Paradoxos de uma Natal moderna e simples

Publicação: 2019-08-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Natal era nas primeiras décadas do século XX um lugar de contrastes, uma cidade que se esforçava para ser moderna ao mesmo tempo que se fazia provinciana. Imaginar essa Natal é difícil pela pouca existência de trabalhos focados na pesquisa iconográfica e histórica sobre a época. Mas um documentário recém produzido avança nesse sentido, propondo um rico olhar sobre nosso passado. Trata-se do curta-metragem “A Província Moderna”, de  Artemilson Lima e Raimundo Arrais. O filme será lançado no dia 21 de agosto, às 19h30, no auditório do IFRN Cidade Alta.

Documentário mostra o cotidiano de Natal nas três primeiras décadas do século XX
Documentário mostra o cotidiano de Natal nas três primeiras décadas do século XX

“Acho que pela primeira vez se está dando uma narrativa a essas imagens antigas de Natal que estão soltas por aí. Mas fazemos isso numa perspectiva histórica, tentando transmitir mais ou menos como era a cidade, falando dos sonhos e sentimentos da época, dos problemas e virtudes da cidade, apresentando conexões e contextualizando as imagens”, conta Artemilson (professor de História do IFRN). Com experiência em produções audiovisuais, foi dele o trabalho de transformar em roteiro o texto do professor Raimundo Arrais (Departamento de História UFRN). A direção foi assinada pelos dois.

Raimundo é coordenador do grupo de pesquisa “Os Espaços na Modernidade”, na UFRN. Ele explica que o documentário foi produzido como desdobramento de vários estudos realizados pelo grupo. “É uma narrativa que não se pretende pedagógica. Não é uma aula. É embasada em pesquisa histórica e iconográfica, mas o compromisso é com a questão cinematográfica”, diz o professor, que também explica o título paradoxal. “O filme tenta mostrar, a partir de diversos aspectos, a cidade de Natal, a vida urbana, os sonhos de progressos, de poder. Natal não era uma cidade isolada no início do século XX. Tinha certas conexões com a Europa, queria ser moderna, mas não tinha pujança econômica e convivia com sérios problemas, como a chegada dos flagelados da seca que vinham do interior”.

Narrativa das primeiras décadas: Ribeira, Centro, Cine Polytheama, praça André de Albuquerque, Ponte de Igapó, com imagens coletadas do acervo da Biblioteca Nacional, acervos particulares e jornais
Narrativa das primeiras décadas: Ribeira, Centro, Cine Polytheama, praça André de Albuquerque, Ponte de Igapó, com imagens coletadas do acervo da Biblioteca Nacional, acervos particulares e jornais

O documentário tem 21 minutos e é centrado no cotidiano de Natal nas três primeiras décadas do século XX. A pesquisa iconográfica tem imagens do acervo da Biblioteca Nacional, acervos particulares, jornais antigos. A narração é de Clotilde Tavares.

“Filmes como esse, que tem uma abordagem crítica e imaginativa, que podem ser utilizados escolas, são necessários. Ele foi estruturado para uso dos professores, tem apenas 20 minutos, dá para introduzir uma aula”, comenta Raimundo, reforçando que o filme não apresenta uma narrativa pedagógica. “É um trabalho indicado para todos os públicos, para quem tem curiosidade em conhecer a História de Natal”.

Perguntado se o período abordado no documentário é carente de estudos e publicações, Raimundo lembra que há outras fases da história natalense mais carentes de pesquisas. “Tem trabalhos importantes sobre o início do século XX, sobretudo na questão arquitetônica. Mas sobre o seculo XIX não tem quase nada. No período da 2ª Guerra temos importantes memorialistas. Mas e e o período que vem depois? O grande problema é o pós guerra. São poucas as pesquisas sobre os anos 50, 60 e 70”, afirma o professor da UFRN. “Precisamos melhorar nisso. Até para ter material de uso pelos professores em sala de aula. A gente percebe que nas escolas a História do Rio Grande do Norte está sendo desprestigiada”.

Serviço
Lançamento do documentário “A Província Moderna”.

Dia 21 de agosto, às 19h30

Auditório do IFRN da Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta)

Entrada gratuita.

Colaborou: Cinthia Lopes, Editora




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