Pandemia fecha 14.118 vagas de emprego no RN de março a maio

Publicação: 2020-06-30 00:00:00
Margareth Grilo
Editora Executiva

No Rio Grande do Norte, a pandemia do novo coronavírus levou ao fechamento de 14 mil 118 vagas com carteira assinada entre março, quando foi registrado o primeiro caso de covid-19, e maio. O resultado decorre de 22.371 admissões e 36.489 demissões. No País, no mesmo período foram fechados 1,487 milhão de postos formais de trabalho (2.727.472 admissões contra 4.214.897 desligamentos). Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Ministério da Economia. 

Créditos: Magnus Nascimento


Durante o mês de maio, no Estado, o saldo líquido entre a abertura (6.132 contratações) e o fechamento de vagas (9.159 demissões) foi negativo em 3.027 empregos. Número é 66,2% inferior ao saldo do mês de abril, que teve maior pico negativo do ano: -8958 (4.513 admissões contra 13.471 desligamentos). Em relação a maio de 2019, quando o saldo negativo ficou em 496 vagas, houve crescimento de quase seis vezes (610%). O resultado de maio é o pior para o mês na série histórica do Caged, elaborada desde 2004. O maior saldo negativo tinha sido em maio de 2016 (-2.100).  

No Brasil, mês passado, foram 331.901 empregos a menos (703.921 admissões contra 1.035.822 desligamentos). O resultado de maio foi o pior para o mês na série histórica, que tem início em 1992. Em maio de 2019, houve saldo positivo de 32.140 vagas. No acumulado do ano, o saldo do Caged foi negativo em 1,144 milhão de vagas, o pior desempenho da série histórica disponibilizada (2010). Foram 5,766 admissões contra 6,911 demissões.

Admissões caem 35,8%
O resultado negativo na criação de empregos formais em maio é explicado por uma queda de 35,8% nas admissões do mês em relação a abril e de 47,7% em relação a março deste ano. Houve recuo de 67,9% nos desligamentos, na comparação entre maio e abril deste ano. Comparando os dados de maio deste ano com o mesmo mês de 2019 houve queda de 54,58% nas admissões e de 78% nas demissões.

No Brasil, foi registrada uma queda de 48% nas admissões do mês e recuo de 21% nos desligamentos, na comparação com maio de 2019. Em relação a abril, as admissões subiram 14% e os desligamentos recuaram 32%. "O maior problema no momento é a redução de admissões, não os desligamentos. Começamos a ver reação nas contratações em maio", afirmou o secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco.

Estados
Em maio, 26 Estados registraram resultado negativo e apenas um, o Acre, teve saldo positivo, de 130 postos. Os piores desempenhos foram em São Paulo (-103.985), Rio de Janeiro (-35.959), Minas Gerais (33.695 postos) e Rio Grande do Sul (-32.106 postos). O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada caiu de R$ 1.810,08, em abril, para R$ 1.731,33 em maio.

No Nordeste, o Rio Grande do Norte ficou entre três que menos fecharam vagas em maio passado, ao lado de Alagoas (-2.372) e Maranhão (-1.238). No ranking, Bahia lidera com saldo de 17.033 empregos a menos, seguido por Ceará (-9.476), Pernambuco (-6.952), Sergipe (-3.410), Paraiba (-3.405) e Piauí (-3.359).

Serviços e Comércio puxam saldo negativo
Serviços e Comércio, os dois setores que mais empregam e que juntos são responsáveis por aproximadamente 77% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fecharam juntos, somente em maio, 2.316 postos de trabalho formais no Estado. O número corresponde a 76,51% do total de vagas fechadas no mês passado, cujo total foi de 3.027conforme o Novo Caged. 

No entanto, o ritmo de demissões reduziu nos dois setores. De acordo com dados da série com ajustes do Novo Caged, em Abril deste ano,  eles tinham fechado 6.391 postos de trabalho formais no Estado,. O número correspondeu a 71,34% do total de postos fechados naquele mês, cujo total foi de 8.958.  

Os números locais seguem tendência nacional, exceto na agropecuária. O fechamento recorde de vagas formais em maio foi puxado pelo setor de serviços, que eliminou 143.479 postos. Em seguida, o maior saldo negativo foi na indústria, com 96.912 vagas fechadas e comércio com 88.739 empregos formais fechados.  Também teve saldo negativo no mês a construção, 18.758 vagas. Das atividades econômicas, apenas a agricultura e pecuária registrou saldo positivo, em 18.758 vagas. No RN, houve fechamento de 11 postos formais nesse setor.

Dados do Novo Caged divulgados ontem
RIO GRANDE DO NORTE
Janeiro 2020
Admissões 12.146
Desligamentos 13.003
Saldo -857

Fevereiro
Admissões 12.503
Desligamentos 14.270
Saldo -1.767

Março
Admissões 11.726
Desligamentos 13.859
Saldo -2.133

Abril 2020*
Admissões 4.513
Desligamentos 13.471
Saldo -8.958

Maio 2020**
Admissões 6.132
Desligamentos 9.159
Saldo -3.027

Acumulado do ano – 2020
Admissões 47.020
Desligamentos 63.762
Saldo -16.742
Acumulado entre mar-maio/2020
Admissões 22.371
Desligamentos 36.489
Saldo -14.118

SALDO POR SETOR ECONÔMICO (Acumulado do ano)
Agropecuária (-5.655)
Serviços (- 5.460) 
Comércio (- 3.284)
Indústria (- 2.798)
Construção (- 455)

NATAL
Maio 2020*
Admissões 2.575
Desligamentos 3.862
Saldo -1.287




*Dados com ajustes
**Dados sem ajustes, sujeitos à atualizações nos próximos meses
Fonte: Novo Caged – SEPRT/ME