Pandemia impacta na saúde mental, diz estudo

Publicação: 2020-05-21 00:00:00
Com o aumento exponencial de casos confirmados da Covid-19, as medidas restritivas de circulação nas cidades e de distanciamento social têm se tornado mais rigorosas a cada semana. Embora, até o momento, essas sejam as formas mais eficientes de frear a taxa de contaminação do novo coronavírus, cientistas também demonstram preocupação com a saúde mental da população e alertam para a necessidade de atenção nesse sentido.

Pesquisadores do Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS-Covid19), Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DDCA/UFRN), escreveram artigo no qual chamam a atenção para os impactos imediatos e de médio ou longo prazo da pandemia relacionados à saúde mental. O estudo 'Distanciamento social, saúde mental e suicídios: breve análise para o Nordeste e os efeitos indiretos da pandemia' faz uma avaliação de dados demográficos e indica caminhos para o encarar dessa situação.

Ao avaliar que a Covid-19 compromete diretamente, além da saúde individual e coletiva, as relações sociais e o poder aquisitivo da população, especialmente a mais vulnerável, o artigo aponta como possível consequência um aumento de pessoas com problemas de transtorno de ansiedade, depressão e abuso de substâncias químicas. Todos esses são considerados fatores de risco para o suicídio e podem ser amplificados por conta da pandemia.

Entre os dados que fundamentam o estudo e a recomendação de atenção especial à saúde mental neste momento está a porcentagem de mortes por suicídio registradas dentro de casa. Segundo as estatísticas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, o Nordeste contabilizou 11.056 óbitos com essa classificação entre 2015 e 2018.

“Uma informação relevante e que converge com as medidas de distanciamento social necessárias para o combate à pandemia da Covid-19 é o fato de que a maior parte destes suicídios ocorrem dentro do domicílio. Considerando-se os diferenciais por sexo para as pessoas com mais de 15 anos de idade, a maior parcela dos óbitos foi de homens, com uma variação entre 78% e 83% entre as Unidades da Federação”, relata o estudo.

Denise Evelyn Mendonça Pimentel, doutoranda em Demografia, e José Vilton Costa, professor do DDCA, autores do artigo, concluem que ações coordenadas de prevenção se tornam essenciais e não devem ser subestimadas ou postas no final da lista de prioridades pelas autoridades. Embora destaque a existência de iniciativas isoladas de atenção à saúde mental, inclusive na UFRN, o estudo recomenda a articulação de estruturas governamentais para um enfrentamento mais forte da questão.

“O contexto geral da pandemia agrava as condições pré-existentes de saúde mental e, ainda, pode haver uma ampliação dos casos. Se o poder público orienta para o distanciamento social e que as pessoas fiquem em casa, criar ações de tratamento e acompanhamento da saúde mental decorrente dessas medidas não é apenas recomendável, mas é obrigação do Estado”, afirma o artigo.




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