PERFIS: PMs do RN contam suas histórias em 30 anos de profissão

Publicação: 2019-12-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Tendo uma história na Polícia Militar do RN que remonta desde o final dos anos 80 e o começo dos anos 90, a subtenente Celia Lins, 48 anos, e o Cabo Marcos Ferreira, 52, possuem uma longa trajetória na PM e ainda seguem na ativa.

Uma está na história por fazer parte de uma das primeiras turmas de mulheres da corporação no Estado, enquanto o outro ganha destaque por estar há mais de 30 anos servindo a polícia e fazendo parte da ativa, sendo um dos mais antigos da tropa atual.

Conheça as histórias:

Célia Maria Lins de Melo
Subtenente, 48 anos

Aos 18 anos, Célia driblou os medos da mãe e resolveu entrar para a Polícia Militar. Não só a questão do temor em casa, mas também fez história ao participar da primeira turma de mulheres da PMRN, em 1990. Além do interesse pelo militarismo e da disciplina, via ali numa maneira de mudar o cenário de uma profissão que, até os dias atuais, é formada por homens.

Célia Maria Lins de MeloSubtenente , 48 anos

Prestes a fazer 30 anos de serviço em 2020, ela já almeja ir para a reserva da Polícia Militar. Com todo esse tempo de carreira, ela conta que não chegou a passar preconceitos na corporação pelo fato de ser mulher, mas que algumas pessoas duvidaram da sua capacidade e de outras mulheres quando passaram a fazer parte da PM.

“Preconceito não, mas o universo da PM, do militarismo é masculino e quando surgiu essa oportunidade a gente via como também a possibilidade de mudra esse cenário. Por ser uma função eminentemente masculina, a gente teve algumas dificuldades. Pela cabeça das pessoas passavam  que a gente não seria capaz de ser PM. Que ia pedir logo para sair, etc. A gente foi entendendo, aprendendo, lutando, sofrendo, lógico, mas estou eu aqui contando a história”, revela.

Em casa, a subtenente Célia disse que a mãe não aceitou muito bem a escolha pela profissão, fato que aconteceu logo após a conclusão do segundo grau. Ela conta duas histórias que lhe marcaram muito: uma de um jovem, em Felipe Camarão, a qual foi atingido com um tiro na cabeça e ela precisou socorrê-lo para o hospital, que não resistiu, e uma briga entre dois policiais militares, quando um matou o outro em uma festa.

Agora, fazendo parte da única Companhia Feminina do Estado de policiais mulheres, ela cita a importância do trabalho feminino e reforça a necessidade de mais mulheres dentro da corporação.

“A mulher é necessária em todos os locais, pela sua organização, pela sua percepção e pela sua capacidade de resolver as coisas de maneira mais branda. Não chega a ter 40 mulheres, na PM toda não temos 200 mulheres e com o passar do tempo, a gente já está indo para a reserva. Há de se renovar sempre”, conclui.

Marcos Ferreira da Penha
Cabo, 52 anos

Marcos Ferreira da PenhaCabo, 52 anos

Com quase 32 anos de serviços prestados à Polícia Militar e já com tempo suficiente para ir à reserva, o Cabo Marcos Ferreira da Penha, de 52 anos, é um dos agentes da ativa há mais tempo na PMRN. Vivenciando boa parte de seus serviços na antiga penitenciária João Chaves, ele entrou na PM com apenas 19 anos.

À época, segundo ele, ingressou para a corporação em virtude da dificuldade de conseguir emprego e prestou concurso público. Ingressou na PM em 1988. “Até hoje estou lá. Muitos companheiros meus se aperrearam com a situação, o salário era meio ruim. Muitos que saíram se arrependeram”, explica.

Ele presta serviço num dos batalhões da capital potiguar, na zona Oeste, ele conta que ainda está na rua e não em funções administrativas. “Eu gosto do serviço da rua, melhor do que estar em guarda, em presídio. São três homens, é mais seguro.”, comenta.

Pai de cinco filhos, ele conta que a esposa se preocupa com o trabalho, mas que ele a tranquiliza quanto aos “ossos do ofício”. “Ela às vezes fica com medo de sair. Mas é isso mesmo. Não vamos deixar de sair não. Lógico que a gente não vai deixar de dar bobeira. É se resguardar”, conta.

Além disso, ele conta que já viveu várias histórias na João Chaves. “Era meio difícil. Na época que o Papa veio para cá, era 24 por 24. Passamos três dias no presídio. Lavava a farda e colocava pra enxugar. Era pra dar uma segurança para ele”, relembra, citando a visita de João Paulo II em 1991, que não chegou a conhecê-lo.

No entanto, uma das histórias mais marcantes de sua carreira policial foi quando se deparou com a morte de Paulo Nicácio da Silva, o Paulo Queixada, um dos bandidos com maior notoriedade no Estado, em 1995.

“Ocorrência era rotina da gente. Na penitenciária era muito violento. Cheguei para assumir o serviço e a cabeça de Paulo Queixada estava pendurava. Os testículos, os olhos. Eu graças a Deus tinha um temperamento bom”, revela.

A expectativa dele agora é subir de patente para poder pedir a ida à reserva, mas conta que ainda pretende trabalhar pelo menos mais três anos. “Se der eu fico mais uns três anos para fechar segundo sargento. Eu tenho ainda gás para trabalhar”, conta.















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