Pandemia da covid-19 reduz realização de cirurgias eletivas no RN

Publicação: 2020-09-17 00:00:00
A+ A-
Cláudio Oliveira
Repórter

A pandemia do novo coronavírus provocou uma redução no número de cirurgias eletivas no Rio Grande do Norte ao longo do segundo trimestre deste ano em 53,34%. De abril a junho, meses nos quais as medidas de isolamento social foram mais severas no Estado foram realizados 4.554 procedimentos. Nos três meses anteriores (janeiro a março), ocorreram 9.692 cirurgias eletivas na rede de hospitais administrada pela Secretaria de Estado da Saúde Pùblica (Sesap/RN). A pasta está realizando um levantamento para saber quantos pacientes aguardam por cirurgia e quantos estão em regulação.

Créditos: Magnus NascimentoPelos corredores e enfermarias do maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, o Monsenhor Walfredo Gurgel, pacientes aguardam a convocação para cirurgias eletivas diversasPelos corredores e enfermarias do maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, o Monsenhor Walfredo Gurgel, pacientes aguardam a convocação para cirurgias eletivas diversas

 A atualização dos dados é feita através do Núcleo de Cirurgias Eletivas da Central Estadual de Regulação, segundo informou a Sesap/RN. A previsão é de realizar mil procedimentos por mês nos serviços estaduais, a partir de 15 de outubro, de forma progressiva. Durante a pandemia, operações consideradas urgentes como às relacionadas aos traumas ortopédicos e vasculares não sofreram interrupção. 

A retomada das operações ofertadas pela rede hospitalar do Estado foi estabelecida na Portaria N° 2.691, publicada no último dia 5, no Diário Oficial. De acordo com a Sesap/RN, as maiores demandas são para cirurgias de hérnia e vesícula. Está prevista a retomada dos procedimentos eletivos nos Hospitais da Polícia Militar (Natal), Regional Mariano Coelho (Currais Novos), Regional de Açu, Regional de Caraúbas,  Regional de Pau dos Ferros e Pediátrico Maria Alice Fernandes (Natal). 

Para garantir a segurança na realização de tais processos, as unidades deverão estabelecer medidas de gestão que possibilitem a organização de fluxos e demandas internas. Cada unidade deve avaliar sua capacidade de reabrir o serviço para procedimentos eletivos e criar protocolos.

Segundo a Sesap/RN, todas as solicitações de pacientes deverão ser inseridas no cadastro do Núcleo Estadual de Cirurgias Eletivas e, por meio dele, é feito um trabalho junto aos municípios de atualização dos pacientes que necessitam realizá-las.

A determinação é para que as cirurgias sejam implementadas conforme avaliações de indicadores, critérios e protocolos, considerando a possibilidade de manutenção ou nova interrupção dos serviços, caso o cenário epidemiológico relacionado à covid-19 se torne desfavorável.

A secretária adjunta da Saúde do Estado, Maura Sobreira, apresentou na manhã desta quarta-feira (16), ao Conselho de Secretarias.

Municipais de Saúde do RN (Cosems), todo o planejamento em torno da retomada segura das cirurgias eletivas. O diálogo com os gestores municipais aconteceu durante reunião ordinária do Cosems, realizada em plataforma online e conduzida pela presidente Maria Eliza Garcia. 
O processo será retomado priorizando a garantia de acesso transparente e regulado, com um protocolo para realização e regulação, além de acompanhamento que segue até a marcação do retorno do paciente após o procedimento. O cadastro de todas as cirurgias eletivas será feito através do www.regularn.br.

A Sesap informou que a retomada das cirurgias eletivas vai seguir as recomendações para medidas de segurança, com o objetivo de realizar um atendimento seguro, bem como, reduzir a fila e o tempo de espera dos pacientes que aguardam por estas operações no Estado.

Créditos: Magnus NascimentoMichael Wellyshon foi atropelado em frente à casa que mora em Currais Novos e deverá passar por mais uma cirurgia nesta quinta (17)Michael Wellyshon foi atropelado em frente à casa que mora em Currais Novos e deverá passar por mais uma cirurgia nesta quinta (17)

Casos à espera
No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, os pacientes vítimas de traumas que necessitam uma cirurgia ortopédica de urgência a realizam. Os que dependem de um segundo procedimento, ficam internados  aguardando a transferência para uma das unidades conveniadas que realizará a operação.

É o que vai acontecer com o eletrotécnico Michael Wellyshon, depois de 45 dias de espera. Nesta quinta-feira (17) ele deverá ser submetido a uma cirurgia que pode demorar de 7 a 18 horas. Ele sofreu um atropelamento no dia 2 de agosto em frente à casa que mora, em Currais Novos, no  Seridó. Conseguiu livrar as duas filhas, mas foi atingido e fraturou as duas pernas.

O acidente deixou ossos e tendões expostos e cogitou-se a possibilidade de amputação, devido à gravidade dos ferimentos. “Foram implantados fixadores nas minhas pernas e tem sido feito um tratamento com antibióticos para evitar infecções. Vou precisar fazer uma cirurgia chamada retalhamento para reconstruir a perna. As dores são grandes, mas a vontade de vencer é maior”, declarou. 

Outros pacientes continuam sem saber quando poderão realizar as cirurgias que precisam. É o caso de Fernando de Souza, 36, agricultor da cidade de Touros, litoral Norte, que foi parar no maior hospital de urgência e emergência do Estado após uma queda que sofreu há oito dias no banheiro de casa, onde fraturou o fêmur.

Antes, Fernando sentia dores no joelho, sintoma de um derrame articular, conhecido como “água no joelho”, e já estava fazendo fisioterapia quando sofreu o acidente doméstico. “Eu fiz os exames e descobri que além da água no joelho, tem um tumor. Agora estou esperando um encaminhamento para realizar a cirurgia”, contou.

No mesmo quarto do hospital, Dijon Lima, 27, permanece com um fixador em uma das pernas depois de sofrer um atropelamento. O acidente aconteceu em janeiro passado, em Parnamirim, na Grande Natal, onde mora.

A princípio foi implantada uma placa na perna quando foi atendido no Hospital Regional Dr. Deoclécio Marques, naquele município. “Seis meses depois, minha perna estava rejeitando a placa. Daí o médico retirou a placa. Dias depois voltei a andar normal, mas o ferimento abriu e agora eu preciso fazer a cirurgia para andar”, explicou.

Somente no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, conforme dados repassados com exclusividade à TRIBUNA DO NORTE, existiam até o início da noite desta quarta-feira, 85 pacientes na fila de espera para cirurgia em “segundo tempo”. A maioria deles, 32, com fraturas no fêmur.