Para o corpo e para a mente

Publicação: 2014-09-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Durante trinta anos a empresária Flávia Mariz, 56 anos, sofreu com fortes dores, principalmente nos braços e nos ombros. Porém, o diagnóstico de fibromialgia só veio há quatro anos, com a recomendação médica de se movimentar bastante. Mas ela sempre tentou atenuar a situação praticando pilates, hidroginástica e caminhando. Mas foi com o tai chi chuan que ela diz ter conseguido controlar as dores.
Adriano AbreuProfessor Marcelo Sena (óculos escuros), ao mesmo tempo em que ensina os movimentos da terapia oriental, aproveita para tratar duas hérnias de disco. Segundo ele, resultados aparecem na segunda semanaProfessor Marcelo Sena (óculos escuros), ao mesmo tempo em que ensina os movimentos da terapia oriental, aproveita para tratar duas hérnias de disco. Segundo ele, resultados aparecem na segunda semana

Ela diz não ter acreditado quando ouviu o diagnóstico de fibromialgia, pois sempre ouviu coisas pesadas a respeitos da doença. Mas ela não se deixou abater e continuou sua busca por uma atividade física que ajudasse a suportar as dores.

Lembrou que uma amiga sua praticava tai chi chuan e sempre lhe falava aspectos positivos da terapia — principalmente sobre equilíbrio emocional e do corpo, a distribuição energética. Decidiu então experimentar. Foi quando ficou sabendo das aulas no Parque das Dunas.

“No primeiro dia que eu fui, na primeira vez, eu estava com dores no braço. O professor passou uns movimentos e eu sai totalmente sem dor. Então, todas as vezes que eu vou para o exercício, eu não sei o que é, qual é o tipo de movimento que eu faço, que eu saio de lá sem dor. É uma coisa imediata, tipo apertar um botão. É fantástico pra mim”, relata Flávia, praticante da arte marcial há três meses.

Ela diz sentir dores no braço todos os dias, ininterruptamente, exceto naqueles quando tomam remédio. “Mas eu não posso passar a vida inteira tomando anti-inflamatório, até porque eu não estaria viva aqui”

Mas basta ela fazer tai chu chuan para as dores sumirem. E o alívio perdura durante todo o dia. A sensação de alívio é tamanha, segundo Flávia, que chega a deixá-la espantada. Ela acredita em um benefício cumulativo na prática de tai chi chuan. 

“Só sei que eu fiquei espantada. Eu colocava fé em uma coisa a longo prazo, não pensei que fosse uma resposta tão rápida. É uma coisa que eu recomendo pras pessoas. Digo que faça pois o negócio é bom mesmo.”

MÉDICA E PACIENTE
A reumatologista aposentada Margarita Mota Rocha de Arruda Câmara pratica tai chi chuan há três anos para aliviar os sintomas de uma escoliose e da osteoporose. Segundo ela, alguns artigos médicos apontam o tai chi chuan é a melhor atividade física para quem sofre do problema ósseo, pois melhora a flexibilidade das articulações ao transferir o peso de uma perna a outra durante a prática dos movimentos, além da força e o equilíbrio.

“Essa transferência de peso alternadamente faz com que o indivíduo o tempo todo esteja se equilibrando. E dessa forma fica menos sujeito a quedas e, consequentemente, menos sujeito a fraturas. O grande objetivo do tratamento da osteoporose é evitar fraturas vertebrais e de quadril ou de punho”, comenta a reumatologista.

Margarita Mota comenta também ser o tai chi chuan ideal para tratar fibromialgia, artrose e as labirintopatias.  

“A fibromialgia de uma maneira geral precisa de atividade física porque faz subir o nível de endorfinas naturais, de maneira natural. Qualquer atividade faz subir o nível de endorfina. E ela vai proporcionar uma analgesia fisiológica”, comenta a reumatologista.

Os movimentos que mexem com o centro gravitacional do corpo são importantes para tratar as doenças do labirinto, pois receptores neurológicos nas plantas dos pés levam informações para o cérebro que debelam a tontura.

De acordo com Margarita Mota, os portadores de artrose podem não ter facilidade de executar algumas posturas do tai chi chuan, mas eles melhoram a força. Elaressalta também os benefícios do tai chi chuan para a mente. “Eu já experimentei, recentemente, quando Marcelo passou um exercício bem simples e a gente repetiu muito e, de repente, minha cabeça ficou vazia. A meditação!

Bate-papo - Marcelo Sena
Professor de Tai Chi Chuan

O que significam os movimentos do tai chi chuan?
São movimentos que eles chamam de “espalhar as nuvens”, para poder ter a memorização do movimento, sempre ligados à energia da Terra. E tem uma parte do tai chi, que chama Chi Kung, onde engloba mesmo a parte de energização. Outro método, que foi retirado do tai chi, chamado Lian Gong. Um ortopedista, na China, tratava o paciente mas precisa de uma fisioterapia. Então, ele incluiu o movimento do Lian Gong do tai chi para os pacientes, e acabou desenvolvendo uma técnica para a região da cabeça, do tronco, pernas. Hoje, essa técnica, quando os pacientes saem do consultório dele já vão fazer esse tipo de tratamento. E ele teve bons resultados com esse tipo de movimento. Quando se faz um movimento brusco, você agride a musculatura. Você vai socar e agride. A gente que é novo, sente a dor. Mas quem já é de uma certa idade, se você usar força no braço , agride a musculatura. E no tai chi os movimentos são lentos, suaves e circulares.

— Como os movimentos ajudam a atenuar doenças como a a fibromialgia, por exemplo?
Fibromialgia: uma aluna lá do parque, quando começou, falava com a gente de braços cruzados. Hoje ela fala com os braços soltos.  Se fizer um movimento brusco, vai doer e vai aumentar a dor. Aí, tem que fazer um exercício de alongamento e também os exercícios. Não pode parar! Recentemente, teve uma reportagem no Globo Repórter falando que o remédio para dor é o movimento. A pessoa não pode ficar parado. Outra questão também, além das dores articulares, é respirar. Ninguém sabe respirar corretamente. Quando a gente passa a respirar melhor, passa a levar mais oxigênio para o sangue, e isso vai para o cérebro e para o corpo também. O sangue vai estar mais oxigenado e a pessoa vai ter mais energia. Outra também: o pessoal com problemas de mobilidade, de andar. Os velhinhos começam a perder o equilíbrio... Aí o tai chi trabalha muito a questão dos movimentos, vem os suaves, mas ele está fazendo umas bases, caminhando, calcanhar, puxando, levantando a perna, coluna também, é bom para osteoporose também.

— Os exercícios e movimentos são diferenciados para quem tem uma patologia específica?
O aluno normal busca qualidade de vida, a parte marcial, defesa pessoal. A força que a gente adquire através dos Chi Kung são através de exercícios de respiração, de concentração, a gente puxa energia do universo, tem o Dantian, que é abaixo do umbigo, onde armazena essa energia vital, que na yoga usa. A parte dos chakras também é visualizada. Mas a gente faz uma geral. O aquecimento é leve, os movimentos são lentos, repetitivos. Você também tem que visualizar o que você quer tratar. Se você não visualizar, vai mexer o braço só por mexer o braço e ficar pensando em outra coisa... não vai valer nada. Você tem que ter a consciência do que está fazendo.

— Então é preciso concentração?
Isso. Inclusive, lá no Parque das Dunas, de manhã, a gente faz na quadra, em meio à natureza, e  aparece um monte de “soim”, passarinhos. À tarde, a gente faz em frente ao lago, e por incrível que pareça, os peixes ficam todos próximo da gente.



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