PF aponta Paulinho da Força como 'idealizador' de caixa 2

Publicação: 2020-07-15 00:00:00
São Paulo (AE) - Ao representar pela deflagração da Operação Dark Side, desdobramento da Lava Jato deflagrado ontem, a Polícia Federal apontou o deputado federal Paulinho da Força como 'idealizador e beneficiário' de doações eleitorais da J&F não declaradas, configurando suposta prática de caixa 2. No documento enviado à 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, a PF detalhou os montantes supostamente pagos ao parlamentar, revelando a entrega de mais de R$ 1 milhão em espécie e repasses por meio de escritório de advocacia administrado pelo genro do deputado.

Segundo a decisão do juiz Marco Antonio Martin Vargas, que acolheu a representação da PF, as supostas doações foram detalhadas pelos delatores Joesley Batista e Demilton Antônio de Castro, do Grupo J&F. A dupla narrou que Paulinho da Força teria solicitado e recebido doações eleitorais não contabilizadas de R$1,2 milhão durante as campanhas eleitorais de 2010 e 2012.

Em 2010, na campanha ao cargo de deputado federal, Paulinho teria recebido R$ 200 mil. Já em 2012, na campanha à Prefeitura de São Paulo, teria recebido R$ 1 milhão - R$ 750 mil em espécie e R$ 250 mil, por intermédio do escritório de advocacia Vilela Silva e Gomes Advogados, administrado por Cristiano Vilela de Pinho, genro do atual deputado.

Para tanto, Paulinho da Força 'teria contado com a colaboração e auxílio material do tesoureiro do partido político Solidariedade, Jose Gaspar Ferraz de Campos, que teria intermediado e recebido fisicamente os valores em espécie', indicou a PF à Justiça.

De acordo com Vargas, a PF indicou ainda que Demilton Antônio de Castro teria realizado outros quatro pagamentos em espécie ao deputado federal - três no ano de 2012, cada um no montante de R$ 100 mil, e um no ano de 2013, no valor de R$ 200 mil, totalizando R$ 1,7 milhões para o custeio não declarado das campanhas eleitorais dos anos de 2010 e 2012.

Ao buscar provas que corroborassem os relatos dos delatores, a PF identificou, por meio de dados extraídos da conta do escritório de advocacia investigado, transferência de R$ 250 mil realizada pela J&F em 2012.

Segundo os investigadores, 'o recebimento do valor mencionado não fora devidamente declarado pelo, então, candidato, na relação de receitas e despesas registradas no Tribunal Superior Eleitoral, referentes à campanha eleitoral à Prefeitura de São Paulo no ano de 2012'. "Nesse sentido, o investigado teria declarado, tão somente, o pagamento de R$ 7.500,00 ao escritório de advocacia, a título de recolhimento de despesas", registrou a decisão de Vargas.

A Polícia Federal também disse ter identificado em relatório a remessa de R$ 269.349,50 de uma conta do escritório de advocacia Vilela Silva e Gomes Advogados para uma conta da Força Sindical, atualmente presidida por Paulinho da Força, 'havendo suspeita de desvios de recurso da referida entidade para custear a campanha eleitoral do representado'.

A Operação Dark Side fez buscas no gabinete do parlamentar, em seu apartamento funcional e ainda na sede da Força Sindical em São Paulo. Ao todo, os agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Brasília.

Em nota, a assessoria do deputado afirmou que ele “desconhece os fatos apurados e está tomando ciência da apuração pela imprensa na medida em que sequer lhe foi fornecida cópia da decisão que autorizou as buscas”. “Caso os mandados digam de fato respeito a alegado caixa dois dos anos de 2010 e 2012, a partir da delação da JBS, conforme notícias veiculadas, o deputado lamenta o ocorrido na data de hoje tendo em vista que já são passados 10 anos desde os fatos apontados”, afirmou a nota.