Petrobras demonstra interesse em agilizar acesso à UPGN de Guamaré

Publicação: 2020-10-29 00:00:00
Cláudio Oliveira
Repórter

Em reunião ocorrida na última terça-feira (27), sob a coordenação do Diretor Geral Interino da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Raphael Moura, e do Governo do Estado do Rio Grande do Norte,  representado pela diretora presidente da Potigás, Larissa Dantas, a Petrobras demonstrou interesse em agilizar a liberação do acesso dos produtores Independentes do combustível à  Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) de Guamaré, mas ponderou que existem cerca de 20 pontos de medição, com diferentes necessidades de adequações internas e externas, e que seriam necessárias obras para tais adequações.

Créditos: Junior Santos/Arquivo TNFalta de acesso dos produtores à Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré impede a negociação direta com a PotigásFalta de acesso dos produtores à Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré impede a negociação direta com a Potigás

Os produtores adquiriram os campos maduros de produção de petróleo e gás natural em terra vendidos pela estatal em seu processo de desinvestimento e a liberação do acesso está prevista no acordo firmado entre a estatal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para abertura do mercado de gás. A expansão da produção em 170,27% com consequente barateamento do produto em até 30% depende disso. Caso contrário, é provável que ocorra a estagnação do ramo. Os campos maduros adquiridos por novos produtores no Rio Grande do Norte estão integrados à malha existente da Petrobras e a falta do acesso à infraestrutura impede a negociação do gás natural diretamente com a Potigás.

O grupo representante da Petrobras, composto por 12 técnicos,  afirmou que um alinhamento técnico será feito com a ANP acerca das adequações mapeadas para esses sistemas de medição. O direito ao acesso à UPGN de Guamaré já estava garantido, mas a Petrobras anunciou recentemente a necessidade de 17 novas intervenções que levariam 18 meses para serem realizadas, fato que preocupa as autoridades do Estado e os produtores.

Atualmente, grande parte do volume de gás natural processado pela Petrobras na UPGN de Guamaré é adquirido pela Potigás. De janeiro a setembro deste ano, a média do volume comercializado pela companhia potiguar foi de 197.879 metros cúbicos/dia. Na carteira de clientes ativos da empresa existem 28.245 empresas, condomínios residenciais, restaurantes, pousadas, hotéis e demais empreendimentos que utilizam o gás natural encanado para abastecer cozinhas e chuveiros elétricos, prioritariamente.

O destravamento desse acesso deve gerar um aumento imediato na produção de gás nos poços já desinvestidos, aumentando a produção e gerando grandes impactos na arrecadação, com royalties e tributos, beneficiando toda a cadeia produtora e o Estado do Rio Grande do Norte e, por isso, os produtores e o Governo consideram um risco esperar mais de um ano. “A gente se preocupa com os prazos que podem ser demorados, mas entende e agradece a Petrobras pela colaboração", declarou a diretora presidente da Potigás, Larissa Dantas.

Ela destacou que durante essa transição e também após, a expertise da Petrobras será necessária para o funcionamento e operação do novo mercado de gás. "Então, esse é um momento de união. A estatal irá adequar a UPGN para o próximo operador e também para que a gente tenha mais autonomia”, enfatizou.

A Petrobras deverá responder um ofício da ANP até a próxima segunda-feira (2) com as informações solicitadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Depois dessa resposta, será marcada uma nova reunião para discutir as questões colocadas pela Petrobras e dar continuidade ao trabalho para agilizar a liberação do acesso à UPGN de Guamaré.

A reunião dessa terça-feira foi a segunda realizada em outubro sobre o tema único do acesso à unidade de processamento de Guamaré, entre o Governo do Estado e a Petrobras, com mediação da ANP. Além dessas duas, outros encontros foram realizados com a estatal para discutir temas que estão sendo tratados sob a coordenação do Secretário de Planejamento do Estado, Aldemir Freire.

A Potigás e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) trabalham há mais de um ano com foco no Novo Mercado de Gás, que objetiva a formação de um mercado aberto, dinâmico e competitivo. O Estado construiu, em conjunto, alternativas para o fornecimento do gás natural de modo a viabilizar a comercialização e fornecimento por parte dos produtores aos grandes consumidores, permitindo ampliar a distribuição para outros segmentos de atuação da Potigás. A liberação da Unidade de Processamento de Gás Natural por parte da Petrobras é considerada fundamental para a efetiva realização dessas ações.

Petrobras fecha 3º trimestre com perda de R$ 1,5bi
O cenário na indústria do petróleo melhorou, mas não o suficiente para evitar que a Petrobras registrasse prejuízo de R$ 1,54 bilhões no terceiro trimestre deste ano. De julho a setembro, o preço do petróleo no mercado internacional e a produção da petrolífera estatal subiram. O consumo interno também deu sinais de recuperação e, cada vez mais, as refinarias brasileiras são acionadas para produzir derivados, como gasolina e óleo diesel, e substituir importações.

Despesas financeiras inesperadas, que não acontecem com frequência, no entanto, não ajudaram, o que levou a petrolífera estatal a fechar o terceiro trimestre consecutivo do ano com resultado negativo. A perda bilionária do período, porém, é 43% menor do que a do trimestre anterior, de R$ 2,7 bilhões. No período de abril a junho, suas contas tinham sido fortemente afetadas pelas quedas bruscas da cotação da commodity e da demanda por combustíveis, por conta da pandemia de covid-19. Essas dificuldades já não pesam tanto no caixa da companhia.

O que prejudicou de fato dessa vez foi a adesão a programas de anistia tributária e um prêmio pago na recompra de títulos, o que custou R$ 4,7 bilhões. Não fosse isso, o lucro líquido teria sido de R$ 3,2 bilhões e a geração de caixa de R$ 37,3 bilhões.

"A rápida resposta à recessão global está começando a dar resultados", afirmou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, na carta de apresentação do resultado financeiro aos investidores. Ele acrescentou, contudo, que "há desafios difíceis à frente" e que a ideia continua a ser "maximizar valor e não produção".  (AE)