Passeios fora do trivial: natalense conduz brasileiros em Paris

Publicação: 2019-11-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

Viajar para um lugar diferente também é vivenciar um novo espaço. No entanto, muitas vezes a pressa, as limitações ou a falta de conhecimento fazem com que a experiência seja superficial, sem surpresas. O chamado 'turismo de experiência' é a opção para quem deseja aquele algo mais de uma viagem. São iniciativas de pessoas que têm vivência e conhecimento sobre determinados  lugares e assuntos, permitindo ao viajante imergir na cultura do local. E essa imersão pode ser um passeio a pé pela tradição da cozinha parisiense, ou um almoço  harmonizado pelas muitas vinícolas europeias. Um roteiro para sentir.


Janaína monta os passeios a pé, com paradas e piqueniques
Janaína monta os passeios a pé, com paradas e piqueniques

A natalense Janaína Pedroza divide com outros brasileiros sua  visão sobre a capital francesa: uma cidade cuja cultura gastronômica é o maior atrativo. Foi assim que há cinco anos ela criou o blog 'Parisabor' [www.parisabor.com] e passou a agendar passeios em que leva turistas do Brasil para conhecer – e saborear – alguns dos pontos mais tradicionais da culinária francesa. “É um passeio de descoberta de Paris e de sua gastronomia. É natural querer conhecer tudo que se come quando se chega num país diferente”, afirma. Que dirá em Paris!

Na Cidade Luz
O périplo turístico de Janaína pela Cidade Luz é conduzido pelos sabores. O chamado “Food Tour Paris” circula por locais da cidade que alinham história e gastronomia. É feito a pé e dura cerca de quatro horas – e ninguém reclama, pelo contrário. Grupos de duas até dez pessoas são conduzidos por padarias, mercados, lojas de queijos e vinhos. São lugares que os próprios parisienses frequentam, como a Stohrer, a mais antiga padaria e confeitaria da cidade.

Ao longo do passeio Janaína fala sobre a história do local e das iguarias que o cliente vai saboreando durante a caminhada. “Há toda uma degustação de iguarias típicas como o macaron, e massas folhadas como o pain au chocolat. Passamos também por um grande açougue para que as pessoas conheçam os cortes de carne, que são muito diferentes dos brasileiros. Ainda há uma parada numa casa de salames, e queijos, já que a França conta com uma imensa variedade de frios maravilhosos”, lista.

Janaína também leva o turista para um dos programas mais tradicionais da cidade: um piquenique aos pés da Torre Eiffel.  É um roteiro quase obrigatório durante a primavera e o verão do país. Janaína agenda o piquenique  de abril a setembro, cuidando de todos os detalhes, como a escolha dos produtos típicos e a montagem do espaço. Sobre a tradicional toalha xadrez são distribuídos bebidas e quitutes como champanhe, vinho, baguete, salame, queijo, frutas e sucos. Celebridades como o apresentador Marcos Mignon e a ex-jogadora de basquete Hortência já solicitaram o piquenique da potiguar.

O que Janaína oferece ao turista é resultado de sua vivência de 20 anos na Cidade Luz – muito antes do glamour atual. Quando chegou ao país trabalhou durante dois anos como 'au pair' em casa de família, e em seguida no aeroporto da capital. Por lá, uma coisa chamou sua atenção: os turistas brasileiros costumavam reclamar de que se comia mal na cidade. “Eu até ficava  constrangida com isso. Como assim se come mal em Paris, capital de um país de referência na gastronomia mundial?”, diz. 

A marmita que levava para almoçar no aeroporto logo passou  a ser comercializada, a pedidos, entre amigas e colegas de trabalho. Os pedidos logo se estenderam à embaixada do Brasil em Paris, para onde ela forneceu durante um ano. Após isso Janaína decidiu levar seu talento culinário para a gastronomia francesa, e estudá-la mais a fundo. Formou-se em Gastronomia pela Escola Greta/Paris, e estagiou em lugares como Hotel Ritz, Lassere, e Les 101 de Tailevent. Ela trabalhou ainda no restaurante privado da Universidade Sorbonne. Foi de garçonete a cozinheira ao longo de dez anos.

A mão habilidosa na cozinha também fez Janaína criar um serviço de 'personal chef' para turistas. Este é voltado para o viajante que alugou casa ou apartamento em Paris, tendo mais tempo e espaço para gastar. Janaína vai até o local, monta o serviço, mesa, e cozinha para o grupo – que deve ter no mínimo quatro pessoas. O menu tem entrada, prato principal, queijos e sobremesa.

A natalense não se considera uma 'chef' nos moldes franceses, apesar de ter uma boa base. “Prefiro ser chamada de cozinheira”. Recentemente foi condecorada pela Divine Academie des Arts Lettres et Culture, um reconhecimento pelo seu trabalho de divulgação da gastronomia francesa. O blog de Janaína traz informações que vão além de seus passeios, como os roteiros veganos em Paris, a Oktober Fest da cidade, os restaurantes dentro dos barcos, a rota do fondue, e as gastronomias estrangeiras na cidade. As viagens gastronômicas podem ser agendadas no @parisabor.

Um brinde ao passeio
Para os apreciadores de um bom vinho, o melhor está na taça. Mas ir além da degustação pode ser uma experiência ainda melhor. Pensando nisso, o consultor e enófilo Gilvan Passos criou passeios em grupo que levam os fãs da bebida a conhecer algumas das melhores vinícolas do Brasil e do mundo. Viagens regadas a conhecimento, experiências e muitos goles. “A ideia nasceu entre as confrarias que eu faço parte. Elas não queriam ir além do encontro mensal no restaurante, e ver in loco a produção daquilo que a gente ama. É uma viagem muito rica do ponto de vista enológico”, diz.

Gilvan organiza e conduz todas as etapas. “Eu decido com o grupo qual é o destino, o país produtor e a região, entro em contato com   aqueles que têm uma boa estrutura pra receber – geralmente que tenha restaurante dentro da vinícola – e  faço a agenda, defino quais vinhos iremos degustar, defino o cardápio do almoço, precifico tudo, e apresento todo esse programa da viagem”, relata. O passeio pode durar de três a cinco dias.

O passeio consiste em visitar duas vinícolas por dia. Uma pela manhã, em que o grupo almoça, outra à tarde, por volta das 15h. Depois a turma volta ao hotel pra descansar e sai à noite para um jantar harmonizado em restaurante. Nas vinícolas, o grupo tem acesso a todo o processo de produção do vinho. Conhece o manejo do parreiral, o processo de maturação do vinho, conversa com o produtor e o enólogo.

Gilvan destaca as muitas experiências que podem acontecer. “A gente prova por exemplo vinhos da barrica do carvalho que ainda não estão prontos, ou vinhos que ainda estão  em processo de elaboração. E eles podem fazer um julgamento e ter um conhecimento muito mais amplo do que é o vinho durante a sua feitura”, diz. São provados vinhos importantes que nunca chegaram – ou chegarão – ao Brasil. É uma viagem cheia de sabor.






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