Carnaval em Natal: Chegou a temporada dos adereços autorais

Publicação: 2020-01-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio frança
Repórter
Colaborou: Cinthia Lopes, editora

No carnaval, a fantasia de ser diferente é a mais valorizada. Não à toa, o trabalho de adereços produzidos artesanalmente, em pequena escala e com visuais exclusivos, é bastante procurado quando a folia se aproxima – dia 21 de fevereiro. Os artesãos, designers e artistas plásticos que trabalham com material carnavalesco já estão produzindo a todo vapor.  Entre tiaras, ombreiras, máscaras e colares, o folião procura o diferencial na multidão. Ninguém quer botar o bloco na rua e ficar igual a todo mundo. Os adornos artisticamente trabalhados fogem do padrão industrial e oferecem a fantasia da exclusividade. 

Créditos: Cedida“Brilho e Flor” inspira a Penny Lane Ateliê“Brilho e Flor” inspira a Penny Lane Ateliê
“Brilho e Flor” inspira a Penny Lane Ateliê

“Hoje em dia não precisa estar fantasiado de alguma coisa específica pra brincar o carnaval. Através dos acessórios as pessoas compõem sua própria fantasia do jeito que quiser”, afirma Cecília Cortez, artesã à frente do ateliê Penny Lane, que aposta numa produção artesanal e diferenciada desde 2014. Para este ano ela produziu a coleção “Feita de Brilho e Flor”, cuja mensagem é empoderamento feminino com muita cor, glamour e liberdade. “Carnaval é aquela época em que a gente se liberta com alegria. Eu quero refletir isso”, ressalta. 

A Penny Lane está trabalhando com tiaras, saias, colar de glitter, e uma peça que está em alta para 2020, as ombreiras. As tiaras são os adereços mais procurados, e estão adornados com vários tipos de flores artificiais, paetês, e detalhes em espumas vinílicas acetinas (EVA). Algumas são temáticas, com frases como “Haja Amor”, hit carnavalesco de Luiz Caldas. Outro adereço de cabeça são os quepes, os chapéus de banda militar, devidamente carnavalizados com paetês, estrelinhas e tecidos coloridos. “A inspiração vem dos festivais de música”, diz Cecília. 

As ombreiras devem ser o fetiche da estação. Estão franjadas, com fitas, em rede, metalizadas nas mais diversas cores (rosa, azul, vermelho, prata, ouro, etc.), e até em pom-pons coloridos. As ombreiras fazem belas composições com bodys, blusas, e podem ser transformadas em saias, conforme a imaginação da foliã. As saias são feitas de cetim, e podem ser adaptadas para ser usadas como um vestido. 

Cecília ressalta que faz no máximo três modelos de cada peça, já que a exclusividade é a alma do negócio artesanal. “Até pelo fato de ser uma produção artesanal, é difícil fazer igualzinho, mesmo que eu queira. Gosto de oferecer variedade à clientela”, diz. A artesão conta que faz todo o processo sozinha, desde a criação do conceito, com muita pesquisa para saber o que estará em alta, até mesmo a execução. As tiaras variam de 50 a 80 reais. As peças estão à venda no Casa 895, uma loja de espaços compartilhados no Tirol. 

Flor na cabeça

A estudante de arquitetura e urbanismo Júlia Rodrigues concentrou sua produção na cabeça das foliãs. A sua Lacre Acessórios cria tiaras e broches com bastante inspiração nas flores. “Flor está em alta. E compõe um belo look por si só, combina com tudo, não precisa de muita coisa”, diz. Entre o material que ela usa para produzir há glitter, purpurina, lantejoulas, flores e frutas artificiais. Júlia conta que começa a pesquisar material desde novembro, e seleciona vários materiais que são usados nos enfeites natalinos. Discrição realmente não é uma característica carnavalesca.  As tiaras custam uma média de R$60. 

Créditos: CedidaFanstasia para carnavalFanstasia para carnaval

Júlia começou a produzir por acaso, pra ajudar uma amiga, e hoje já consegue achar uma sintonia entre o trabalho artesanal   e seus estudos de arquitetura. “O olhar de arquiteta me ajuda muito no processo criativo, desde o planejamento no uso de materiais e principalmente na composição das cores. A arquitetura me dá uma noção de harmonia – e eu vejo algumas coisas bem confusas por aí. Só porque é de carnaval não precisa ser uma bagunça estética”, explica. A produção é toda artesanal, e as peças são únicas, garante a artista. As compras são pelo Instagram: @lacre_acessorios e @juliarodrigues0907

Ateliê em festa

O artista plástico, cenógrafo e figurinista Carlos Sérgio Borges já está trabalhando em seus adereços carnavalescos há um mês e meio. “Minha vida é assim, acelerada na arte. Comecei bem cedo porque a demanda no ano passado foi maior do que eu esperava, então resolvi me preparar melhor para 2020”, diz. Em seu ateliê e galeria na Cidade Alta ele afirma já contar com cerca de 1.500 peças à disposição. E está só começando. 

Por ser um artista com larga experiência em figurinos para escolas de samba, Carlos Sérgio não economiza estilo e brilho em suas produções. Há cocares (de vários modelos, rústicos, com brilhos e plumas coloridas e penas diversas), máscaras grandes e pequenas, estandartes, cartolas, chapéus, bordados (em vários modelos e temas), tiaras e diademas com flores, orquídeas, bordados de ouro, prata e outras cores. 

“Eu crio de acordo com o que está em cima da minha mesa”, afirma Borges. Entre os materiais há muitos itens de plástico e de acrílico, além de acetatos, plumas, lantejoulas, pérolas brocadas, tecidos brocados, capuchões (peça de cabeça), cordões coloridos, etc. O artista não se preocupou em pesquisar tendências. “Não me preocupo com tendências porque eu acho que carnaval é criatividade e cor. Eu uso muitas plumas, porque as pessoas gostam do brilho e da leveza, e também muita coisa dourada e prateada”, diz.  

Toda produção de Carlos está à venda. “A minha galeria nesse momento virou um grande salão para um baile de carnaval, onde estão expostos todos os adereços estão à venda. Muita gente vem aqui com ideias para eu criar em cima e confeccionar. Estou esperando os foliões para que eles sejam muito felizes com meus adereços”, afirma. O ateliê fica na Rua Santo Antônio, 704, próximo à Igreja do Galo. Contato: 99983-8659. 

Casa de carnaval 

Uma das pioneiras no conceito de espaços compartilhados em Natal, a Casa 895 já ficou conhecida como aquela “loja de carnaval” toda vez que fevereiro chega. Não é à toa. É o período em que as marcas e artistas ligados ao local escoam suas exclusivas e criativas produções carnavalescas. “À medida em que o carnaval da cidade foi crescendo, a procura na loja aumentou. Virou uma grande data do ano pra nós”, afirma a gerente Daniele Gonçalves. No próximo dia 23 haverá o lançamento oficial das coleções carnavalescas da loja. 

O material disponível inclui tiaras, ombreiras, quimonos de paetê, pochetes, brincos, colares de glitter, saias de tule, bodys, e 'hot pants' (um biquíni alto). Tudo bem ao gosto do carnaval. “As pessoas querem o que a gente oferece por ser diferente, exclusivo, sem os padrões industrializados. Por isso é legal”, conclui. 



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