Para Moro, mensagens não revelam direcionamento

Publicação: 2019-06-11 00:00:00 | Comentários: 0
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São Paulo (AE) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol disseram nesta segunda-feira, 10, ser "normal" o diálogo extraoficial entre juízes e integrantes do Ministério Público, e defenderam a isenção da Operação Lava Jato. "É muito natural, é normal que procuradores e advogados conversem com o juiz mesmo sem a presença da outra parte", disse Dallagnol em vídeo publicado nas suas redes sociais. "Não há orientação nenhuma", afirmou Moro, ao desembarcar em Manaus, onde cumpriu agenda nesta segunda.

Sérgio Moro nega que tenha orientado as iniciativas do Ministério Público na Lava Jato
Sérgio Moro nega que tenha orientado as iniciativas do Ministério Público na Lava Jato

No domingo, 9, o site The Intercept Brasil divulgou supostas trocas de mensagens, no aplicativo Telegram, entre o então juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba e o coordenador da Lava Jato. O conteúdo, segundo o site, sugere que Moro orientou investigadores, sugeriu mudança da ordem de fases da operação, deu conselhos, forneceu pistas e antecipou decisão a Dallagnol.

"Não tem nenhuma orientação ali naquelas mensagens. E eu nem posso dizer que são autênticas, porque, veja, são coisas que aconteceram e, se aconteceram, foram há anos. Eu não tenho mais essas mensagens. Eu não guardo, não tenho registro disso. Mas ali não tem orientação nenhuma", disse Moro.

Questionado por que manteve contato com os procuradores via mensagem de texto de aplicativo, Moro afirmou que "é algo normal". "Veja, os juízes conversam com procuradores, conversam com advogados, conversam com policiais. E isso é algo normal. Se houve alguma coisa nesse sentido (de direcionamento), são operações que já haviam sido autorizadas e isso é questão de logística de saber como fazer", declarou o ministro.

Em vídeo, Dallagnol disse que a Lava Jato sofreu um "ataque gravíssimo". Segundo ele, um "criminoso" teria se passado por jornalistas e por procuradores e invadido celulares. Em nota, a força-tarefa da Lava Jato fez relato semelhante. Dallagnol disse temer que a atividade criminosa "avance agora para falsear e deturpar fatos".

Ele afirmou que integrantes da força-tarefa não reconhecem a "fidedignidade dessas mensagens que foram espalhadas", embora concorde que elas "podem gerar algum desconforto em alguém". Ao afirmar ser "normal" a conversa entre juízes, procuradores e advogados "sem a presença da outra parte", disse que isso só seria problemático se houvesse "conluio ou quebra de imparcialidade".

Para Dallagnol, eram "robustas" as provas apresentadas pelo Ministério Público na denúncia do caso do triplex, que resultou na condenação e prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.




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