Pescado continua em análise sobre contaminação

Publicação: 2019-11-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

A quantidade de amostras coletadas no litoral do Rio Grande do Norte são insuficientes para assegurar que o pescado potiguar está livre de contaminação: apenas dois peixes e uma lagosta recolhidos no Estado, entre os dias 29 e 30 de outubro em estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), foram analisados pelo Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais da PUC/RJ a pedido do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Essa constatação vai de encontro à informação divulgada na última segunda-feira (11) pelo órgão federal, e acende o alerta sobre a afirmação de que “o produto está próprio para o consumo humano”.

Óleo derramado na costa do litoral brasileiro é petróleo cru e ameaça espécies que vivem no mar como os peixes e crustáceos
Óleo derramado na costa do litoral brasileiro é petróleo cru e ameaça espécies que vivem no mar como os peixes e crustáceos

Membros integrantes do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), grupo colegiado que reúne representantes de diversas pastas do Governo do RN, da Marinha do Brasil, do Ibama, do Ministério Público Federal e de entidades da sociedade civil, defendem que as análises sejam ampliadas e que considerem organismos presentes em toda a cadeia trófica da fauna marinha costeira.

“Embora o relatório apresentado tenha sido elaborado por um laboratório reconhecido, referência na análise de HPA (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos que indicam se há contaminação por derivados de petróleo), e os resultados sejam confiáveis, as amostras analisadas não são significativas: a análise de apenas três indivíduos não pode representar toda a diversidade de praias, e toda a biota possivelmente atingida, em uma costa de 410 km. Foi uma avaliação preliminar, e só com uma investigação mais detalhada será possível ter resultados consistentes em relação à segurança alimentar”, esclareceu a bióloga marinha Liana Mendes, professora do Departamento de Ecologia da UFRN e co-fundadora da Ong Ocêanica.

Liana é uma das integrantes o GGI, grupo mobilizado pelo Executivo e sob coordenação da Defesa Civil Estadual para mitigar efeitos e dar respostas aos impactos provocados pelo óleo cru que mancha as praias do RN desde o início de setembro.

A bióloga marinha destacou ainda que avaliações iniciais precisam abranger não só a diversidade dos organismos, como também a diferença dos hábitos de alimentação e da posição na coluna de água. “Organismos diferentes exploram o ambiente de forma diferente, e o traço do agente contaminante pode ser evidenciado em uma ou outra categoria. O petróleo cru tem o poder de bioacumulação, e afeta desde organismos pequenos, que passam para os intermediários (através da cadeia trófica) e podem chegar até os peixes maiores, que são os mais consumidos”.

Liana Mendes acredita que o monitoramento da saúde da fauna marinha no litoral do RN deve ser feito “por pelo menos dois anos, e que as avaliações sejam repetidas a cada mês ou a cada dois meses. Os intervalos precisam ser bem curtos por conta dessa questão da bioacumulação do contaminante, risco que justifica a necessidade de se avaliar categorias diversas, como a dos filtradores (ostras, sururus e mariscos); crustáceos (lagostas, camarões e caranguejos); e peixes”.

As amostras avaliadas pelo laboratório no Rio de Janeiro foram coletadas na Bahia, no Ceará, Pernambuco e RN. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) garantiu que amostras continuam sendo coletadas e analisadas.





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