Pesquisa sobre Covid encontra barreiras no RN

Publicação: 2020-05-16 00:00:00
Tales Lobo 
Repórter

A Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, desenvolveu uma pesquisa para avaliar a propagação do novo coronavírus no Brasil. O estudo pretende coletar dados de moradores de 133 municípios brasileiros para a realização de testes rápidos para o vírus. Os pesquisadores, porém, relatam resistência das autoridades e da população que é procurada para responder um questionário através de uma entrevista. No Rio Grande do Norte, três cidades estão na lista: Natal, Mossoró e Caicó. A população desses municípios, entretanto, não foi informada pelos representantes do Governo do Estado a respeito da pesquisa e não respondem aos pesquisadores temendo a aplicação de golpes e já chegaram a acionar a Polícia em alguns casos. 

Créditos: Adriano AbreuPesquisa quer identificar população que adquiriu anticorpos ao novo coronavírus em 3 cidadesPesquisa quer identificar população que adquiriu anticorpos ao novo coronavírus em 3 cidades


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O reitor da Universidade de Pelotas, Pedro Hallal, ressaltou a importância da pesquisa. “Trata-se da maior pesquisa populacional do Brasil, e talvez do mundo, sobre o coronavírus. Com os dados da pesquisa, teremos um raio-X detalhado da Covid-19. A pesquisa identificará o percentual da população com anticorpos (ou seja, já teve infecção pelo vírus) e a velocidade de expansão do vírus no país” afirmou.

De acordo com o Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas, o estudo irá estimar a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19. Além disso, será analisada a evolução de casos na população brasileira, por meio da amostragem de participantes. A pesquisa foi aprovada pelo Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e é financiada com recursos do Ministério da Saúde. 

Iniciada na quinta-feira, 14, a primeira coleta irá até este sábado, 16. O processo será repetido em 15 e 30 dias. Segundo os pesquisadores, as pessoas serão entrevistadas e testadas em casa, por meio de um sorteio aleatório, utilizando os setores censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como base. Agentes da Ibope Inteligência realizarão a coleta das amostras de sangue (uma gota) da ponta do dedo do participante, que será analisada pelo aparelho de teste em aproximadamente 15 minutos.

Mesmo com a fundamental importância da pesquisa, em algumas cidades, os pesquisadores têm tido dificuldades com a população e com autoridades. “A maioria dos problemas estão relacionados a falhas na comunicação entre o Ministério da Saúde e as Prefeituras e suas Secretarias de Saúde. Mas os problemas estão sendo equacionados e as equipes estão trabalhando normalmente na maioria das cidades (cerca de 90). O trabalho de campo, dessa primeira fase da pesquisa, ocorrerá até o início da semana que vem”, ressaltou Pedro Hallal.

Pesquisa estagnada no RN
De acordo com a diretora de contas do Ibope, Patrícia Pavanelli, a coleta de dados chegou a ser iniciada nos municípios do Rio Grande do Norte, mas encontrou barreiras pela falta de comunicação e divulgação da pesquisa. Em alguns casos, populares chegaram a chamar a Polícia acreditando que se tratava de um estudo falso. Por conta disso, o Instituto aguarda autorização das Secretarias Municipais de Saúde para retomar a pesquisa.

“Nós começamos a pesquisa nos três municípios; Natal Mossoró e Caicó. A gente recebeu autorização da Secretaria em Caicó, mas como houveram algumas denúncias achando que a pesquisa era falsa, há um receio de como essa equipe seria recebida. Então o estudo está estagnado. Em Mossoró a equipe desistiu por medo de ser hostilizada. Em Natal, duas entrevistadoras nossas foram levadas para a Delegacia. A gente ficou inseguro e aguarda uma liberação formal da secretaria”, comentou Patrícia Pavanelli.