Quadrantes
Pedro Velho e a escrivaninha
Publicado: 00:00:00 - 03/10/2021 Atualizado: 15:11:26 - 02/10/2021
Gustavo Sobral 
André Felipe Pignataro
Sócios do IHGRN

No acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte uma peça de mobiliário repousa incólume. É uma escrivaninha larga, em madeira escura, sem tinteiro ou canetas, sequer papéis, cartas ou documentos. Estes repousam no arquivo da instituição, e o seu proprietário foi o inventor da República no Rio Grande do Norte.

Pedro Velho (1856-1907), abolicionista, pai da República no Rio Grande do Norte, é o fundador do partido republicano e nele reinou até a morte em 1907. Médico formado no Rio de Janeiro, governador do Estado, líder político, senhor do seu tempo.

Portador de uma vasta cabeleira, bigode e óculos de aro, como está no seu retrato, Pedro Velho era Albuquerque Maranhão, e registro de um homem de ação e um articulador político.  No Rio de Janeiro, se formou em medicina e, médico, voltou ao Rio Grande do Norte, em 1881, para promover a campanha abolicionista e pregar a República. Casou com uma tia. E, assim, conclui Cascudo: “O avô virou sogro, e a mãe, cunhada”.

Pedro Velho voltou e começou a clinicar em Natal, depois de ter passado um tempo em São José de Mipibu, onde dirigiu uma farmácia. Mas a medicina, parece, não era a sua vocação. Tudo se passou muito rápido, e, já em 1882, Pedro Velho resolve então criar um educandário para instrução primária e secundária, o Ginásio Norte-rio-grandense. O educandário teve vida breve e, em 1885, foi aprovado para cadeira de história do Atheneu.

Partidário do abolicionismo, foi o entusiasta da causa na capital e propôs a Libertadora Norte-rio-grandense. Em janeiro de 1888 começou uma campanha por ele liderada. Pedro Velho indicou as diretorias e comissões para auxiliar os municípios ainda não libertos e fez um boletim para registrar todo o movimento, e ele mesmo foi, Rio Grande do Norte de cima a baixo, pregar a causa.

Pedro Velho fez a República no Rio Grande do Norte, e em 1893 era governador do Estado e o hospital ficou sem médico. O responsável, simplesmente, pediu exoneração e foi embora. Coube a ele assumir a função. E de forma gratuita. E lá ia todas as manhãs fazer a clínica, dias e mais dias, até que apareceu um médico para pôr no lugar. Outros tempos, outras civilidades. Seu birô, onde escreveu discursos e assinou documentos está no Instituto para quem quiser ver.

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