Parnamirim Jazz Sinfônica programa novos concertos para dezembro

Publicação: 2020-11-26 00:00:00
Tádzio França
Repórter

O jazz faz parte da história de Parnamirim. Foi o som da geração embalada pelos bailes que os norte-americanos promoviam em suas bases locais dos anos 40. Décadas depois, a cidade volta a sintonizar sua trilha sonora histórica através da Parnamirim Jazz Sinfônica, novíssimo projeto formado em novembro, com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. A banda é composta por 50 músicos sob a regência do maestro português Eugenio Graça, e já tem cinco concertos programados para dezembro.  Pode aguardar todo aquele jazz e algo mais.

Créditos: DivulgaçãoO maestro Eugenio Graça é o regente da Parnamirim Jazz SinfônicaO maestro Eugenio Graça é o regente da Parnamirim Jazz Sinfônica

A Parnamirim Jazz Sinfônica nasceu em meio à pandemia, mas é um desejo antigo da prefeitura do município. “Há tempos queríamos montar um grupo musical que visitasse as heranças culturais da cidade, o encontro do jazz americano com a música regional brasileira e popular. A PJS traduz isso da melhor forma”, afirma o idealizador Eugenio Graça, músico português residente há 11 anos no Rio Grande do Norte, maestro e diretor artístico da Sesi Big Band, e organizador do Parnamirim Jazz Festival.

Erudita e popular
A PJS tem inspiração no passado, mas também promete oferecer sonoridades novas e ousadas para o público. Eugenio explica que a banda é a junção de uma orquestra sinfônica tradicional com uma big band de jazz. “Esse tipo de banda é especialista em tomar várias formas de música, sobretudo a popular, e colocá-las numa embalagem sinfônica. Até música pop pode ser transformada dessa forma”, diz. Ele acredita que o formato é capaz de cativar mais pessoas e contribuir para a formação de platéias.

A orquestra pretende atrair o público com uma combinação de timbres clássicos, modernos e jazzísticos, além da junção artística entre a orquestra e convidados solistas internacionais, nacionais, regionais e locais. Eugenio Graça acredita que a fusão de jazz, samba, frevo, bossa nova, MPB, rock e erudito, vai criar uma nova estética de performance orquestral com fundamento em arranjos contemporâneos e elaborados exclusivamente para a Parnamirim Jazz Sinfônica.

Segundo o maestro, o projeto realizará um intensivo trabalho de resgate das tradições das orquestras de rádio e televisão que fizeram sucesso entre os anos 1930 e 1970, se propondo a dar roupagem sinfônica à música jazz, popular brasileira e universal. Os tempos da Segunda Guerra Mundial são referência, mas a banda também foi pensada para embalar o público diverso dos dias de hoje.

Agenda
A orquestra fará sua estréia no dia 17 de dezembro, seguindo com mais apresentações nos dias 18, 19, 25 e 30, no largo do Cine Teatro de Parnamirim. Os concertos de 18 e 19 serão apenas online, e dos outros dias serão realizados de forma híbrida, com platéia reduzida e transmissão pela internet. A platéia será extremamente reduzida: apenas 180 pessoas – em cadeiras devidamente distanciadas - num lugar que tem capacidade para até dez mil. Os shows terão artistas de Parnamirim e também nomes nacionais a serem confirmados.

“Poderíamos ter feito dentro do teatro, com até 100 pessoas, mas preferimos na rua e ao ar livre para dar ainda mais segurança ao evento”, explica. O maestro afirma que a nova orquestra de Parnamirim nasceu num momento difícil e tem vários desafios pelo caminho. “Além dos problemas gerados pela pandemia, também temos questões relativas ao orçamento no futuro”, diz ele, ressaltando que a PJS tem gestão privada, a cargo da EG Consultoria Musical.

“É um projeto capaz de gerar renda e também atividade artística para músicos e demais profissionais da cultura do espetáculo. Além dos 51 músicos que compõem a orquestra, beneficia também as equipes por trás”, diz. Eugenio espera que em 2021 o projeto tenha prosseguimento, e que na ocasião será decidido se a manutenção da orquestra será por meios de recursos públicos ou privados.