Palocci implica Graça Foster em delação

Publicação: 2019-08-24 00:00:00
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Pepita Ortega, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Agência Estado

São Paulo (AE) - A Polícia Federal deflagrou a 64.ª fase da Operação Lava Jato, denominada Pentiti, para apurar supostos crimes de corrupção envolvendo o Banco BTG Pactual e a Petrobrás na exploração do pré-sal e "em projeto de desinvestimento de ativos" na África. Entre os alvos da operação estão a ex-presidente da estatal Graça Foster e o banqueiro André Esteves. Segundo a PF, os supostos crimes podem ter causado prejuízo de ao menos US$ 1,5 bilhão - o equivalente a cerca de R$ 6 bilhões de reais hoje.

Créditos: Arquivo/TNGraça Foster, que presidiu a Petrobrás entre 2012 e 2015, é alvo de mandados de busca e apreensãoGraça Foster, que presidiu a Petrobrás entre 2012 e 2015, é alvo de mandados de busca e apreensão
Graça Foster, que presidiu a Petrobrás entre 2012 e 2015, é alvo de mandados de busca e apreensão

É a primeira vez que Graça Foster, que presidiu a Petrobrás entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2015, é alvo de mandados de busca e apreensão da força-tarefa da Lava Jato - seu antecessor, José Sérgio Gabrielli e seu sucessor, Ademir Bendine, já haviam sido alvos. Segundo Palocci, Graça não só tinha conhecimento da corrupção instalada na petrolífera como não adotou "medidas efetivas" para investigar ou impedir a continuidade do seu funcionamento. A defesa de Graça Foster não foi localizada nesta sexta.

Os mandados foram autorizados pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª. Vara Federal no Paraná. Deflagrada a partir de afirmações feitas pelo ex-ministro Antonio Palocci em colaboração premiada, a Operação Pentiti - termo italiano referente aos "arrependidos", equivalente a delatores - apura crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais relacionadas a recursos contabilizados na planilha ‘Programa Especial Italiano’ gerida pela Odebrecht.

É a segunda operação deflagrada nesta semana com base nas afirmações de Palocci - na quarta-feira, a PF deflagrou a operação Carbonara Chimica para investigar a suspeita de pagamento de propina por parte da Odebrecht.

Lula
Em seu acordo de colaboração premiada, Palocci citou a existência de duas contas no banco BTG Pactual supostamente criadas pelo banqueiro André Esteves para repassar propinas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para "fazer política" e "assuntos familiares". Segundo o ex-ministro, Lula confirmou a existência das contas e teria afirmado que elas serviriam só para seus interesses pessoais, e não deveriam abastecer campanhas do partido. O ex-ministro citou repasses de R$ 15 milhões do BTG à campanha presidencial petista de 2010, sendo que R$ 10 milhões teriam como destino as duas contas de Lula no banco.

Palocci afirmou que nunca viu documentos referentes às supostas contas. Em seu depoimento, disse acreditar que elas estariam em nome de terceiros (laranjas) ou sequer existam fisicamente - e haja apenas os registros contábeis dos valores. Palocci disse ser "possível que os valores estejam distribuídos em diversos lugares e sejam controlados pelo próprio André", o que seria facilitado porque ele é o dono do banco.

O ex-ministro afirmou ainda ter participado de reuniões em que Esteves manifestou interesse em administrar os recursos oriundos do pré-sal, e "também desejava gerir os 300 milhões de reais que a Odebrecht havia prometido a Lula."

Em sua colaboração, Palocci entregou agendas, deu dados e "traduziu" anotações que a Lava Jato apreendeu em seu poder quando o prendeu em 2016. Em julho de 2018, por exemplo, Palocci afirmou que "LL" era Lula e "DD" era Dilma, em suas anotações a mão.

O delegado Filipe Hille Pace, da Polícia Federal em Curitiba, tentou ouvir Lula no inquérito que apura corrupção em negócios do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, com a Petrobrás. O petista, no entanto, afirmou que seguiria orientação de seus defensores e permaneceria calado.

Lula disse ao delegado da Lava Jato que "já prestou muitos depoimentos" e que "tem vontade de falar". "Vontade de falar, gravado e ao vivo, é tudo que eu quero na vida. É toda oportunidade que eu quero. Mas seguindo a orientação do advogado, em relação a decisão no processo no Supremo Tribunal Federal, então hoje não responderei até o advogado dizer "olha, vamos para o embate", disse.

Advogado
Ao pedir autorização para deflagrar a Operação Pentiti, a Polícia Federal solicitou buscas também no escritório do criminalista José Roberto Batochio, em São Paulo, mas a força-tarefa do Ministério Público Federal da Lava Jato no Paraná se manifestou contra a medida. A juíza Gabriela Hardt negou autorização para inspeção no endereço de Batochio.

O advogado afirmou estar "indignado" com o pedido. "Quero registrar minha indignação a essa pretensão, sábia, correta e justamente rechaçada pelo Ministério Público da Lava Jato no Paraná e pela própria juíza (Gabriela Hardt)", reagiu o criminalista. "Onde já se viu querer associar o advogado?"





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