Palavras celebradas

Publicação: 2014-10-10 00:00:00
Yuno Silva
Repórter

Ideias, música e vinho. Essa é a combinação básica que emoldura o lançamento de “Palavras Úmidas”, compilação que reúne textos assinados por Ceiça Almeida para apresentar publicações de amigos como o pensador francês Edgar Morin, 93, e/ou saudar personalidades como a atriz e cantora Bibi Ferreira. A coletânea reúne escritos oralizados na forma de homenagens e publicados como prefácios, apresentações e orelhas de obras que Ceiça chancela com elogios rasgados sem nenhum pudor. O livro também traz textos inéditos e já está à venda na livraria Cooperativa Cultural da UFRN, mas é nesta sexta-feira (10) que a autora autografa seu novo rebento a partir das 18h30 na Escola de Música da UFRN.
Acadêmica e coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade (Grecom), Conceição de Almeida lança hoje “Palavras Úmidas”
“Palavras Úmidas” (R$ 35) sai com apenas 300 exemplares e é o primeiro volume da Coleção Baobá, parceria da Editora da UFRN com o Grupo de Estudos da Complexidade (Grecom) – grupo criado em 1992 e coordenado por Maria da Conceição de Almeida. O conteúdo foi organizado por Joseneide Silveira de Oliveira (pesquisadora do Grecom) e Louize Gabriela Silva de Souza (mestranda orientada por Ceiça).

“Gosto de escrever textos que incendeiam, que provocam; gosto de homenagear os bons autores e os bons pensamentos. Percebo esse livro como uma biobibliografia que agrupa boa parte do que escrevi para outras pessoas”, disse a autora, que recebeu o VIVER em seu apartamento repleto de livros e cobras (calma gente, as serpentes são de tecido/madeira!) enroladas nos móveis e espalhadas pelo chão. “Dizem que sou muito generosa, que faço elogios desmedidos, mas é tudo instinto, puro impulso”, confessa.

Os pedidos para Ceiça apresentar publicações de outros escritores e pesquisadores são tantos que ela já escreveu oito prefácios após a impressão do livro. “Para mim os prefácios são  como uma doação por palavras”. Ela avisa não se tratar de um livro teórico e sim “para fora, como se abrisse minha alma”.

Ceiça destaca que embalou seu livro com ajuda de três matemáticos: o desenho da capa, “Azul e Humidíssimo”, foi criado especialmente para o título pela matemática e artista plástica portuguesa Tereza Vergani. Já o prefácio é assinado pelo matemático venezuelano Fredy Enrique González e a orelha pelo teórico paulista Ubiratan D’Ambrósio. “Dessa vez preferi ficar na matemática dos afetos”, revela a autora, que buscou inspiração para o título do livro na própria vida: “Onde há umidade há vida, quero ciência, afeto e amores úmidos”, garante.

Fé e Política
Além de estrear a Coleção Baobá, coleção da qual Ceiça faz parte do conselho editorial, “Palavras Úmidas” também é a primeira publicação que traz a nova logomarca da Editora da UFRN. Até o final deste ano estão agendados outros dois lançamentos da coleção: “A igreja de Natal: Fé e Política”, que traz entrevistas concedidas por Dom Eugênio Sales (1920-2012) nos anos 1960 a um jornalista norte-americano, época do Movimento de Natal, que só agora voltam à tona após ficarem engavetadas por mais de cinco décadas. A obra sai com patrocínio da Arquidiocese de Natal.

O outro volume, “Mestre e Discípulo: Tonalidades de um tempo”, de Wascyli Simões dos Anjos, clarinetista e professor aposentado da Escola de Música da UFRN, e de Ronaldo Ferreira de Lima. A obra traz partituras (para flauta e clarineta), charges de Wascyli e textos de Ronaldo sobre sua carreira e a relação enquanto discípulo com seu mestre.