Parques tecnológicos podem melhorar índice de inovação

Publicação: 2020-11-01 00:00:00
A melhoria dos índices do Rio Grande do Norte no ranking pode estar atrelada a investimentos maciços em educação, ciência e tecnologia e capacitação profissional dos envolvidos na cadeia produtiva do Estado. Com a recém implantação e operacionalização do Parque Tecnológico Metrópole Digital, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o pesquisador-economista do Observatório da Indústria/FIEC, David Guimarães Coelho, avalia que a chegada desse instrumento pode melhorar os índices do Estado.

saiba mais

Pensamento parecido tem o atual diretor do Parque, Rodrigo Romão. Atualmente, segundo ele, são pelo menos 87 empresas instaladas no Parque, que juntas, geram quase 800 postos de trabalho, numa área que abrange cinco bairros da zona Sul de Natal. Para as empresas, sejam elas em processo de préincubação, incubação e até consolidadas no mercado, há incentivos fiscais, como redução no ISS (Imposto Sobre Serviços) e no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Ele comenta que ainda não há dados concretos do impacto pré e pós-parque, mas que, na prática, os resultados têm sido observados.

“Falando do projeto do IMD, que já passa de dez anos, era esperado que nesse estágio, uma década após essa iniciativa voltada à TI, uma das áreas que mais cresce em empregabilidade, área transversal, o que a gente vê é o papel do instituto nesse sentido. Precisaríamos passar esse tempo de atuação de dez anos para os resultados começarem a ser sentidos”, diz Romão. Ele comenta ainda que há residências jurídicas no instituto e também com a Secretaria Estadual de Saúde.

Uma dessas empresas instaladas no Parque é a VOID3D, especializada em impressoras e produtos 3D. A empresa está incubada no IMD há dois anos e meio e busca caminhar com os próprios passos nos próximos meses. Até aqui, já foram pelo menos 48 impressoras fabricadas e 201 projetos feitos, o que totalizou em 18 mil horas de impressão. A empresa, que emprega sete pessoas, já vende produtos para todo o Brasil.

“Temos o serviço de transformar ideias em produtos. Qualquer pessoa que tenha ideia de máquina ou dispositivo que ela tenha interesse em comercializar, ou pelo menos ter, a gente consegue fazer esse desenvolvimento”, explica Arthur Andrade, diretor executivo.

Para alavancar ainda mais esse setor, a UFRN já trabalha com a implantação de outro Parque, em Macaíba, na área onde seria instalado o antigo Campus do Cérebro. As obras já custaram R$ 34 milhões, recursos do Ministério da Educação (MEC) e a UFRN tem feito reuniões com o Banco Mundial para pleitear outros R$ 8 milhões, para concluir a estrutura. A expectativa inicial era de conclusão no primeiro semestre de 2021, mas devido à pandemia de coronavírus, os prazos podem sofrer alterações.

O projeto de implantação do Parque prevê espaços customizados para empresas incubadas, aceleradoras e associadas, o que leva em consideração os tamanhos delas para a ocupação. Além disso, há um espaço de 50 hectares, na cidade de Macaíba, com a oferta de 76 lotes dispostos em 11 quadras, para empresas de maior porte. A ideia é que o Parque Científico e Tecnológico esteja voltado, principalmente, para as áreas de Energias, Reabilitação em Saúde e Indústria 4.0.

Patentes
Outro ponto que a UFRN tem se destacado é no tocante aos pedidos e concessões de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), órgão que coordena esse segmento no Brasil. Numa pesquisa divulgada nesta semana, a UFRN apareceu entre as cinco instituições com maior depósito de programas de computador no País e entre as 15 com mais pedidos de patente no Brasil.

Os dados são relativos a 2019 e, em números absolutos, a UFRN depositou 41 programas de computador e 30 pedidos de patente.  “Temos uma excelente capacidade de inovação por parte dos nossos pesquisadores e professores”, afirma o diretor da Agência de Inovação (AGIR), Daniel de Lima Pontes. Ao todo, a UFRN já registrou 270 depósitos de patente e 24 já foram concedidos pelo INPI.

Índice de Inovação dos Estados
Índice de Capacidades
RN: 9º Capital Humano

Qualidade da Graduação (0,71)
Nordeste: 1º
Brasil: Santa Catarina (1,00)

RN: 8º Capital Humano
Qualidade da Pós-Graduação (0,60)
Nordeste: 1º
Brasil: Distrito Federal (1,00)

RN: 11º Capital Humano - Inserção de Mestres e Doutores na Indústria (0,36)
Nordeste: Bahia (0,53)
Brasil: Rio de Janeiro (1,00)

RN: 25º Investimento Público em Ciência e Tecnologia (0,01)
Nordeste: Paraíba (0,31)
Brasil: São Paulo (1,00)

Índice de Resultados
RN: 9º Produção Científica (0,77)
Nordeste: 2º 
Paraíba é o 1º do NE (0,82)
Brasil: Rio de Janeiro (1,00)

RN: 13º Propriedade Intelectual (0,22) 
Nordeste: 3º 
Paraíba é o 1º do NE (0,65)
Brasil: Santa Catarina (1,00)

RN: 19º Intensidade Tecnológica da Estrutura Produtiva (0,08)
Nordeste: 6º 
Pernambuco é 1º do NE (0,29)
Brasil: Amazonas (1,00)

RN: 18º Infraestrutura de Inovação (0,10)
Nordeste: 7º 
Pernambuco é 1º do NE (0,23)
Brasil: São Paulo (1,00)

RN: 20º Competitividade Global em Setores Tecnológicos (0,22)
Nordeste: 6º 
Pernambuco é 1º do NE (0,69)
Brasil: São Paulo (1,00)







Leia também: