Petrobras arremata um lote e salva novo leilão da ANP

Publicação: 2019-11-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Assim como na quarta-feira, 6, a Petrobras salvou o leilão de áreas de pré-sal do governo realizado nesta quinta-feira, 7. A estatal levou uma única área em sociedade com a estatal chinesa CNODC. O bloco de Aram, arrematado pelas duas companhias, é o mais nobre entre os cinco ofertados na 6ª Rodada de Partilha.

Dos cinco blocos exploratórios oferecidos na rodada, somente um foi arrematado pela Petrobras, que pagará R$ 5,5 bilhões à União
Dos cinco blocos exploratórios oferecidos na rodada, somente um foi arrematado pela Petrobras, que pagará R$ 5,5 bilhões à União

No passado, a área chegou a ser arrematada pela italiana Eni com ágio recorde, mas acabou sendo devolvido à União porque a petroleira não teve cacife para fazer frente à promessa de bônus oferecida ao governo.

Ao todo, o governo arrecadou R$ 5,5 bilhões de bônus de assinatura na licitação desta quinta-feira, com o bloco de Aram. O governo estimava arrecadar R$ 7,8 bilhões no certame. O investimento previsto é de R$ 278 milhões. Não foi oferecido ágio sobre o porcentual mínimo de repasse da produção de óleo à União.

O resultado contrariou as expectativas do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e também do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone.

O ministro disse que a licitação seria mais competitiva, enquanto Oddone deu o sucesso como certo.

Mas, ao contrário do esperado, até mesmo as áreas pelas quais a Petrobras informou ter interesse de comprar e obter participação mínima de 30%, como permite a lei, ficaram sem ofertas. Foi assim com o bloco Sudoeste de Sagitário na Bacia de Santos, o mais barato da concorrência, e Norte de Brava, na Bacia de Campos.

Também na 6ª Rodada as grandes petroleiras estrangeiras se ausentaram. A exceção foi a chinesa CNODC, que, na quarta-feira, firmou-se como sócia da estatal no campo de Búzios, no megaleilão da cessão onerosa.

A leitura de Oddone é que “acabou o ciclo de leilões bilionários". O argumento é que as companhias acumularam muitos ativos nas últimas licitações e que está na hora de explorar e investir no que foi vendido no passado.

A ANP habilitou 13 empresas para a concorrência, entre multinacionais e brasileiras: BP (Inglaterra); Chevron (EUA); CNODC (China); CNOOC (China); Ecopetrol (Colômbia), ExxonMobil (EUA); Murphy (EUA), Petrobras (Brasil), Petronas (Malásia), QPI (Catar), Repsol Sinopec (Espanha-China), Shell (Inglaterra-Holanda) e Wintershall (Alemanha).

Surpresa e críticas
“Estou surpreso sim", disse o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, sobre o resultado da 6ª Rodada de partilha do pré-sal. Já o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que não foi de bom senso da Petrobras informar que gostaria de levar três áreas e arrematar apenas uma.

Como consequência, a mudança do regime de leilão passa a ser cada vez mais uma realidade, acrescentou o ministro. “Petrobras reduz a competitividade do certame. Já manifestamos essa visão ao Congresso Nacional", acrescentou o ministro.

A ideia é manter a partilha, porém, tirar o direito de preferência da Petrobras de ser operadora dos projetos, com participação mínima de 30%, segundo a secretária de Petróleo e Gás do MME, Renata Isfer.

“Queria que o leilão tivesse tido mais competitividade. Fui surpreendido pelo fato de a Petrobras não ter exercido seu direito de preferência em três áreas? Sim", reforçou o diretor-geral da ANP.

A avaliação de Oddone é que desde 2017 as companhias vêm recompondo seu portfólio e que o momento é de explorar e investir. “Tivemos um boom de interesse no pré-sal. Estamos saindo da maior crise para a maior aceleração que essa indústria já viveu. Isso não muda. Já estamos começando a ver a mudança de prioridades das petroleiras", afirmou.

Apesar de demonstrarem surpresa com o resultado do leilão, Albuquerque e Décio argumentaram que o somatório das licitações neste ano é positivo. Ao todo, o governo arrecadou R$ 85 bilhões nas rodadas realizadas ao longo de 2019.

As áreas que não foram arrematadas nesta quinta-feira vão ser leiloadas novamente no futuro, "em breve", segundo o ministro.







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