Rubens Lemos Filho
Pelé
Publicado: 00:00:00 - 22/09/2021 Atualizado: 22:16:58 - 21/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Em 2004, comprei dez cópias do filme de Aníbal Massaíni Neto, Pelé Eterno.Para presentear amigos.  Mais do que majestade, Pelé é o futebol   puro, belo, surpreendente e, adjetivo prontinho para ele e aviso aos demais: melhor até o fim dos dias. 

Divulgação


Pelé me faz chorar. Ah, faz. Rasga coração quem tabela na perna do zagueiro, recebe na frente e fuzila(ou desloca) o goleiro. É o criador sagrado  das regras de improviso ausentes do cansativo manual da FIFA.  

Um brasileiro, negro, moço mineiro criado de canelas finas em Bauru(SP), produto do país pobre vencido pela autoestima dele. Do sorriso de Juscelino à carranca da Ditadura, nada conseguiu derrubar, parar, tolher  Pelé. 

Moleque entrevistado pelo poeta e jornalista Armando Nogueira vestido com a camisa do Vasco em turnê do Santos contra os húngaros do Honved de Puskas e o Flamengo, desmoralizados. 

Pelé  a Armando Nogueira respondeu: “Sou o melhor 8, o melhor 9 e o melhor 10.”Contava 15 anos. Um garoto em puberdade. Um instrumento paranormal ocupando miúda estampa de subnutrido nacional. 

Eis Pelé que saiu a voar driblando quem ousasse domá-lo. Pelé partiu do encanto ao furor magistral, tornando-se, do Brasil, o maior símbolo de glória. 

O Brasil é um país de alma derrotista, de semblante melancólico, de ódio se sobrepondo às ideias, de inveja caninana aos que dele partem  para o sucesso.
Pelé dos 80 anos, Pelé aos 17 uma Copa foi. Dele. Estava tudo equilibrado, Brasil pronto para voltar da primeira fase no grupo contra Áustria, Inglaterra e União Soviética. Pelé entrou contra a União Soviética, cientificamente desmoralizada pelos dribles do seu companheiro-mor de filosofias boleiras: Mané Garrincha. 

Pelé fez o gol mais lindo do mundial. Aquele da meia-lua(drible curto, bola acima do chão), contra o País de Gales, peleja mais tenebrosa do Mundial que nós jamais poderíamos perder. 

Pelé evitou que o futebol brasileiro, mortificado por 1950, fosse dado defunto e sepultado nos campos da Suécia, posto que o relógio intermediário estabeleceu 1954 de  desmotivada consolidação do fracasso. 

Pelé, a partir não de 1958, chorando, agarrado ao seu goleiro Gilmar, mas depois de 1963, no bicampeonato mundial pelo Santos e, no meio da festa, o bicampeonato que, contundido, deixou para Amarildo completar, passou a ser odiado em casa. Sim, o brasileiro não gosta de Pelé. Pelé é o maior brasileiro e o maior entre os brasileiros. 

Na Iugoslávia, seria chamado de Pelevic, estátua em cada cidade. Na Romênia, Peléciou, meninos batizados em toda comunidade. Na Argentina, sim, a Argentina de Maradona e Messi, Edson Pelé(eles gostam de nomes compostos, nomes de monumento), cintilante de albiceleste no uniforme.  

O brasileiro, invasivo, penetrou na grande área da vida particular de Pelé e não lhe enaltece, cobra dele por situações corriqueiras que atingem a qualquer homem: a filha, a amante, as separações, o filho goleiro trapalhão metido em drogas. Pelé militante? atuante do gol. 

O Brasil, fosse correto, seria Pelé em grandeza, em vitória , em combate superior contra potências que ele transformava em farofa d’água, aqui no Nordeste degustada com carne de sol. Eis Pelé, depois, vem o Brasil. 

Pelé fará 81 anos em 23 de outubro e, no meu contrato sentimental, chegará aos 177, tendo sepultado a mortalidade que, imbecil, busca lhe dar lições de moral. 

Minha profissão, carnívora, dá eventual piora no estado de saúde de Pelé com baba nas dobras da boca. Pelé mata a história no peito. Resiste. A baba da opção pela tragédia. Pelé está mal. Na UTI. 

Quem driblou, chutou, marcou, humilhou, venceu cada um no seu caminho, é superior. Do imprevisível, do inexplicável, do insuperável, do Rei, em maiúsculo erre, dono dos raros momentos em que o Brasil foi feliz. 

Brasil, na condição de país, a olhar sobre os ombros,  o restante planeta. Em pesadelo, aflito, ameaçado, sozinho, gritarei Pelé! Estarei a salvo pelo Deus marcial trotando e demolindo inimigos. O paraíso calçando chuteiras. Eternizadas gêneros de primeira necessidade. Por Pelé. 

PS. Foto de Pelé doente? Nunca. Dos 16 aos 37 anos, a imortalidade em pinturas de Michelângelo fixou o homem acima de cada homem do mundo, subjugada a cronologia.

Marcando em cima 
O 4 de Julho do Piauí, adversário do ABC, marca o adversário na saída de bola, pressiona logo no ataque. Daí o ABC, em nome de Deus, evitar passes errados nas proximidades de sua grande área. 

Tonet 
O técnico do time piauiense é Fernando Tonet, com passagem pelo Alecrim e depois pelo Santa Cruz. 

Principal 
Seu principal jogador é Zé Artur, autor de dois gols na vitória por 3x0 sobre o Peñarol(AM).

Moto desfalcado 
O Moto Clube terá dois desfalques para o primeiro jogo contra o América: o lateral-direito Diego Renan e o volante Abu estão suspensos pelo cartão amarelo. Volta o volante Codó, um dos principais jogadores do time. 

Allan Dias 
O ABC vai depender e é muito do seu camisa 10 Allan Dias no mata-mata. 

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