Pernambucanos compram a Guanabara

Publicação: 2011-12-13 00:00:00 | Comentários: 6
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Andrielle Mendes - Repórter

A Guanabara, uma das maiores empresas de ônibus do Rio Grande do Norte, passou a ser controlada pela Empresa Metropolitana (EME). A negociação, que teve início em agosto de 2010, foi fechada a três meses da primeira licitação para transporte público de Natal, discutida desde 2003. A venda foi confirmada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município do Natal (Seturn). O valor da operação, porém, não foi divulgado. A EME, com sede em   Pernambuco, detém agora 70% da Guanabara.
Júnior SantosA renovação da frota deve ser um dos ganhos com o negócioA renovação da frota deve ser um dos ganhos com o negócio

A equipe de reportagem entrou em contato com os antigos donos Fernando Queiroz e João Carlos Queiroz para saber os detalhes da transação e o que mudaria com a venda, mas Fernando não atendeu as ligações e João Carlos disse que não podia comentar o assunto. A família de Olinto Gomes, antigo controlador, se torna sócia no negócio, com 30% da participação. Segundo o Seturn, a Empresa Metropolitana, também estaria interessada em comprar outras empresas de ônibus em Natal. A equipe entrou em contato com a empresa para confirmar o interesse, mas o diretor executivo estava viajando e não pôde responder.

O Seturn esclareceu que, com a saída de Fernando e João Carlos Queiroz do negócio, a gestão da Guanabara será substituída. “Os funcionários, porém, permanecem”, tranquiliza Augusto Maranhão, diretor de comunicação do sindicato. A venda, segundo ele, não se trata de uma questão pontual. “O sistema de transporte coletivo vem capengando. Os custos de operação das empresas que atuam em Natal subiram em até 60%”.  Isso porque o número de viagens diárias  caiu de 10 para seis, com os engarrafamentos, reduzindo o número de pessoas transportadas e, consequentemente, a receita. “Desta forma, fechar a conta no final do mês está cada vez muito difícil”. Segundo ele, o fato dos usuários bancarem a gratuidade dos ônibus e da Prefeitura não subsidiar a viagem dos não pagantes está levando o sistema a bancarrota. “Hoje foi a Guanabara. Amanhã será outra”. Outras empresas de ônibus municipais e intermunicipais já foram vendidas. Entre elas, a extinta Pirangi, vendida em 2002, ao grupo carioca Coesa, e a Trampolim da Vitória, que teve 70% de sua participação vendida em março de 2010, ao também pernambucano Itamaracá.

“As empresas potiguares estão com os dias contados. Não há a mínima condição de se manter, em razão dos prejuízos acumulados. Desta vez, foi a  Guanabara. Cidade do Natal, Transflor, Nossa Senhora da Conceição e Rio Grandense podem ser as próximas”.

A dificuldade em ‘fechar a conta’ não seria de hoje, segundo ele. Sem capital para renovar a frota, as empresas locais temem ficar fora da licitação, prevista para março de 2012. “Talvez não consigamos nos adequar”, preocupa-se. Segundo ele, um dos critérios é que a frota tenha idade máxima de 3,5 anos, média nacional. Os ônibus que circulam em Natal tem em média 5 anos – 1,5 anos a mais que o recomendado.

“Como as empresas não têm condição de renovar a frota, estão vendendo ou se associando a grupos mais fortes. A tendência no mercado natalense será essa”, afirma Augusto Maranhão. Para ele, a venda de parte da Guanabara para a EME será benéfica. “A frota da Guanabara será renovada. Outras empresas tentarão acompanhar estas mudanças, se não serão abatidas”. Segundo o Seturn, o RN conta com 21 empresas de ônibus, entre municipais, metropolitanas e intermunicipais. Só em Natal, circulam 750 ônibus. Eles transportam por dia meio milhão de pessoas.

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Comentários

  • andersonPDS39

    Os usuarios do transporte plublíco d natal so tem a ganhar com a empresa metropolitana atuando a nessa regiao no recife tem uma frota moderna

  • vmpeixoto

    Tomara que agora saia logo a linha de São Gonçalo para a zona sul, pois essa empresa ganaciosa estava empatando a Trampolim de fazer isso. vai ver que esses espertinhos achavam bonito o povo são gonçalense pagar duas passagens para irem à zona sul. È um absurdo o centro de São Gonçalo, onde terá o Aeroporto anunciado aos quatro cantos, não ter uma linha para a zona sul!

  • maxhist

    Como é que se pode ter prejuízo? Façamos as contas: 6 viagens diárias, por ônibus transportam em média 300 passageiros, sendo 180 inteiras a R$ 2,00, total de R$ 360,00 mais R$ 120,00 (estudantes), total por ônibus e por dia é igual a R$ 480,00. Tendo 3 ônibus por linha, totaliza R$ 1.440,00 por dia. Multiplicando por 30 dias teremos 43.200,00 somente uma linha de ônibus fatura no mínimo isso. Os custos não ultrapassam os 40% desse valor apurado. LUCRO MÊS: 25.920,00 POR CADA LINHA DE ÔNIBUS. Quantas linhas de ônibus essas empresas tem cada uma???

  • carlosalfredo45201042

    Esse desesparo do sr. maranhão denota quanto às empresas do segmento a que ele pertence não se profissionalizaram, continuam sendo administradas com o estômago,à reboque de subsídios do governo, como sempre fizeram, e, hoje, que o panorama é outro, essas empresas tendem a sucumbirem, não é que dá prejuizo; diminuiram os lucros, e isso lhes fere mortalmente, é bem mais fácil ir lá na prefeitura chorar e pegar a grana todo mês como de costume, então pra quê investir,? pra quê concorrencia? haja subsídio.

  • jose.marciojm

    jornal

  • silvajanne

    Espero que esse novo grupo traga o desenvolvimento para o meio de transporte urbano em Natal,pois os trabalhadores não aguentam mais andarem como sardinhas de rodas.