Pesquisa calcula concentração de plástico no Atlântico Sul

Publicação: 2018-10-11 00:00:00 | Comentários: 0
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De maneira invisível e silenciosa, pequenas partículas de plástico estão poluindo os oceanos, ameaçando espécies marinhas e até a saúde humana, de acordo com estudos científicos. Os chamados “microplásticos” são alvo de um estudo do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com suporte da Marinha do Brasil. A pesquisa começou em 13 de setembro no Rio de Janeiro e será finalizada em 05 de dezembro, em Fortaleza. Em 2019, serão apresentados os primeiros resultados em artigos científicos. 

Segundo o pesquisador Leonardo Bruto o objetivo da pesquisa é quantificar os microplásticos localicados na costa brasileira
Segundo o pesquisador Leonardo Bruto o objetivo da pesquisa é quantificar os microplásticos localicados na costa brasileira

No navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, pesquisadores tem coletado dados no Atlântico Sul para a produção de informações ambientais (oceanográficas e meteorológicas) em apoio ao Projeto PIRATA (Prediction and Research Moored Array in the Tropical Atlantic).

“Nossa vida é rodeada de plástico, só que muitas vezes não existe o destino correto. Quando não é feita uma coleta seletiva, ele acaba sendo degrado no meio ambiente e isso acaba sendo transportado para os rios e também levado para os mares”, alertou o pesquisador da UFPE, Leonardo Bruto.

Pioneira no Brasil, a pesquisa consiste em coleta de microplásticos com rede de arrasto, permitindo estudar mais detalhadamente a concentração no oceano dessas pequenas partículas de plástico (menor que 5 mm) oriundas da fragmentação de plásticos descartados inadequadamente. Doutor em Oceanografia pela UFPE, o pesquisador Leonardo Bruto  disse que o objetivo da pesquisa é quantificar os microplásticos localizados não só na costa brasileira, mas também em locais mais afastados das praias.

Estudos científicos anteriores concluíram que os microplásticos encontrados no oceano funcionam como “esponjas” de contaminantes químicos altamente nocivos e podem causar disfunções hormonais e reprodutivas nos animais marinhos que os ingerem e, consequentemente, em humanos, visto que se propaga ao longo da teia trófica marinha, chegando à mesa dos nossos lares.

Centenas de espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e outras, estão sendo ameaças pela  ingestão do lixo que se acumula no mar em forma de microplásticos, sem que até o momento se saiba a fundo suas causas e consequências. Os últimos estudos apontam que até 529 espécies selvagens já foram afetadas pelos resíduos, um risco mortal que se soma aos outros já enfrentados por dezenas delas em perigo de extinção.

O pesquisador Leonardo Bruto, que está em Natal para participar de mais uma etapa do projeto disse que as pequenas partículas acabam servindo, de maneira indireta, para alimentar os animais marinhos. “Na medida que eles vão comendo os plânctons, que são organismos pequenos, acaba ingerindo também esses pedaços menores do que 5 milímetros de plásticos”, disse o pesquisador, informando que a pesquisa sobre microplástico entrará no calendário anual do  Projeto PIRATA.

Para os cientistas, é preciso estudar mais a fundo a distribuição desses resíduos a nível global, por mais que se movam de um lado a outro, e o processo de acumulação de lixo, ao qual contribuem a pesca e a aquicultura quando seus equipamentos de plástico acabam perdidos ou abandonados nos oceanos.

O navio
Construído há cerca de três anos na China, o navio Vital de Oliveira é de nacionalidade brasileira e serve a Marinha do Brasil. O navio é responsável pelo suporte logístico a pesquisas científicas. A comissão saiu do Rio de Janeiro em 13 de setembro, atracou em Maceió de 23 a 28 de setembro, ficará de 09 a 16 de outubro em Natal (aberto a visitação de 13 a 14 das 14h às 17h) e seguirá para Fortaleza.

O Capitão de Corveta Douglas Luiz falou sobre o estudo em destaque, que é pioneiro no país. “A principal pesquisa desenvolvida aqui é voltada para coleta de microplásticos na superfície do oceano. O navio possui uma rede que é lançada da popa, e esse equipamento faz uma espécie de arrasto que retira resíduos plásticos do mar através de um processo de filtragem. Uma das ideias, além de quantificar a poluição, é eliminar esses pequenos materiais que afeta a cadeia alimentar aquática e consequentemente o homem", disse.

De acordo com o capitão, o navio  tem 78 metros de comprimento e pesa em torno de 4,2 toneladas. A tripulação de 116 tripulantes conta com 90 militares e outras 26 pessoas, entre cientistas e equipes de apoio. Além da principal linha de pesquisa que é realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o navio tem a capacidade coletar dados da atmosfera, oceano, solo e subsolo marinho.

O navio conta com três laboratórios de pesquisa e monitoramento, convés de voo onde fica o heliporto, sala de máquinas, estação de rádio, cabine de comando, dormitórios e refeitórios para a tripulação, pequenas embarcações que podem ser lançadas ao mar e guindastes.

Além da UFPE, universidades do Rio de Janeiro e do Ceará também estão envolvidas no projeto. O financiamento é feito pela própria Marinha, mas recebe apoio de empresas como a Vale e Petrobras e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).




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