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Política
Perfil governista é alto entre presidentes das comissões
Publicado: 00:01:00 - 31/05/2022 Atualizado: 22:29:03 - 30/05/2022
Com poder de definir as prioridades na análise de projetos nas comissões da Câmara, a maioria dos presidentes desses colegiados neste ano tem alta taxa de governismo, de acordo com uma pesquisa do Observatório do Legislativo Brasileiro, obtida pelo Broadcast Político. Prestes a concorrer à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta emplacar pautas de seu interesse no Congresso. No entanto, como as comissões foram instaladas somente no fim de abril, o tempo é curto para aprovar propostas legislativas antes do início da campanha eleitoral.

Para definir a taxa de governismo de quem preside os colegiados da Câmara, a pesquisa identificou se esses parlamentares votaram ou não de acordo com a orientação da liderança do governo nas votações em plenário de fevereiro de 2019 a maio de 2022. A escala de adesão à pauta do Palácio do Planalto vai de 0 a 10 pontos. As notas variam de 2.5 a 9.4, já que algumas comissões são comandadas pela oposição. Mas 15 dos 24 presidentes têm uma taxa de governismo igual ou superior a 8.

"Até o fim do ano, portanto, pode se esperar que as comissões permanentes deem algum fôlego à agenda do Planalto, ainda que, em ano eleitoral, seja pouco provável que haja grande movimentação na tramitação dos projetos, especialmente quando relativa a temas polêmicos", diz o Observatório do Legislativo Brasileiro. "A base do governo, no entanto, está estrategicamente distribuída nas comissões que dialogam com pautas de interesse do eleitorado do presidente Bolsonaro, a despeito do seu pouco engajamento na tribuna com os temas de competência específica das suas comissões."

O deputado Arthur Maia (União Brasil-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara, tem uma taxa de governismo, de acordo com a pesquisa, de 8,6 pontos. No entanto, em entrevista ao Papo com Editor, do Broadcast Político, o parlamentar disse que, enquanto ele presidir o colegiado, a pauta de costumes endossada por Bolsonaro não deve ser prioridade. Ele prefere pautar temas que tenham como objetivo o combate à inflação. O chefe do Executivo apostava em emplacar no comando da CCJ um bolsonarista "raiz", o deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), mas ele perdeu a disputa.

Quem atingiu na pesquisa o maior nível de governismo foi o presidente da Comissão de Minas e Energia, Fabio Schiochet (União Brasil-SC). O colegiado trata, justamente, de um tema que tem preocupado o comitê da campanha de Bolsonaro à reeleição: combustíveis e energia elétrica. Na Câmara, como um todo, o assunto tem tido prioridade. Numa espécie de "levante" contra aumentos de preços, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), aprovou nesta semana um projeto que limita o ICMS sobre esses bens, e ele promete manter a ofensiva.

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