Paulo Sérgio

Publicação: 2020-02-14 00:00:00
A+ A-
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Créditos: DivulgaçãoCantor Paulo SérgioCantor Paulo Sérgio


Dos olhos delas, jorravam maremotos passionais. As empregadas domésticas urravam de uma tristeza absolutamente verdadeira , borrada de maquiagem barata. Pobre chora franco e com sinceridade. O plantão da Rede Globo do dia 29 de julho de 1980, anunciava a morte repentina do cantor Paulo Sérgio, capixaba de apenas 36 anos, de derrame cerebral.

 O homem que produzia letras dolorosas de sofrimento amoroso permeado por traições minotauras, com chifres maiores que os do personagem da mitologia grega, estava no auge das paradas de frenesi brega. Paulo Sérgio era um dos subprodutos da Jovem Guarda caixa baixa, onde estavam os caroneiros do sucesso de Roberto Carlos e Erasmo, Pholhas, Jerry Adriani, Sérgio Reis e cafonas a mais.

As festas de padroeira em Natal costumavam levar parques de diversão aos bairros. No Tirol, era gostoso participar das atividades de fé em Santa Terezinha. O fundo musical, de profundo pesar. Paulo Sérgio pontificava, encorajando marmanjos a dar cantadas em mulheres mascaradas de pó e rouge.

 Eram chamadas indiscretas do locutor desafinado na oferenda de canções. “ De um alguém de camiseta volta ao mundo verde, calça vinho e sapatos cavalo de aço, esse alguém apaixonado, para alguém cujo nome começa com érre, consta o i e termina com a(Rita).”

 Muito sujeito hoje na casa dos 50 e tal foi gerado em pé de poste com o namorado fogoso e cheio de medo da patrulha Cosme e Damião(dupla de soldados) que, ao flagrar o ato libidinoso, descia o sarrafo no pobre desejoso.  Os meganhas batiam bem mais por desgosto da escala em suas fardas suadas e puídas, do que para fazer cumprir a lei hipócrita.

 Do Carmo, a empregada que para mim nunca foi serviçal, mas uma criatura espetacular que tanto me deu carinho, foi uma das viúvas de Paulo Sérgio. A Revista Amiga, de inutilidades televisivas, saiu com um pôster do finado, ele de chapéu e dando adeusinho.

Do Carmo pediu adiantamento e espetou o rosto de Paulo Sérgio entre a sua cama e a penteadeira, cheirando a perfume Rastro, semelhante a uma arma química da guerra Estados Unidos versus talibãs.

 De mau gosto, a saudade nunca foi. As letras de Paulo Sérgio avançavam ao péssimo padrão. Ocorre que ele chegou a vender 300 mil discos com Última Canção, regravada por muitos músicos metidos a cult, chiques, cabeças feitas e intelectuais farsantes.

 Paulo Sérgio, de timbre de voz choroso, não conseguiu deixar fã-clube para seu filho, Rodrigo, nome artístico: Paulo Sérgio Júnior. Juninho tinha menos de 10 anos quando o pai morreu deixando uma música “Meu Filho Deus Que Lhe Proteja”, que beirou os 50 mil bolachões vendidos.

 Eis o Paulo Sérgio popular, lacrimejante, capaz de levar fãs à histeria todo ano no Dia de Finados, no macabro ritual de carregar velhos toca-discos e até alguns CDs para o túmulo do finado no Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro. Paulo Sérgio a sete palmos e cantando ao mesmo tempo.

 É  notícia esta semana outro Paulo Sérgio desejado pelas bandas de Natal. Paulo Sérgio de Souza, 30 anos, centroavante por vocação (vontade própria), surgiu como contratado pelo ABC ao Cascavel(PR). Faltam cobras criadas no futebol de hoje. Paulo Sérgio, em 13 anos, marcou 53 gols.

 Talvez Paulo Sérgio do Brega conseguisse melhor desempenho. A média da subcelebridade da bola é de 4 gols a cada temporada. Leandro Perequeté, do Riachuelo, faria uns 20.

Acusaram o América de se meter no negócio, houve acalorados debates nas redes sociais e Paulo Sérgio, o centroavante homônimo do astro brega, é aguardado no Frasqueirão . Ao ABC, o mote da melodia  original: “Meu Filho, Deus Que Lhe Proteja.”
Surra  O América teve piedade do Força e Luz ao sapecar somente 4x1. Tinha caixa para oito.

Decisão
A pauta desinteressante pode lotar resenhas e programas esportivos de TV. O que interessa é a decisão do primeiro turno ABC x América.

Estímulo
Sem dúvida o América recebeu ânimo novo pela ausência de Wallyson, o único jogador nota 9 do futebol potiguar. Sem ele, tudo é imprevisível.

Vinicius
Voz geral o tiro certo do ABC ao trazer o zagueiro Vinicius. Sabe jogo, tem personalidade, não treme.

Orobó
No América,  o atacante Tiago Orobó está enchendo os oriquimbós dos adversários de gols. É oportunista. Oriquimbó? Palavra criada pelo inigualável Hélio Câmara para traduzir sabe-se lá o quê. Hélio foi o maior comunicador do rádio daqui.

Volta
O Baraúnas de Mossoró, que já foi campeão e vice do Rio Grande do Norte, está se preparando para voltar em 2021. Disputando a Segundona e ganhando em campo.

Sabido
Já tem malandro querendo derrubar o Nogueirão em Mossoró para fazer uma arena. Arena é lugar de artista. E quem está com essa ideia deve ter cifrão nos olhos.







Deixe seu comentário!

Comentários