Petrobras requer licença para para instalar torre eólica no litoral do RN

Publicação: 2019-12-05 00:00:00
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) determinou a a realização de estudos ambientais para medir o impacto da instalação de torres de geração de energia eólica na costa litorânea potiguar. A determinação, data de 4 outubro deste ano e foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). No documento, consta que a Petrobras requereu ao Ibama, as Licenças Prévia e de Instalação para a implementação da Planta Piloto de Geração de Eólica OffShore, a cerca de 20km da costa de Guamaré, no Campo de Ubarana. Esse foi o primeiro campo descoberto pela Petrobras no Rio Grande do Norte e está em operação desde 1976.

Créditos: .Documento publicizando o pedido é datado de outubro de 2019 e pouco detalha o projeto da estatalDocumento publicizando o pedido é datado de outubro de 2019 e pouco detalha o projeto da estatal
Documento publicizando o pedido é datado de outubro de 2019 e pouco detalha o projeto da estatal

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O potencial eólico offshore (em alto mar), identificado no litoral potiguar e do Ceará é de aproximadamente 140 GW e equivale a mais de dez vezes a capacidade instalada nacional. Por causa disso, o Rio Grande do Norte recebeu a primeira planta eólica no mar instalada no Brasil. A estimativa é que a instalação de uma torre de 80 metros em plataforma demande um ano em licenças, de três a oito meses de montagem e tem uma estimativa de investimento para instalação que pode chegar a 20 milhões de euros, além do alto custo para operação e manutenção no mar. A Petrobras não detalha quanto será investido e quando o emprendimento deverá entrar em operação.

Os dados acima foram apresentados em setembro deste ano durante o Fórum Potiguar de Energias Renováveis. A apresentação coube ao pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Luciano Bezerra. Em sua palestra “Determinação do potencial eólico offshore”, Luciano Bezerra, que também trabalhou no estudo do potencial offshore do Estado para a estatal, apresentou novas tecnologias usadas, dados sobre o cálculo da potência e novas perspectivas para o setor a partir desse novo modelo.

 “O grande diferencial da eólica offshore (no mar) é a dimensão do seu potencial e capacidade de produção, dez vezes superior À capacidade instalada, atualmente, e que demanda instalações mais robustas”, disse o pesquisador.  O cálculo, explicou ele durante a palestra, usa os chamados dados de reanálises a partir de modelos de circulação de ventos, como Merra, Era-Interim e CSFR, além de novas tecnologias como a primeira torre anemométrica offshore instalada no Brasil e de LiDAR flutuante, mecanismo de medição dos ventos com sensores.  Por ser uma tecnologia ainda não usada no país, segundo Bezerra, os prazos e custos para operação ainda são altos.

Anunciado em 2018
Inédita no Brasil, a geração de energia eólica no mar começou a dar seus primeiros passos no País pelas mãos da Petrobras no ano passado. O negócio promete ser tão bem sucedido quanto a geração eólica em terra, disse o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da estatal, Nelson Silva, ao jornal O Estado de S Paulo em julho de 2018. A licitação para a instalação da planta-piloto da empresa no Rio Grande do Norte estava prevista para ocorrer ainda no ano passado e que aguardava o licenciamento do projeto no Ibama para iniciar o processo. As licenças foram requeridas somente em outubro deste ano.

Conforme a reportagem do jornal O Estado de S Paulo publicada em 24 de julho de 2018, a ideia é instalar torres de geração eólica, ou aerogeradores no jargão do setor, ao lado de plataformas em campos rasos do Nordeste, região brasileira com maior potencial para gerar energia a partir do vento. “A vantagem no offshore (no mar) é que se espera um fator de capacidade maior do que em terra", explicou Silva à época. A previsão é que a planta-piloto comece a funcionar em 2022.

O fator de capacidade do Brasil, índice que mede o grau de aproveitamento dos aerogeradores para produzir energia eólica, é um dos maiores do mundo. A vantagem da geração no mar, dizem especialistas, é que os aerogeradores, ou turbinas eólicas, podem ter capacidade maior do que os instalados em terra.

O Brasil começou a gerar energia eólica em 2005 - pouco menos do que 30 megawatts (MW). Em 2009, quando ocorreu o primeiro leilão do governo incluindo a oferta de empreendimentos eólicos, o Brasil gerava 600 MW.

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