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Alex Medeiros
Pedro Dirceu Caroço
Publicado: 00:01:00 - 23/06/2022 Atualizado: 22:29:31 - 22/06/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

O ano de 1975 começou com o presidente da República Ernesto Geisel nominando e nomeando os governadores dos estados (eleição direta só viria em 1982) e planejando com seu chefe da Casa Civil, general Golbery, uma abertura “lenta, gradual e segura” para uma retomada democrática no Brasil.

Ao entregar a Golbery do Couto e Silva as rédeas da abertura, Geisel unia sua intenção de amenizar o extremismo do regime (que combatia o extremismo da esquerda) à confiabilidade que seu principal auxiliar oferecia aos setores democráticos, tais como o MDB, o PCB e os movimentos operários de SP.

Naquele ano, o sindicalista Luiz Inácio da Silva dava os primeiros passos para se tornar Lula elegendo-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, contando com o apoio de trabalhadores e patrões, e tendo o auxílio tático e clandestino de Golbery e dos empresários Wolfgang Sauer e Mário Garnero, da Volks.

A abertura de Geisel seguiu em frente até o fim do seu governo, ganhando até um programa na TV Tupi, batizado de Abertura e apresentado por Gláuber Rocha, que malgrado a cara feia dos leninistas entrevistou Golbery e o chamou de “gênio da raça”. A esquerda batizou o general como “bruxo da ditadura”.

Em 1975, muita gente ainda estava exilada fora do país – a maioria retornaria a partir de 1979 quando Geisel assinou a anistia “ampla, geral e irrestrita”. Mas um ex-líder estudantil acusado por terrorismo achou por bem voltar de Cuba naquele primeiro ano do quarto presidente militar. E foi se instalar no Paraná.

O mineiro José Dirceu de Oliveira e Silva, então com 29 anos, fez plástica em Havana e entrou na cidade de Cruzeiro do Oeste com a nova identidade de Carlos Henrique Gouveia de Mello. As duas primeiras providências foram arrumar jeito de ganhar dinheiro e encontrar uma companheira pra recomeçar.

Botou o olho em Clara Becker, uma viuvinha de 34 anos que administrava uma loja de roupas. Naquele ano, as rádios do país tocavam o sucesso de Genival Lacerda, “Severina Xique-Xique”, composição de João Gonçalves, poeta de Campina Grande muitas vezes censurado pelas letras de duplo sentido.

A letra cantava, “Pedro Caroço, filho de Zé Fagamela, passa o dia na esquina fazendo aceno pra ela; ele tá de olho é na boutique dela”. O enredo da canção, com a dona da boutique sendo paquerada, caiu como uma luva. Os moradores de Cruzeiro do Oeste apelidaram o tal Carlos Henrique de “Pedro Caroço”.

Escondido no interior paranaense, Dirceu ouviu e leu as notícias sobre a morte de Lúcio Flávio, o bandido mais procurado e charmoso do Rio de Janeiro. E lembrou de quando atiçava estudantes nas ruas paulistanas. Naquele 1975, poderia ter lido o livro “Vigiar e Punir”, lançado pelo filósofo Michel Foulcaut.

Pensando na reconstrução, ensaiando vida com Clara, cabia melhor a leitura de “A Família Constrói o Mundo”, lançado em São Paulo pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns. Afinal, até o maluco Raul Seixas casaria em 75 cantando ironia contra moderninhos: “mas pra eles é careta se alguém falar de amor”.

Em setembro de 2018, durante a Semana da Pátria, o mentor petista lançou o livro autobiográfico “Zé Dirceu – Memórias”, que escreveu numa cadeia do mesmo Paraná onde buscou refazer o caminho da militância delinquente travestida de revolução. Nas páginas, fala das decepções com Lula e insulta ministros do Supremo.

Uma das mágoas tem dosagem de ciúmes; quando Lula o substituiu por José Genoíno no discurso da festa da vitória, em 2003. No documentário Entreatos, que João Moreira Salles fez em 2002, fica claro que Dirceu era o único com ascendência sobre o presidente. Sendo outra vez “Pedro Caroço”.

Divulgação


Corrupto
O ex-ministro Milton Ribeiro botou as fés pelas mãos. Sua missão na Educação era pastorar a pasta e não abri-la para pastores picaretas. O presidente Bolsonaro foi rápido em não passar pano num caso com provas e ação da PF.

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Ativismo
Dor de cabeça para o isentão Rodrigo Pacheco. A Comissão de Transparência e Fiscalização do Senado aprovou requerimento para ouvir explicações dos ministros do STF, Alexandre Moraes e Luis Barroso, sobre ativismo judicial.

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Uma pesquisa do Blog do BG elencou os 11 mais da corrida pela Câmara Federal. Pela ordem, Natália Bonavides, Garibaldi Filho, Major Brilhante, Carla Dickson, João Maia, Benes, Kelps, Henrique Alves, Mineiro e Beto Rosado.

Fiscalização
A Semurb passou dois dias fiscalizando terrenos insalubres na zona sul, no trabalho necessário de combater pragas e lixo. Esta coluna informou de alguns locais em Petrópolis: ruínas de dois hospitais e piscinas de um clube militar.

Dez 
Os de Alex Gurgel: “Pelé, Zico, Zizinho, Garrincha, Domingos da Guia, Friedenreich, Didi, Romário, Ronaldo, Ronaldinho”. E de Eugênio Cunha: “Pelé, Garrincha, Ronaldo, Rivellino, Gerson, Tostão, Zico, Didi, Ronaldinho, Romário”.

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