Paulo Guedes pede apoio e ‘compreensão’ na OCDE

Publicação: 2020-07-14 00:00:00
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Brasília (AE) - Em meio à mudança de postura do governo em relação aos temas ambientais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, aproveitou ontem participação em evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para fazer um discurso de compromisso com a preservação da Amazônia. Após pressões de diversos investidores internacionais e também de empresários brasileiros, o governo tem tentando mudar a imagem do Brasil em relação à preservação da floresta.

"Sabemos que temos de reduzir os efeitos sobre o meio ambiente. Queremos apoio e compreensão para fazer isso melhor. O Brasil sabe da importância do desenvolvimento sustentável, não apenas do ponto de vista fiscal como do ponto de vista ambiental", discursou. "Se há excessos e erros, corrigiremos. Ou melhor dizendo, não aceitaremos o desmatamento ilegal e a exploração ilegal de recursos", completou o ministro, em participação na Cúpula Ministerial Virtual da OCDE sobre Inclusão Social para a América Latina e o Caribe.

Além da pressão de investidores internacionais e empresários, um grupo formado por ex-ministro da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central também divulgou carta para cobrar mudanças na política ambiental do governo de Jair Bolsonaro. A previsão é que o documento, que vai propor uma agenda "verde" para a retomada da economia, seja apresentada oficialmente nesta terça-feira, 14.

O vice-presidente Hamilton Mourão, que coordena o Conselho da Amazônia, foi escalado para tentar amenizar a pressão e se reuniu com 10 grandes fundos internacionais na semana passada, sem a participação de Guedes.

Na semana passada, o Estadão/Broadcast mostrou que o governo travou o repasse de R$ 33 milhões doados pela Noruega e Alemanha para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente Ibama e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que seriam destinados à Amazônia. Em agosto do ano passado, Bolsonaro chegou a dizer que não precisava do dinheiro de países europeus para preservar a floresta.

Ontem, numa mudança de tom do governo, pediu ajuda de outros países para que o governo consiga lidar com a questão ambiental
"A Amazônia é maior que a Europa, é difícil monitorar tudo. Em um país com carência de educação e saneamento, como policiar toda a selva Amazônica sem ajuda? Estamos abertos à cooperação e ajuda para saída da crise", completou o ministro.

‘Falsa narrativa’
Ainda durante o evento, Guedes retomou o discurso de duas semanas atrás, quando reverberou uma fala de Bolsonaro de que parte das críticas à política ambiental brasileira ocorreria por má-fé de países que competem com o Brasil no mercado global.

"Sabemos que preservamos mais as nossas florestas e protegemos nossos povos indígenas melhor que outros países, onde houve guerras de extermínio. O Brasil alimenta o mundo preservando o seu meio ambiente", afirmou. "Queremos ajuda, mas não aceitamos falsas narrativas sobre o que aconteceu nas ultimas décadas. Pedimos compreensão à comunidade mundial. Muitos escondem seu protecionismo condenando o Brasil. Há muitos interesses protecionistas criticando o Brasil e não ajudando."

Ao encerrar a participação no evento, Guedes repetiu o desejo do Brasil em integrar a OCDE - formado pelas economias mais desenvolvidas do mundo -, até mesmo para implementar os melhores padrões de gestão também na área ambiental.