Petróleo: herói e vilão

Publicação: 2021-03-04 00:00:00
Alcyr Veras
Economista e professor universitário

Por mais adjetivação negativa que se queira atribuir ao Petróleo, como sendo uma fonte de energia superada e poluidora, ele continua sendo o mais valorizado  “ouro negro” que alavanca toda a economia do planeta.

Não tem como esconder a realidade.  O petróleo e seus derivados, como fonte de energia, movimentam atualmente, no mundo inteiro, todos os tipos de transportes:  terrestres, aéreos e marítimos.  Além de alimentar geradores estratégicos para redes hospitalares, fábricas, usinas, laboratórios de pesquisas, bem como outras finalidades em casos fortuitos de apagões.

É claro que a humanidade em seu processo de evolução natural, como já aconteceu em vários campos de atividades, está sempre buscando, incessantemente, novas fontes de energias alternativas, do tipo renovável, para substituir o petróleo, tais como:  foto voltaica (solar) e eólica.

Sem nenhuma intenção de fazer apologia a esse chamado “ouro negro”, a verdade é que o petróleo, em determinados momentos, bancou o herói e, em outros, o vilão, na medida em que provocou guerras, mas também promoveu alianças entre países.  Sem petróleo suficiente, nas décadas de sessenta e setenta, para manter o crescimento da economia norte-americana, os Estados Unidos aliaram-se aos países do Oriente Médio, estabelecendo bases militares na Arábia Saudita e porta-aviões no Golfo Pérsico para barrar as investidas do Irã. Para manter o controle do preço do barril de petróleo, incentivaram a criação da OPEP – Organização dos Países Produtores de Petróleo.

Entretanto, o caso mais curioso é que, num primeiro momento, os Estados Unidos se aliaram ao Iraque na guerra contra o Irã.  Depois, se aliaram ao Kwait (um dos maiores produtores de petróleo do mundo) para derrotar o próprio Iraque (seu ex-aliado).

Não sabendo o que fazer com tanto dinheiro do petróleo, os Sheiks árabes começaram a cometer extravagâncias:  construíram uma cidade-país no meio do deserto (Dubai) e compraram o clube francês París Saint-German, mesmo sem eles nada entenderem de futebol!

Voltando, agora, nosso olhar para o Brasil.  Em 1953, o então Presidente Getúlio Vargas criou a PETROBRÁS, sob a égide da manifestação de um movimento popular que tinha como slogan:  “o petróleo é nosso”.

Hoje, 75% dos transportes de cargas no Brasil são feitos por rodovias (estradas).  O transporte de passageiros chega quase a 90%.  Ao todo, são 1.564 mil quilômetros de malha rodoviária.  Existem, atualmente, mais de 700 mil transportadoras rodoviárias.  São quase dois milhões de veículos de transportes de cargas em circulação.  

Porém, uma observação muito preocupante.  Apenas 13,7% das estradas brasileiras são pavimentadas.

Mesmo com um lucro bruto de 59,9 bilhões de reais, no último trimestre do ano passado (2020), a PETROBRÁS diz que não é possível baixar os preços dos combustíveis.  É óbvio que precisa pagar dividendos aos acionistas e reservas para investimentos.  O problema maior não é a matriz dos custos dos combustíveis, mas a logística que impõe o percurso de grandes distâncias entre a origem e o destino das cargas.

O custo do transporte rodoviário (frete) é muito mais caro do que o custo por via ferroviária.  Se o Brasil tivesse apoiado a iniciativa do empresário idealista Barão de Mauá, pioneiro das construções das ferrovias Santos-Jundiaí e Madeira-Mamoré, no século dezenove, talvez a nossa realidade de hoje fosse muito diferente, operando com custos de transportes muito mais baixos. 





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