Para onde vamos?

Publicação: 2021-03-04 00:00:00
Garibaldi Filho
Ex-senador da República 

Depois de um final de ano prenunciando a solução para o mal que matou milhares de pessoas e maltratou física e psicologicamente tantas famílias em nosso país e no mundo, percebo que esses primeiros meses nos mantém tristes e apreensivos. Escrevo neste momento sob o impacto do noticiário que coloca o Brasil como o país com maior número de mortos por dia por conta da pandemia. 

Em meu silêncio sofrido, me pergunto o que fizemos para merecer tão dura provação. A primeira resposta que vem à cabeça é que não fizemos quase nada e, quando agimos, o fizemos de maneira desarticulada e ineficiente. 

Semana passada, as redes sociais reproduziram uma declaração atribuída ao filósofo Mário Sérgio Cortella em que ele falava da religião e da politica que nos afasta num cenário em que apenas o Coronavírus nos une. Pensamento incontestável. 

A agressividade da doença enfileira nos corredores dos hospitais pobres e ricos. Para ambos, falta a assistência necessária para garantir a vida. 

Mas, por outra leitura do pensamento do professor Cortella, me arrisco a dizer que o vírus nos dividiu na prevenção e na administração das providências. 
Atônita, a sociedade foi envolvida por um clima de paixões que, em alguns momentos, parecia desconhecer o valor da vida. 

A Covid avançou no campo dividido e, se há um ano chorávamos pelas primeiras mortes, agora muitos se acostumaram a ver o placar macabro registrar mais de mil, dia após dia. 

Na maioria dos países, a receita foi a corrente solidária para enfrentar e atenuar os efeitos da praga. Infelizmente, fomos incapazes de imitar o resto do mundo e optamos por um cabo de guerra que está nos conduzindo a momentos de dor e desespero. 

Nem mesmo a vacina, a essa altura o único caminho para o conforto da alma e do corpo, consegue unir uma nação dividida e órfã de lideranças. 
Uma réstia de luz foi a decisão do parlamento de reunir os governadores e construir uma saída legislativa para compra de imunizantes e incluí-los no Plano Nacional de Imunização. Que assim seja! 

Desculpem-me os amigos leitores, mas o homem quase sempre confiante flerta agora com a desesperança. Sei que ela é passageira. E confio a Deus que esses momentos estejam perto do fim. Desejo que a resposta para onde vamos, que intitula este sincero artigo, seja apenas uma: a fila da vacinação.






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