Pandemia fez cair 93% da movimentação do Aeroporto de Natal

Publicação: 2020-07-12 00:00:00
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A pandemia de covid-19 passou a impactar negativamente o fluxo de passageiros no Aeroporto de Natal, com o temor de contágio que levou os passageiros a cancelarem ou postergarem suas viagens. A redução da demanda por voos se agravou face às medidas de restrição à locomoção e viagens impostas por diversos países.

Créditos: Adriano AbreuAo longo dos últimos seis anos, o terminal enfrentou dificuldades em manter o funcionamento de prestadores de serviços no localAo longo dos últimos seis anos, o terminal enfrentou dificuldades em manter o funcionamento de prestadores de serviços no local

No mês de março, a Inframerica registrou um movimento de 131.734 passageiros, número 31,4% menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado. Em abril, o fluxo despencou novamente e o terminal potiguar movimentou apenas 10.475 passageiros e 181 pousos e decolagens, em comparação com o mesmo mês de 2019, representou redução de 93,8% de passageiros e 86,0% de voos, respectivamente. 

O mês de maio seguiu com uma baixa movimentação. No período, a concessionária registrou 9.664 usuários, 94,0% menor que maio de 2019.
O impacto na movimentação internacional também foi grande. Desde o dia 19 de março foram suspensos todos os voos internacionais diretos de Natal para os destinos no exterior. Não há data para o retorno dessas operações.

De forma gradual o terminal potiguar vai recuperando alguns trechos, mas a expectativa de retomada progressiva dos voos dependerá da evolução da disseminação da covid-19. Em julho, dois novos destinos nacionais voltam a ser atendidos. A Gol fará a rota para Brasília e Salvador.

As frequências semanais passarão a ser de 82 voos, ainda longe da média de 350 pousos e decolagens por semana que eram realizados regularmente antes da pandemia. Mas já é uma recuperação. 

No dia 15 de junho, depois de dois meses, a Azul voltou a operar no Aeroporto de Natal com voo direto para Recife com frequências às segundas, quartas, sextas, sábados e domingos. No final de maio, a Gol retomou o destino Rio de Janeiro, aeroporto do Galeão. 

Créditos:

Leilão 
A concessão para as obras de conclusão e operação do novo Aeroporto de São Gonçalo do Amarante por R$ 170 milhões – ágio de 228,82% sobre o valor mínimo de R$ 51,7 milhões – foi arrematada pelo consórcio Inframérica, da brasileira Engevix Engenharia e da operadora argentina Corporación América. Esse leilão foi o começo do processo de privatização. 

Planos 
Antes mesmo de receber o primeiro voo, no final de maio de 2014, os gestores do Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, já traçavam planos de expansão do terminal. O objetivo era transformar, nos próximos anos, a área de entorno ao terminal em um pólo de indústria e serviços. Pelo menos dois empreendimentos estavam previstos: a construção de um hotel e a expansão do terminal de cargas de 4 mil para 40 mil metros quadrados, atraindo industrias de alto nível para o sítio aeroportuário. Nenhum deles, porém, se concretizou.
Inauguração oficial 

Mesmo com a ausência da então presidente Dilma Rousseff, o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, foi oficialmente inaugurado na manhã do dia 9 de junho de 2014. Coube ao então ministro da aviação, Wellington Moreira Franco, descerrar a placa inaugural do aeroporto.

Viabilidade econômica 
Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE em fevereiro de 2015, o então presidente da Inframerica, Alysson Paolinelli, disse que o aeroporto era economicamente viável. “Quando um investidor entra num projeto de longo prazo, principalmente num projeto de infraestrutura e, por isso, a concessão é tão longa, ninguém espera um resultado no primeiro mês. É um projeto que come- ça a construir uma base agora para ter o retorno do seu investimento lá na frente. E os números que a gente vem demonstrando, principalmente com essa retomada do crescimento dos passageiros, vem comprovando a viabilidade do aeroporto sim. Nós estamos na primeira fase do projeto, na fase de opera- ção e temos um período de exploração enorme pela frente.” 

Queda na movimentação
Projetado para transportar mais de 10 milhões de passageiros por ano, o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, não atingiu, cinco anos e meio após o início da sua operacionalização, a estimativa estabelecida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no início da década passada. Na contramão dessa perspectiva, o terminal aeroviário, o primeiro concedido à iniciativa privada no Brasil, acumula queda na movimentação de aeronaves e passageiros. De 2015 para 2019, o volume de passageiros transportados caiu 9,81% e o de movimentação de aeronaves, 21,08%. 

Os dados foram tabulados pela TRIBUNA DO NORTE a partir de pesquisas no portal do Aeroporto de Natal na internet. No período em destaque, o terminal aeroviário perdeu, em números absolutos, 253.630 passageiros.