Perito diz que miliciano foi baleado a pelo menos 1,5m

Publicação: 2020-02-15 00:00:00
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Salvador (AE) - O miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância, e chegou ao Instituto Médico-Legal de Alagoinhas, a pouco mais de 135 quilômetros de distância de Salvador, com os dois pulmões destruídos e o coração dilacerado. Os detalhes foram divulgados na tarde de ontem, na sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), em Salvador.

Pela primeira vez depois da morte de Adriano, o responsável pela autópsia do corpo, Alexandre Silva, perito médico legista, deu detalhes sobre o estado do miliciano. A entrevista coletiva reuniu, também, o diretor do IML, Mário Câmara, e Elson Jefferson Neves da Silva, diretor geral do DPT-BA.

"Eram dois disparos de arma de fogo", explicou Silva. "Teve um primeiro, que passou por baixo do peito, saiu rasgando o pescoço e entrou na submandibular. Eu encontrei o projétil na região do pescoço. O segundo foi na região da clavícula. Esse aqui entrou e saiu nas escápulas. Essas foram as lesões provocadas por armas de fogo."

Os tiros foram de fuzil, determinou a autópsia, mas o calibre ainda não foi determinado. O laudo parcial divulgado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) ainda aponta seis fraturas nas costelas.

Os peritos negaram, diversas vezes, que o disparo tenha ocorrido numa distância de menos de um metro e meio. "Se você pega um fuzil calibre 762, por exemplo, bota perto da mandíbula, vai ter mandíbula para tudo que é lugar", afirmou Mario. Logo depois, comparou: "Assistam ao assassinato de John Kennedy, explodiu a cabeça dele, isso o sujeito [O ASSASSINO]lá longe".

Não se sabe quanto tempo, exatamente, Adriano ainda conseguiu sobreviver depois dos disparos. Mas os peritos acreditam que tenha sido de 10 a 15 minutos. "É por isso que muitos policiais atiram até derrubar. O cérebro continua vivo", tentou justificar Câmara. Depois, o corpo do miliciano foi levado para o IML de Alagoinhas, a 72 quilômetros de Esplanada. A liberação aconteceu no dia seguinte, e não se sabe, depois da retirada pela família, onde ele está. É o que afirmou a SSP-BA ao Estado. A família tentou autorização para cremar o corpo, mas a Justiça negou, na última terça (12).

Os peritos evitaram calcular a distância exata do tiro. Disseram que é "impossível" estimar a distância, exceto se conseguirem recuperar a arma que fez o disparo.






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