Papa reunirá bispos de todo o mundo em cúpula

Publicação: 2018-09-13 00:00:00 | Comentários: 0
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O papa Francisco convocou os presidentes de todas as conferências episcopais do mundo para uma cúpula em fevereiro de 2019. A reunião será realizada para discutir a prevenção do abuso sexual e proteção das crianças na Igreja católica e é uma evidência de que o pontífice percebe o escândalo global e entende que a falta de ação ao lidar com o assunto é uma ameaça ao seu legado.

Papa teme que seu legado seja ameaçado com aumento dos casos de abusos sexuais pelo clero
Papa teme que seu legado seja ameaçado com aumento dos casos de abusos sexuais pelo clero

Os principais cardeais conselheiros de Francisco anunciaram sua decisão nesta quarta-feira, 12, um dia antes de o papa se encontrar com líderes da Igreja nos Estados Unidos, que foram desacreditados pelas acusações recentes apontando décadas de abuso sexual e encobrimento dos crimes.

Acredita-se que a reunião de 21 a 24 de fevereiro do próximo ano com os presidentes das mais de 100 conferências episcopais do mundo seja a primeira desse tipo. O evento sinaliza a percepção dos níveis mais altos da Igreja de que o abuso sexual é um problema global e não se restringe ao mundo anglo-saxão, como muitos líderes católicos insistem há tempos.

No início deste ano, Francisco enfrentou a pior crise de seu papado, quando repetidamente desacreditou vítimas de um notório padre abusador chileno. Mais tarde, ele admitiu ter cometido “sérios erros de julgamento" e tomou medidas de reparação, sancionando os bispos culpados e refazendo o episcopado chileno, o qual acusou de alimentar uma “cultura de encobrimento".

Mais recentemente, o papado de Francisco foi sacudido por acusações de um embaixador aposentado do Vaticano, o arcebispo Carlo Maria Vigano, que disse que o pontífice retirou as sanções impostas pelo papa Bento 16 por ter molestado e assediado seminaristas adultos. O Vaticano não respondeu às acusações de Vigano, mas prometeu “esclarecimentos", que provavelmente virão depois da reunião na quinta-feira.

Na terça-feira 11, o Vaticano informou que a reunião nos EUA será dirigida pelo cardeal Daniel DiNardo, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, e também incluirá o principal conselheiro papal acusado de abuso sexual, o cardeal Sean O'Malley. DiNardo disse querer que Francisco autorize uma investigação completa contra o ex-cardeal Theodore McCarrick, removido do cargo em julho depois de ser acusado de ter apalpado um adolescente.

O Vaticano sabe, pelo menos desde 2000, que McCarrick convida seminaristas para sua casa de praia em New Jersey, e também para sua cama. DiNardo acrescentou que as acusações de que as principais autoridades do Vaticano, incluindo o atual papa, de acobertar McCarrick, merecem respostas.

Em 2011, a liderança da Igreja ordenou que cada conferência episcopal do mundo desenvolvesse diretrizes para evitar o abuso de menores e adultos vulneráveis. As diretrizes deveriam especificar como os bispos devem cuidar das vítimas, punir os infratores e manter os pedófilos fora do sacerdócio. Embora a maioria das conferências tenha seguido a ordem, algumas, particularmente na África, não o fizeram, citando falta de recursos ou outros impedimentos.

No entanto, a própria Cidade do Vaticano não tem essa política, embora a Santa Sé tenha prometido às Nações Unidas há cinco anos que estava desenvolvendo um “programa de ambiente seguro" para proteger crianças dentro de seu território.

Renúncia
O papa Francisco aceitou nesta quarta, 12, a renúncia de D. José Ronaldo Ribeiro do cargo de bispo de Formosa/GO. O bispo é investigado por suposta participação em um esquema de desvio de mais de R$ 2 milhões da Igreja Católica. D. José, cinco padres e outras pessoas vinculadas à Cúria da região ficaram presas por 30 dias, acusados de apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Eles foram liberados na 3ª tentativa de habeas corpus impetrado pela defesa no TJGO.


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