Natal
Perícia vai dizer causa do incêndio na Ceasa
Publicado: 00:00:00 - 21/07/2021 Atualizado: 23:07:21 - 20/07/2021
Uma perícia do Instituto Técnico Científico de Perícia do RN (Itep/RN) vai determinar qual foi a causa do incêndio de grandes proporções na Central de Abastecimento de Alimentos (Ceasa), em Natal. O fogo deixou um depósito de uma distribuidora de alimentos parcialmente destruído na madrugada desta terça-feira (20) e atingiu outro depósito ao lado, em proporção menor. O fogo só foi controlado durante o dia. O incêndio necessitou de pelo menos 100 mil litros de água para ser controlado. Os bombeiros chegaram a encerrar as atividades no final da tarde, mas precisaram voltar em virtude do aparecimento de outro foco de incêndio. Foi o segundo incêndio desta magnitude registrado em Natal em menos de uma semana.

Alex Régis
Bombeiros atuaram durante todo o dia de ontem para conter as chamas do depósito da empresa Mar Vermelho, na Ceasa

Bombeiros atuaram durante todo o dia de ontem para conter as chamas do depósito da empresa Mar Vermelho, na Ceasa


De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada por volta das 03h30 da manhã e cinco viaturas foram encaminhadas até o local. Para auxiliar no combate, os bombeiros receberam ainda o reforço de um caminhão pipa da Marinha do Brasil, que disponibilizou 15 mil litros de água. Não houve feridos.

“Tivemos muita dificuldade por conta da quantidade de mercadorias, porque são muitas. Com o incêndio, uma parte caiu por cima da outra. Então isso dificultou porque precisamos revirar todo esse material”, explicou  o tenente Victor Hugo Gonzaga.

Durante a madrugada, vários caminhões e veículos que chegavam ao local para descarregar alimentos e produtos tiveram que ficar do lado de fora e o trânsito da região teve várias interdições e alterações. Sete linhas de ônibus chegaram a sofrer atrasos.

Ao longo do dia, várias equipes  trabalharam na contenção das chamas, que foram apagadas ainda pela manhã. À tarde, no entanto, pelo menos sete bombeiros ainda trabalhavam no espaço para evitar o retorno de focos do incêndio. Outro fator que dificultou o trabalho foi a questão dos materiais do depósito, que por ser uma distribuidora de bebidas e alimentos, possuía produtos combustíveis.

“O rescaldo é importante porque mexemos no material combustível que está queimando, jogamos água, faz o espalhamento para ir apagando o fogo”, acrescentou o tenente Victor Hugo Gonzaga.

Em nota, o Mar Vermelho Atacado, que possui uma unidade na Ceasa e outra em Parnamirim, agradeceu ao trabalho “eficiente” do CBM/RN. “O que podemos afirmar é que trabalharemos incansavelmente para recuperar o que foi perdido e continuaremos nossa trajetória de superação e conquistas que nos trouxeram até aqui”, informou, acrescentando ainda que o atendimento na unidade da Ceasa não foi suspenso.

Este foi o segundo incêndio ocorrido em Natal em menos de uma semana. Na última quinta-feira (15), uma loja de eletrodomésticos na avenida Rio Branco, bairro de Cidade Alta, na zona Leste de Natal. As chamas consumiram parte da estrutura do estabelecimento, principalmente o primeiro andar.

De acordo com informações do tenente Arthur Vasconcelos, as chamas consumiram boa parte do material da loja, que fica localizada em um primeiro andar na Avenida Rio Branco. Não houve registro de vítimas. Ainda de acordo com o relato do tenente Arthur Vasconcelos, o incêndio pode ter sido ocasionado por um curto circuito em um ventilador da loja.

Ceasa não tem atestado dos Bombeiros
A Ceasa não possui, no momento, o Atestado de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Em consulta feita pela TRIBUNA DO NORTE ao Sistema de Acompanhamento de Projetos de Segurança (SAPS), do Corpo de Bombeiros do RN, nem a Ceasa nem a empresa atingida pelo incêndio estão com o atestado em dia. Para espaços dessa complexidade, conforme a Lei Complementar Estadual 601/2017, os AVCBs são válidos por um ano e precisam ser renovados pelas gestões dos locais a cada 12 meses.

“O documento atesta que  a edificação está cumprindo as exigências do código de segurança. A empresa e a Ceasa não têm  o AVCB. Tem que ter o atestado do complexo e da empresa que está dentro do espaço”, explica o major Alexandre Fonseca, do serviço de vistoria dos Bombeiros.

O Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros é um documento que, durante a vistoria, certifica que a edificação possui as condições de segurança contra incêndio previstas pela legislação. Toda empresa, estabelecimento, indústria e prédios residenciais são obrigados a ter o documento. Caso não possua o AVCB, os espaços ficam sujeitos a interdições por parte do CBM em eventuais vistorias.

“Inicialmente fazemos uma notificação dando um prazo para regularização. As interdições que venhamos a fazer são em casos de grave risco”, acrescenta o major Alexandre Fonseca.









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