Paraná deve assinar acordo com Rússia para fabricar vacina contra Covid-19

Publicação: 2020-08-11 12:47:00
O governo do Paraná deve anunciar nesta quarta-feira (12), um acordo com o ministério de saúde russo para a produção de uma vacina contra o coronavírus. O acordo prevê que o Estado realize testes, produza e distribua a vacina. O presidente Vladimir Putin afirmou que a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a provar a regulamentação da vacina nesta terça-feira, 11.
Créditos: ABrRússia anunciou nesta terça-feira que liberou vacinaRússia anunciou nesta terça-feira que liberou vacina

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O embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, tem encontro agendado com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), nesta quarta-feira, às 14h. A expectativa é de que o encontro defina a parceria para a produção da vacina. Embora tenha sido registrada, o imunizante ainda será submetido a ensaios clínicos para testar sua segurança e eficácia.

Após a assinatura do acordo, o próximo passo é o compartilhamento do protocolo russo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil para a liberação das outras etapas.

O protocolo de intenções foi entregue no final de julho, data em que Akopov recebeu, em Brasília, o secretário-chefe da Casa Civil do Paraná, Guto Silva. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que já atua em parceria com o Ministério da Saúde, deve um dos polos de produção e distribuição da imunização para a América Latina.

Os estudos sobre a vacina russa geram dúvida na comunidade científica. O Ministério da Saúde da Rússia informa que as pesquisas para a vacina estão na fase 3, a última e mais importante das etapas de produção de uma vacina, mas não divulgou estudos em nenhuma revista científica sobre os resultados, duração e os detalhes das fases anteriores.

Desconfiança

A Rússia registrou a primeira vacina do mundo contra covid-19, mas a velocidade do desenvolvimento gerou desconfiança. Cientistas utilizaram testes militares, procedimentos clínicos acelerados e testes abreviados, o que foi alvo de ceticismo. Críticos se preocupam com o que acreditam que possa ser um "sacrifício dos cidadãos russos por prestígio". Vladimir Putin disse há alguns meses que queria a produção pronta para setembro, o que acrescentou pressão política à busca pela vacina.

Até agora, duas rodadas de testes foram realizadas, e uma terceira está planejada após registros, quando voluntários do serviço de saúde e professores serão vacinados. Grupos da sociedade civil como a Associação das Organizações de Ensaios Clínicos da Rússia demonstraram reticência com o imunizante, e ela chegou a requerer que a vacina fosse registrada apenas depois que todas as fases da testagem fossem realizadas. O Instituto Gamaleya, que encabeça a iniciativa junto ao Ministério da Saúde, indicou que os testes são seguros, já que a produção é baseada em uma inoculação prévia contra o ebola.

Estadão Conteúdo