Performances tecnológicas

Publicação: 2011-06-25 00:00:00 | Comentários: 0
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O sugestivo nome “BodeArte” dá uma pista do que se trata a iniciativa do Coletivo ES3 em parceria com o Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias, cuja proposta busca desmistificar, através do I Circuito Regional de Performances, a chamada performance artística, que até a década de1960 estava aglutinada ao conceito de “Body Art”, ou arte do corpo em inglês. Com foco na produção nordestina, o quarteto do ES3, formado por André Bezerra, Chrystine Silva, Felipe Cabral Fagundes e Yuri Kotke, realiza nos próximos dias uma série de eventos que visa qualificar o debate, promover a formação (tanto de artistas quanto de plateia) e viabilizar o mapeamento regional de grupos e pessoas que atuam nessa vertente cênica ainda bastante incompreendida pelo grande público. 
Circuito de Performances une tecnologia ao trabalho corporal
A programação desta primeira edição do Circuito Regional de Performances BodeArte inclui três momentos: o Fórum de Performance de Natal, será dia 27 de junho (próxima segunda-feira) às 19h, é aberto ao público e tem acesso gratuito; em seguida, nos dias 4 e 5 de julho, haverá série de palestras e a oficina “Diálogos contínuos em palcos pós-estruturados”, com a professora Naira Ciotti do Departamento de Artes da UFRN, também às 19h, mas a atividade é exclusiva para artistas e interessados inscritos e custa R$ 30; por último, entra em cena as apresentações propriamente ditas de performances do RN, BA, SE, CE, PE, PB e SP. Nos dias 7 e 8, o evento começa às 19h, e no dia 9 às 18h. A entrada custa R$ 5 por dia ou R$ 10 a temporada. Tudo acontece na sede do TECESol, rua Governador Valadares, 4853, bairro de Neópolis. Os ingressos estão à venda no Dearte/UFRN, com os próprios produtores do Coletivo ES3 (circuitobodearte@gmail.com) ou bilheteria.

“As intenções do Circuito BodeArte são, em primeiro lugar, formar plateia e educar o olhar do público que necessita de subsídios para traçar um mapa de leitura diante de uma performance. A outra meta é propor um aprofundamento teórico e prático da formação artística”, destaca André Bezerra, concluinte do curso de Teatro da UFRN. Entre as faces modernas da performance cênica, inclui-se elementos de instalação e vídeo-instalação,foto-performance, vídeo-performance e o experimento corpos-informáticos (que utiliza a simultaneidade de conexões digitais na relação entre artista e público). “A performance, enquanto linguagem artística independente, só ganhou contornos definidos a partir dos anos 1960. Inserida na contemporaneidade, a performance tem propriedades híbridas, passeia por outras vertentes, é uma arte nômade que não parte de teoremas e sim de problemas”, explica Bezerra.

Coletivo surgiu no Deart

O Coletivo ES3 surgiu em 2009 dentro do Departamento de Artes da UFRN, onde o quarteto, já interessado no chamado teatro contemporâneo, teve acesso à acervo teórico sobre o tema. Professores como o diretor teatral Marcos Bulhões, hoje na Universidade de São Paulo – USP, e a própria Naira Ciotti, que coordenava o Núcleo de Arte do Corpo na PUC-SP, também contribuíram para a formatação do grupo. Vinculado à Associação Brasil Performance – BrP, o Coletivo está responsável pelo mapeamento de artistas performáticos em atividade na região Nordeste.

Antes de partir para promoção de um Circuito Regional, o quarteto realizou duas mostras em 2010, e parte dessa experiência foi adquirida através de projetos de extensão com estudantes de Mãe Luiza e em assentamentos rurais. “Nossas abordagens procuram instigar a participação, a contribuição, despertar o desejo de conhecer, procurar, e esses dois projetos comprovaram que a performance pode chegar e ser produzida em qualquer lugar”, finaliza.

E para matar a curiosidade do leitor incauto, vale elucidar o significado da sigla que acompanha o nome de batismo do Coletivo. Trata-se de uma referência direta à dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999), que em determinado momento de sua curta vida escreveu “a todos os internos e ao pessoal de apoio do bloco ES3” - que tanto pode ser entendido como bloco de campo de concentração, de hospital psiquiátrico ou de alojamento universitário.

Vista como uma das maiores dramaturgas do final do século 20 na Inglaterra, Sarah se caracteriza pela profundidade psicológica de seus personagens e pelas imagens agressivas e chocantes – prato cheio para performances. Como genialidade e loucura andam lado a lado, a autora não resistiu a uma crise de depressão e suicidou-se no banheiro do hospital onde estava internada.

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