Pelé e o futebol rock ‘n’ roll

Publicação: 2020-08-12 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Enquanto onze entre dez jornalistas esportivos brasileiros estão resmungando contra a renomada revista inglesa World Soccer, que em sua edição especial dos 500 melhores jogadores do mundo não estampou Neymar na capa (do Brasil só Gabigol e Dani Alves), quero destacar que em junho e neste agosto há duas datas importantíssimas para a história do futebol, que são a chegada e a partida do rei Pelé no time do Cosmos de Nova York, em 1975 e em 1977.

O futebol nos EUA, organizado em campeonato, começou em 1967, com a qualidade técnica tão acanhada quanto a audiência na mídia, que supervalorizava o beisebol, o football (inspirado no rúgbi), o basquete e o boxe, nesta ordem de popularidade. Em 1970, quando o Brasil estava conquistando o tricampeonato no México, os irmãos turcos Nesuhi Ertegun e Ahmet Ertegun, que fundaram a gravadora Atlantic Records, decidiram criar um time de futebol.

Ao venderem a gravadora para a Time Warner, deram a ideia para o presidente do grupo, Steve Ross, que convocou o inglês Clive Toye para conceituar a empreitada. Foi Toye quem bolou o nome do time e em 1971 conheceu Pelé.

Como um bom inglês, conhecedor e amante da bola, Toye passou a sonhar com o rei do futebol como o toque mágico que precisava para dar um sentido de glamour ao soccer, até porque Pelé era o único jogador conhecido nos EUA.

No ano em que conheceu Pelé, Toye sabia da dificuldade em negociar com o craque, que estava dividido entre a perspectiva de pendurar as chuteiras ou aceitar propostas de atuar na Europa, no Real Madrid, Barcelona ou Milan.

O gerente do Cosmos passou quatro anos perseguindo, literalmente, o rei do futebol, subindo e descendo de aviões nas muitas cidades em que Pelé teve que ir nos seus compromissos comerciais e futebolísticos. Havia um porém.

O porém era a pressão interna no Brasil, onde a torcida e o governo do general Médici, que entendiam o seu ícone da canarinho como patrimônio da Pátria, não aceitavam a sua saída para jogar futebol defendendo cores estrangeiras.

Mas a essa altura, já considerando que conseguiria levar Pelé, Clive Toye convenceu o magnata Steve Ross a juntar estrelas do futebol e do showbizz como estratégia de marketing para fazer do soccer um esporte nacional.

Dentro de um quarto de motel em Bruxelas, Toye conseguiu convencer Pelé a topar a parada, e envolveu até o secretário do governo norte-americano, Henry Kissinger, que num bilhete convenceu o presidente Médici a aceitar o negócio.

Quando o rei foi apresentado em Nova York, em 10 de junho de 1975, o time era uma aglomeração de estudantes e peladeiros. Com sua chegada, logo vieram outros craques como Beckenbauer, Cruijff, Carlos Alberto e Chinaglia.

A moda pegou no resto do país, e outros times trouxeram estrelas de todas as partes do mundo. O cantor Elton John se tornou sócio em Los Angeles e mandou contratar George Best. O soccer atraiu roqueiros aos estádios.

Era época também do Studio 54, a mítica boate que reunia craques da bola, do rock e outras paradas: Marinho Chagas, Best, Hurst, Mick Jagger, Mohamad Ali, Sinatra, Steve Hunt, Carlos Alberto Torres, Robert Redford e Spielberg. 

É preciso enfatizar que Pelé e Marinho nunca jogaram juntos no Cosmos, mas foi o rei quem indicou seu nome quando estava para sair. E recepcionou a “bruxa” no aeroporto. O único título do rei veio no último ano, graças aos gols de Chinaglia, o maior artilheiro da história do time. Pelé se despediu do Cosmos com uma alusão a John Lennon, dizendo “love, love, love”. Era 28 de agosto de 1977.


Créditos: Divulgação


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