Páscoa engorda o bolso de empreendedores individuais

Publicação: 2013-03-24 00:00:00
Da Agência Sebrae RN

Longe da disputa palmo a palmo de clientes para a Páscoa por parte da indústria de chocolate, supermercados e redes de lojas especializadas, os empreendedores individuais (EI) do Rio Grande do Norte ganham mercado com produtos artesanais derivados de chocolate. A procura pelos produtos aumenta nessa época, principalmente em função do preço e da personalização das guloseimas. As vendas chegam a subir, em média, 50% nesse período.
Pequena fabricante de doces deverá produzir 4 mil ovos de chocolate este ano: demanda em alta
Não é à toa. De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio, ligado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomercio-RN), os ovos e produtos de chocolate serão os itens que serão mais consumidos nesse período. 57,8% dos natalenses pretendem comprar artigos desse gênero, mais que outros itens tradicionais da Semana Santa, como peixes e crustáceos (31,5%) ou vinhos (6,9%).

A fartura dos doces faz o orçamento de Delhe Barbosa Pereira de Araújo atingir o melhor desempenho do ano nesse período. Proprietária dos Showcolates Delícia, a Empreendedora Individual produz ovos e trufas de chocolates, nessa época que as encomendas e comercializações aumentam. Os pedidos crescem 50% a mais no comparativo com o restante do ano. “Quando a Páscoa se aproxima, produzo mais ovos porque os pedidos aumentam. Nos meses seguintes, foco nas trufas, que também têm boa aceitação”, explica. Até a Semana Santa, ela terá produzido 4 mil ovos de páscoa, o que deve proporcionar um faturamento no mês perto de R$ 2,5 mil.

Na cozinha da própria residência, Delhe Barbosa montou o seu negócio, que envolve o marido, filhos e outros parentes. Tudo começou há três anos pela vontade de incrementar a renda doméstica. Com poucas economias, iniciou a produção de trufas. A qualidade e sabor dos doces atraíram clientes e o que era mero complemento virou o negócio da vida da dona de casa. Para começar certo, procurou o SEBRAE no Rio Grande do Norte, participou de palestras gerenciais e percebeu que estava na hora de abrir uma empresa. Foi quando resolveu se formalizar como EI, em março do ano passado.

Desde então a rotina de Delhe Barbosa foi completamente alterada. O tempo ocioso foi substituído por cálculos, busca por clientes e negociações com fornecedores. “Um dos maiores diferenciais dos meus produtos é a qualidade. Utilizo matéria prima de primeira linha”. Logo às 6 horas da manhã, a mulher já ta de pé. Começam os preparativos para manuseio do chocolate. Tudo precisa ficar pronto para a entrega, às 14h. Além das encomendas, as trufas e ovos trufados - cujos valores vão de R$ 0,50 a R$ 25 - vão parar nos principais mercadinhos e mercearias do conjunto Santa Catarina e arredores, na zona Norte de Natal. São 50 clientes fixos.

Redes sociais ajudam na divulgação

O gastrônomo Daniel Simplício também viu nos produtos derivados de chocolate feitos artesanalmente a oportunidade de ter o próprio negócio. Deixou para trás o emprego em um restaurante em Natal e resolveu empreender, atitude estimulada após a participação no seminário Empretec, realizado pelo Sebrae para desenvolver as competências empreendedoras dos participantes.

Daniel Simplício: Facebook é vitrine para os brigadeirosO jovem era responsável pelo setor de confeitaria e doceria do estabelecimento, pediu demissão em junho do ano passado e passou a ser conhecido por ‘O Melhor Brigadeiro da Cidade’, por confeccionar os brigadeiros gourmet, uma variação do tradicional brigadeiro acrescido de sabores requintados, como pistache, damasco, limão siciliano, castanha do pará, café e a última novidade, caramelo com flor de sal. Ao todo, são 32 sabores que estimulam os desejos da clientela.

Como canal de divulgação dos produtos, o empreendedor usou as redes sociais. Criou uma página no Facebook e um perfil no Instagram. O termômetro das vendas veio no Dia dos Namorados. As guloseimas caíram no gosto dos casais apaixonados e Daniel Simplício chegou a vender 50 caixas contendo até 20 bombons. “Venho de uma família seridoense com larga tradição nessa área de doceria. Então, resolvi apostar nos brigadeiros”, conta o rapaz, que juntamente com a mãe produz os doces, vendidos ao preço de R$ 40 a caixa.

No período natalino, outra constatação de que o negócio era viável. Foram vendidas mil unidades em apenas duas semanas. Mas nada supera a Páscoa, quando a produção aumenta 50% e a receita deve atingir R$ 3 mil até o fim do mês. Até a próxima sexta-feira (29), ele terá feito 600 brigadeiros voltados especialmente para a Semana Santa.

Formalizado como Empreendedor Individual no ano passado, Daniel Simplício diz que o cadastro no programa foi fundamental para o sucesso do negócio, já que praticamente todos os ingredientes são importados e a aquisição necessita de nota fiscal ou número do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

A ideia de fazer da paixão pela gastronomia a principal fonte de renda deu tão certo que atualmente ‘O Melhor Brigadeiro da Cidade’ tem um cadastro de 200 clientes fixos, entre eles um café instalado no Natal Shopping. Pelo menos, duas vezes por semana, parte da produção dos brigadeiros é destinada a esse cliente. As embalagens do produto são outro diferencial e tudo pensado e planejado por Daniel Simplício que também é publicitário. “Vi que essa era a oportunidade da minha vida e apostei na ideia”.

Programa dá impulso à formalização

Assim como Daniel Simplício e Delhe Barbosa, milhares de potiguares deixaram a informalidade e entraram no mercado formal tornando-se Empreendedor Individual. Atualmente, o Rio Grande do Norte possui 39,6 mil profissionais autônomos que aderiram ao programa, de acordo com dados da Receita Federal.

Uma iniciativa do governo federal, o Empreendedor Individual é uma categoria jurídica destinada aos profissionais que trabalham por conta própria, faturam até R$ 60 mil ao ano, não possuem participação em outras empresas como sócio ou titular e empregam, no máximo, um funcionário.

“O programa tem cumprido um papel social muito importante dentro da economia do Rio Grande do Norte. E vemos isso em datas comemorativas, quando o talento e a criatividade desses profissionais vêm à tona, gerando boas vendas, como é o caso dos empreendedores que atuam com doces e chocolates”, observa o gerente da Unidade de Orientação Empresarial do SEBRAE no Rio Grande do Norte, Edwin Aldrin da Silva. Segundo o gerente, o programa só apresenta vantagens e tem avançado em número de formalizações no estado a cada ano.

Mediante o pagamento de uma taxa mensal de no máximo R$ 37,10, o trabalhador passa a contar com auxílio-doença, salário-maternidade e aposentadoria após 15 anos de serviço. Outros benefícios importantes são o direito ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), o de emitir notas fiscais, vender para o governo, além de ter acesso facilitado aos serviços bancários e linhas de crédito. Atualmente, mais de 450 atividades podem ser enquadradas como EI.