Petróleo no RN espera 'revitalização'

Publicação: 2017-05-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Repórter

Há cerca de 40 anos em exploração, os campos de petróleo da Bacia Potiguar já não produzem mais como outrora. Alguns deles, chamados de maduros, chegaram a ser colocados à venda pela Petrobras  num processo de desinvestimento que contempla não somente o Rio Grande do Norte, mas também  campos selecionados na Bahia e Espírito Santo, por exemplo.  O processo, porém, está suspenso. Mas a Petrobras afirmou, na semana passada, que pode ser retomado no futuro. Em meio a esse cenário, há investidas em curso para que empresas independentes possam revitalizar os campos, mas ainda há, também, incertezas relacionadas a como seria essa retomada.

O Rio Grande do Norte é um dos maiores produtores de petróleo em terra do país, mas parte dos campos tem produtividade reduzida
O Rio Grande do Norte é um dos maiores produtores de petróleo em terra do país, mas parte dos campos tem produtividade reduzida

Pequenas empresas de exploração de petróleo independentes passaram a enxergar os campos maduros como possíveis fontes de bons negócios com consequente abertura de um mercado consumidor específico. As incertezas que rondam os executivos dessas empresas vão desde o quantitativo de óleo a ser explorado, a oscilação do preço do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional, quanto será gasto para produzir cada metro cúbico, se as licenças ambientais para produção e exploração serão expedidas num curto intervalo de tempo. Há, também, o agravante político gerado pela Operação Lava Jato e as delações premiadas do Frigorífico JBS, envolvendo o presidente Michel Temer, que podem travar investimentos nessa e em outras áreas importantes da indústria brasileira.

“A gente confia na produção desses campos. A gente acredita que conseguirá reverter o valor investido na aquisição em lucro. Mas ainda dependemos de um processo de análise que embasará o início da produção”, diz o empresário Caetano Machado. Ele é proprietário da empresa Ubuntu Engenharia e Serviços, que arrematou o campo Urutau, na região de Areia Branca, em leilão de campos maduros realizado há pouco mais de uma semana pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A empresa ofereceu bônus de assinatura de R$ 111,1 mil. O preço sofreu ágio de 58,59%. O valor mínimo estabelecido pela ANP era de aproximadamente R$ 70 mil e o investimento mínimo estipulado, de R$ 700 mil. A empresa foi a única a disputar a área.

Para o secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás Natural (ABPIP), Anabal Santos Júnior, o Brasil passou a seguir uma tendência mundial quando abriu os campos maduros para negociação com empresas privadas. “Recentemente, houve  a quarta rodada dos campos devolvidos (pela Petrobras) e que estão em posse da ANP e foi um sucesso. Foram 100% vendidos com ágio de mais de 1.000% dos valores iniciais propostos. Historicamente, as empresas independentes sempre tiveram interesse e estavam com muita ansiedade esperando esse processo de venda de campos terrestres”, disse. Há quase duas semanas, no primeiro leilão de campos maduros, três unidades potiguares foram colocadas à venda. Duas arrematadas e uma não recebeu proposta. 

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