Performance critica privatizações

Publicação: 2017-09-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

A cena é inusitada e suscita reflexões pertinentes sobre os rumos atuais da política brasileira: 50 pessoas empacotadas dos pés à cabeça, identificadas com o nome de empresas estatais ou recursos naturais estratégicos para a soberania nacional, enfileiradas e à venda. Esse é o ponto de partida da performance artística “Brazil For Sale (Brasil em Liquidação)”, que estreou em Natal e desfere críticas ao programa nacional de privatizações do Governo Federal. Concebida e dirigida pelo professor de teatro e encenador potiguar Marcos Bulhões, em parceria com Marcelo Denny e Naira Ciotti, a intervenção urbana chamou a atenção de quem circulou na tarde de ontem pelas imediações da Arena das Dunas, na zona Sul da capital.
Artistas realizaram intervenção no entorno da Arenas das Dunas chamando atenção para os processos de privatizações em curso no país
Artistas realizaram intervenção no entorno da Arenas das Dunas chamando atenção para os processos de privatizações em curso no país

A performance “Brazil for Sale” bebe na mesma fonte da intervenção “Cegos”, ação também criada por Bulhões e Denny que ganhou visibilidade internacional a partir de 2012 ao tratar de forma caricata – e não menos incisiva – a sociedade de consumo. “Nossa intenção é levar a mensagem desse trabalho por todo o país, por onde passarmos. A ação poética e política é uma forma de criticar essa dilapidação descarada do nosso patrimônio”, disse Bulhões, que está em Natal participando da 9ª Reunião Científica da Abrace (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas), em cartaz no Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) até hoje.

O grupo de 50 voluntários, formado por artistas de Natal e de outras parte do Brasil que participam do encontro da Abrace no Deart/UFRN, personificaram pacotes etiquetados e identificados como portos, rodovias, terras indígenas, Casa da Moeda, Banco do Brasil, reservas de água e de minérios, aquífero Guarani, Amazônia, Petrobras, Pré-Sal, Eletrobras, parques, universidade pública e usina hidrelétrica.

Marcos Bulhões explicou que a ação exercita o chamado “artivismo”, neologismo que junta as palavras arte a ativismo, dando voz e forma ao protesto-arte.

Segundo o diretor e encenador teatral potiguar, que atualmente leciona no curso de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo, “Brazil For Sale (Brasil em Liquidação)” está apenas estreando. A performance conta com parceria do Laboratório de Práticas Performáticas da USP.

Durante o encontro Abrace, além de articular a intervenção, Bulhões também ministrou a oficina “Coralidade Performáticas”, que trabalha conceitos contemporâneos sobre arte no espaço urbano.

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