Pandemia deve aumentar proteção das bactérias

Publicação: 2021-01-24 00:00:00
Em julho do ano passado, pesquisadores das universidades Complutense de Madrid (UCM) e de Barcelona (UB) divulgaram um estudo que identificou um mecanismo das bactérias capaz de espalhar genes resistentes a antibióticos com eficiência até 10 mil vezes maior que a conhecida até então. Segundo a UCM, a pandemia deve aumentar essa proteção das bactérias por causa do uso em larga escala desses medicamentos.

Um dos riscos dessa situação é a resistência bacteriana. "Após alguns anos de início do uso de todos os antibióticos acabam surgindo bactérias resistentes, limitando a utilidade dos medicamentos e colocando pacientes com infecções bacterianas sob risco de serem tratados com medicamentos ineficazes. 

Quanto mais disseminado é o uso de um antimicrobiano maiores, as chances de surgirem bactérias resistentes e reduzirem o benefício da medicação", explica Alexandre Biasi, superintendente de pesquisa do HCor e membro do grupo Coalizão Covid-19 Brasil. A azitromicina, antibiótico que tem sido em pacientes infectados pelo vírus, pode sofrer com esse processo, segundo ele.

Outra preocupação é a dificuldade para o tratamento de doenças como a gonorreia, que já apresenta uma variante resistente a antibióticos, também chamada de "supergonorreia". Em setembro, o departamento de Saúde Pública da Inglaterra pediu que a população praticasse sexo seguro após alta de 26% nos casos de gonorreia entre 2018 e 2019. Segundo o boletim, a maior prevalência da doença foi entre homens gays, bissexuais e outros que praticam sexo com homens, além de mulheres heterossexuais.

Ainda em janeiro de 2019, o mesmo departamento já havia alertado para o surgimento de uma nova gonorreia que seria resistente a antibióticos e foi registrada em duas pacientes heterossexuais. "Enquanto esse tipo de resistência é incomum, já existiram casos em outros países. [...] Encontrar esse tipo de gonorreia extensivamente resistente aos antibióticos serve como um lembrete importante da necessidade de praticar-se o sexo seguro", dizia o comunicado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro para Controle e Prevenção de Doençasamericano (CDC, na sigla em inglês) já trazem informações sobre o tipo resistente a antibióticos. "Essa é uma preocupação real. Inclusive a OMS publicou alerta sobre o surgimento de bactérias resistentes a antibióticos na pandemia. Uma das ameaças atuais é a bactéria causadora da gonorreia, que está se tornando resistente aos antibióticos comumente usados, o que está se chamando de supergonorreia. Com o uso indiscriminado de antibióticos na pandemia, a resistência a essa classe de medicamentos tem aumentado", diz Biasi. (AE)













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