PCC teria movimentado R$ 6 milhões em dois anos

Publicação: 2017-06-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Após quase dois anos de investigação, o Ministério Público do Rio Grande do Norte realizou operação contra integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em quase todo sistema penitenciário do RN de onde planejavam ações relacionadas a tráfico de drogas, roubo de veículos, estouros de caixas eletrônicos, homicídios e estruturação da facção. Criminosos usavam contas bancárias de terceiros e, em dois anos, teriam movimentado R$ 6 milhões dessas 184 contas relacionadas à facção e cujos sigilos bancários foram afastados.

A movimentação financeira do grupo estava anotada em cadernos e papéis apreendidos pelo Gaeco. Esse material também registra toda a atividade criminosa e o quantitativo de integrantes da organização a qual conta hoje com mais de 600 membros no RN, revelando nomes, apelidos, datas, identificações de “padrinhos” (pessoas da facção que apadrinham o novo integrante), a “quebrada de origem” (de onde vem aquele que busca entrar no PCC), “quebrada atual” (onde está atuando recentemente) e as “faculdades” (forma como identificam as unidades do sistema penitenciário).

Segundo o MPRN, a facção criminosa PCC atua em praticamente todo o sistema prisional do Estado
Mandados foram cumpridos em 18 cidades do Rio Grande do Norte

Na operação “Juízo final”, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com apoio das Polícias Militar estava cumprindo 129 mandados de busca e apreensão, 21 mandados de prisão e 24 conduções coercitiva. As medidas foram executadas em 18 cidades potiguares, 13 estabelecimentos prisionais estaduais e um presídio federal. Somente na segunda-feira (19), o MPRN divulgará o primeiro balanço da operação.

Os mandados de prisão, buscas e apreensões e conduções coercitivas estavam sendo cumpridos nas cidades de Natal, Parnamirim, Ceará Mirim, Macaíba, Baía Formosa, Mossoró, Itajá, Felipe Guerra, Baraúna, Caraúbas, Martins, Pau dos Ferros, São Francisco do Oeste e Tenente Laurentino Cruz. Também houve cumprimento de mandados de prisões e buscas e apreensões  no complexo penitenciário de Alcaçuz, incluindo o presídio Rogério Coutinho Madruga; Cadeia Pública de Natal; CDP Zona Norte; Complexo Penal João Chaves; CDP Pirangi; PEP Parnamirim; CDP Parnamirim; Cadeia Pública de Mossoro; CPEAMN Mário Negócio; Cadeia Pública de Caraúbas; Presídio de Pau dos Ferros; CDP Patu; CDP Parelhas; e CDP Jucurutu.

A investigação mostrou que os alvos comandam o tráfico de drogas de dentro dos presídios, apresentando uma área de atuação em praticamente todo o sistema carcerário potiguar e mantendo articulações com integrantes da investigada facção em outros estados do Brasil. O material apreendido no cumprimento de outros mandados será analisado junto com o que já estava em posse dos promotores que atuaram na operação.

Durante o período de investigação, MP apreendeu cadernos com informações da facção
Caerno registra quantitativo de integrantes do PCC, revelando nomes, apelidos, datas e ‘funções’

A investigação conseguiu a fixação de multa a empresa proprietária do aplicativo whatsapp no valor de condenação de R$ 15 milhões pelo descumprimento reiterado de ordem judicial. Os alvos da operação vão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O material apreendido no cumprimento de outros mandados será analisado junto com o que já estava em posse dos promotores que atuaram na operação.

Com a operação, o MPRN encaminhou ao Poder Judiciário 26 denúncias contra os alvos da operação pelos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Outras denúncias ainda serão oferecidas.

Facção Criminosa PCC

O Primeiro Comando da Capital tem agido em quase todo o Brasil e também na América do Sul há mais de duas décadas comandando crimes dos mais variados. A facção se notabilizou por grandes ações criminosas como assaltos a bancos e carros-fortes além de rebeliões em presídios espalhados pelo Brasil, bem como por ataques a agentes de segurança pública. Em muitos casos, ações orquestradas dentro e fora da cadeia. Além do nome e da sigla, a facção é identificada pelo número 1533. Nos últimos anos, com o surgimento de outras facções nos estados e a disputa pelo domínio territorial do tráfico, o PCC começou a travar uma verdadeira guerra com os demais integrantes de facções inimigas nos mais variados presídios do Brasil.

Número
600
é o número de integrantes do PCC, de acordo com anotações contidas em cadernos da organização criminosa


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