Passeio de jet skis em área de preservação ambiental gera mobilização no litoral sul do RN

Publicação: 2019-01-11 12:14:00 | Comentários: 0
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Um passeio de jet skis previsto para esta sexta-feira (11) está causando polêmica entre ativistas ambientais e pescadores no litoral sul potiguar. É que o roteiro do passeio náutico, que sai de Barra de Cunhaú com destino a Senador Georgino Avelino, tem no roteiro a passagem por  uma área de preservação ambiental, a lagoa Bonfim-Guaraíras, compreendida entre Tibau do Sul e Senador Georgino Avelino. Uma manifestação envolvendo embarcações e balsas acontece desde o começo do dia para barrar a passagem dos veículos marítimos em direção a Georgino Avelino.

Segundo manifestantes, passeio de jet-ski não deveria acontecer na área de preservação ambiental
Segundo manifestantes, passeio de jet-ski não deveria acontecer na área de preservação ambiental

Segundo o ativista ambiental Leonardo Pinheiro, 47 anos, a manifestação acontece entre as praias de Tibau e Malembá. A alegação dos manifestantes é de que a área em que os jet skis vão passar é uma área de preservação ambiental, num local de reprodução e diversidade marinha, como peixes-boi, crustáceos, golfinhos, entre outros animais marinhos.. Até o fechamento desta reportagem, segundo os organizadores, 17 embarcações já estavam na lagoa Guaraíras para barrar a passagem dos jet skis.

“A turbina de Jet-Ski emite uma frequência que eclode as ovas dos peixes dos alevinos e também, 10 jet skis, em duas horas, coloca 100 litros de óleo na água. Outra coisa: lá são canais de manguezais de reprodução marinha muito estreitos, vai provocar um dano muito grande ao meio ambiente”, explica. “O povo que está aqui vai barrar”, acrescentou.

O ativista alega ainda que a prefeitura de Tibau se posicionou contra a realização do evento. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou contato com a comunicação da prefeitura, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Em contato com a reportagem, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema-RN) emitiu uma nota, alegando “que a referida atividade de passeio de motonáutica, não está enquadrada para análise de procedimento de licenciamento ambiental, o que a torna inexigível neste órgão. Ademais, consoante a Lei Complementar Federal 140/2011, o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos localizados em Unidades de Conservação são de competência do Estado, exceto as Áreas de Proteção Ambiental”, e completa, “com isso, o IDEMA orienta que atividades de passeio motonáutico deverão buscar o Ente Federal, considerando estarem localizadas ou desenvolvidas, total ou parcialmente, em mar territorial.

Por sua vez, a gerência regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do seu chefe de gabinete, Jean Túlio, alegou que o Ibama também não tem responsabilidade sobre a área de proteção ambiental em questão.

“Não cabe ao Ibama nenhuma licença neste sentido. O que tem é uma autorização da capitania, que deve acompanhar esse tipo de evento, com relação à segurança. E quando tem unidade de conservação delimitada, então, ainda que não tenha plano de manejo, o órgão gestor da unidade de conservação é quem vai disciplinar o uso ou o acesso aqueles recursos. No caso seria o Idema e não o Ibama”, disse. “A APA-Bonfim Guaraíras é uma unidade de conservação estadual”, completou.

A reportagem da TN tentou contato com a organização do evento, mas as ligações não foram atendidas tampouco retornadas até o fechamento desta reportagem.

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