dizer de quem é a culpa pelo calote. O atual presidente não pode ser cobrado. Está há pouco tempo no cago e é de uma leniência paquidérmica, responde a uma pergunta 3 vezes 3 depois de uns cinco minutos. Não é do ramo e os que eram do ramo eram do ramo demais. 

Quando decidiu ser um clube grande, o ABC não pensou em fazer o chão dessa utopia. Foi gastando, gastando, gastando e assinando acordos torpes com canalhas travestidos de jogadores. Estes, enganaram ao ABC até a hora de levar o pé na bunda. 

A história é a seguinte: Na hora de assinar contrato, o malandro aceita receber 5 mil reais na carteira e 25 mil por fora. O clube cai como um patinho. Quando o contrato acaba e o cabra não joga nada, é demitido e vai à Justiça do Trabalho buscar e conseguir o que lhe é devido fora da CLT. É um arranjo, uma arrumação, um finge que paga e o outro, que joga. Na cirandinha, dança o ABC.

Tem maracatu botando a mão em 80, 150 mil reais. O supervisor Giscard Salton, que certamente poria o clube para a próxima disputa contra o Liverpool, foi o crime da atual diretoria. É um delito do espírito da cidade. Natal é mãe para forasteiro e madrasta para seus filhos. Salton ainda deve receber mais de 300 mil reais. Obra fecal da atual diretoria. 

Quem viveu os anos 1970/80 na efervescência do futebol irá lembrar de um clube forte, o Operário de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Estado rico, time fortíssimo. O Operário chegou ao quadrangular decisivo do Campeonato Brasileiro de 1977 e em seguinte montou outra máquina, com o meia Arthurzinho e o atacante Lima na frente, derrubando quem se intrometesse.

Os jogos do Operário – minha espinha arrepia – eram disputados no Morenão(Estádio Universitário Pedro Pedrossian). O Operário faliu pelas razões que estão mencionadas no ABC. Caiu de divisão nacional e estadual. O Morenão virou área de segurança. Abandonado para jogos, é para lá que correm os candidatos ao suicídio. Pavoroso. 

Ainda não é o caso do ABC, mas está perto. ABC que sempre funcionou com quatro, cinco na diretoria, mais supervisor, treinador e massagista. Uma comissão técnica – não no ABC – supera os 10 componentes. O salário de três, pagaria um bom jogador. 

São ruins as informações estruturais das categorias de base, que acabou de revelar uma joia rara, chamada Jordan, magricela e habilidoso. Os urubus das procurações que deixem o menino em paz. 

Sobre o ABC, é tentar reverter a indisponibilidade dos seus bens e revelar o montante de quanto deve quem. Os responsáveis pelo fiasco seriam banidos. Ou pagariam o prejuízo do próprio bolso. É plausível? É. Possível? Não creio. Um dos mandatários tem até Bloco de Carnaval com seu nome. Bando de masoquistas. Quem são as viúvas do ABC? É urgente saber. 

Botafogo
Saulo, Neilson, Fred, Luís Gustavo, Mário Sérgio; Rogério, Juninho, Cássio Gabriel, Rodrigo Andrade; Kelvin e Lohan.Este foi o time-base do Botafogo(PB) na vitória de 5x0 sobre o Assu em amistoso. Domingo, tem Botafogo x ABC. Lohan é ex-ABC na derrocada deste ano. 

Vovô
Pior fez o Campinense: acertou com o centroavante Fábio Júnior. Eu prefiro Cléo Pires, mas tudo bem. Ocorre que o último jogo profissional de Fábio Júnior foi em 2008. Coragem demais é loucura. 
 
Estaduais
Do presidente da Federação Paulista, Reinaldo Bastos, de olho nos votos do interior: “Nenhum Campeonato Estadual vai acabar. Se acabar o estadual, acaba o futebol brasileiro. Os estaduais são as únicas possibilidades de 700 clubes brasileiros praticarem futebol.”
 
60 clubes  
Nós temos 20 clubes na Série A do Brasileiro, 20 clubes na Série B, 20 clubes na Série C e 64 clubes na Série D, que não têm vagas garantidas, elas [as vagas] vêm dos Campeonato Estaduais. Então, com calendário garantido são 60 clubes”, disse Bastos
 
Baraúnas e Alecrim
Decidiram turnos, fizeram clássicos empolgantes e faliram. Dois clubes que foram campeões estaduais.





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