Petrobras vende por R$ 7,98 milhões mais três campos de águas rasas no Rio Grande do Norte

Publicação: 2020-07-11 00:00:00
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Matteus Fernandes
Repórter

Por US$ 1,5 milhão (R$ 7,98 milhões na cotação atual), a Petrobras oficializou a venda de três campos de águas rasas do Polo Pescada, localizados na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, nesta quinta-feira (9). A estatal vendeu os seus 65% de participação à empresa OP Pescada Óleo e Gás Ltda., com quem dividia a operação, nos campos de Pescada, Arabaiana e Dentão. A venda é tida como positiva para a economia do Estado, tanto pela iniciativa privada como pelo poder público.

Créditos: Adriano AbreuDesde abril deste ano, a Petrobras determinou a hibernação de campos de águas rasas e terrestresDesde abril deste ano, a Petrobras determinou a hibernação de campos de águas rasas e terrestres


A quantia vai ser paga em duas parcelas: US$ 300 mil na assinatura do contrato e US$ 1,2 milhão no fechamento da transação, sem considerar os ajustes devidos. O fechamento ainda está sujeito a trâmites burocráticos, como a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O cenário de vendas de campos de petróleo e a chegada de novas empresas do setor no Rio Grande do Norte anima o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedec), Sílvio Torquato. Para o secretário, a participação de outros exploradores, além da Petrobras, traz maior competitividade, o que deve impactar positivamente na produção e na geração de empregos. Ele disse que o governo trabalha para a criação de uma refinaria em terras potiguares, por meio da iniciativa privada.

“O Rio Grande do Norte só tem a ganhar com esses campos que estão sendo repassados para as empresas. Com isso, nós teremos uma maior produção daqui para frente. O grande coroamento disso tudo vai ser quando vier para o Rio Grande do Norte uma refinaria de petróleo, que com certeza virá. O governo está empenhado em ir atrás de grupos para instalar uma refinaria privada que vá atender a demanda do petróleo produzido no Estado”, adiantou o secretário.

Levando em consideração a hibernação de plataformas potiguares de águas rasas e de campos terrestres que a Petrobras determinou em abril deste ano, a venda do Polo Pescada vai significar a volta da produção na região. Isso é o que afirma o presidente do Redepetro RN, Gutemberg Dias. A estatal fechou, há três meses, 24 plataformas no Estado, que têm capacidade de produzir 4 mil barris de óleo por dia.

Gutemberg Dias também acredita que a produção de petróleo no polo se tornará mais eficiente com a nova empresa, com base em outra experiência da iniciativa privada do setor no RN. “A gente tem um exemplo da produção no Riacho da Forquilha, que a Potiguar E&P fez crescer em 800 barris [por dia] em apenas sete meses. Então, eu acredito que nos desinvestimentos da Petrobras, como foi feito no Polo Macau, as empresas tendem a fazer investimento e aumentar a produção”, destacou.

O campo Riacho da Forquilha passou a ser operado pela empresa Potiguar E&P, em dezembro do ano passado, com a produção diária de 3700 barris. Atualmente, se produzem 4.500 barris por dia, o que representa um aumento de 21%.

A Federação das Indústrias (FIERN) também se posicionou favorável às vendas. “Cada anúncio de novos investimentos deve ser celebrado, ainda mais, quando se situa em um dos segmentos consolidados da economia potiguar, ou seja, uma aposta que tem tudo para ser vitoriosa, tanto pela riqueza natural ainda disponível, quanto por nossa expertise no ramo de petróleo e gás. A Fiern estimula que, cada vez mais, a iniciativa privada assuma novo protagonismo no ambiente da exploração e também do refino de petróleo. Todos ganham e o RN agradece”, disse Amaro Sales, presidente da Fiern.

Vendas de campos de petróleo no RN
As vendas de campos de produção de petróleo estão de acordo com as diretrizes para desinvestimentos da Petrobras para petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, previsto no decreto federal 9.355/2018.

Antes da venda do Polo Pescada, a Petrobras já havia vendido em maio deste ano a totalidade de sua participação em sete campos de produção terrestre do Polo Macau, no Rio Grande do Norte. A compra foi feita pela 3R Petroleum. A ação foi concluída com o pagamento de R$ 676,8 milhões para a estatal. A produção total de óleo e gás desses campos terrestres é de cerca de 5 mil barris de óleo por dia.

As operações, de acordo com a companhia, estão alinhadas à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital, para concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultraprofundas, onde demonstra grande diferencial competitivo.

Polo Pescada
O Polo Pescada compreende três campos de águas rasas: Pescada, Arabaiana e Dentão, localizado no estado do Rio Grande do Norte. A Petrobras era operadora dos três campos com 65% de participação e a OP Pescada Óleo e Gás Ltda. detém os 35% restantes em consórcio. A produção média do Polo Pescada de janeiro a junho de 2020 foi de aproximadamente 260 barris de óleo por dia (bpd) e 190 mil metros cúbicos de gás por dia.