PF faz buscas na casa do governador do Piauí em operação contra desvios na Educação

Publicação: 2020-07-27 08:22:00
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda, 27 a terceira etapa da Operação Topique para investigar supostos desvios de recursos da Educação do Piauí por meio de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar. O principal alvo da ofensiva é a deputada federal Rejane Dias (PT), ex-secretaria de Educação do Estado e esposa do governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

Créditos: DivulgaçãoA casa do governador do Piauí (foto) e de sua primeira dama, deputada federal pelo estado, foi um dos alvos da operaçãoA casa do governador do Piauí (foto) e de sua primeira dama, deputada federal pelo estado, foi um dos alvos da operação

Agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão em Teresina (PI) e em Brasília (DF). Entre os endereços-alvo da ofensiva estão a casa do governador do Estado, Wellington Dias, o gabinete da deputada Rejane Dias, a casa de um irmão da parlamentar e ainda a Secretaria de Educação do Piauí. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal.

Segundo a PF, as atividades realizadas nesta manhã dão continuidade às investigações das operações Topique e Satélites, deflagradas em agosto de 2018 e em setembro de 2019. As ofensivas miraram crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crimes de licitação, praticados no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Piauí, indicou a PF.

Os investigadores apontam que entre 2015 e 2016, ‘agentes públicos da cúpula administrativa da Seduc se associaram a empresários do setor de locação de veículos para o desvio de, no mínimo, R$ 50 milhões de reais de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – Fundeb – e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar – PNATE’.

A Polícia Federal aponta ainda que, mesmo após duas fases ostensivas das investigações, o Governo do Piauí mantém contratos ativos com as empresas participantes do esquema criminoso que totalizam o valor de R$ 96,5 milhões, celebrados entre os anos de 2019 e 2020.

“Os recursos públicos desviados, quantificados em relatórios de auditoria da CGU, foram obtidos a partir de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar. As empresas beneficiadas, destinatárias de pagamentos em volume cada vez maior a partir de 2015, formavam um consórcio criminoso estável e estruturado, simulavam concorrência em licitações e, com participação de servidores públicos, se beneficiavam de contratos fraudulentos”, afirmou a corporação em nota.

De acordo com a PF, há indícios de que as mesmas empresas já atuam em fraudes licitatórias em dezenas de municípios do Piauí desde 2008, ‘lucrando com a subcontratação parcial ou integral dos serviços, que de fato são prestados por terceirizados, em condições de total insegurança para os alunos da rede pública de ensino’.

“As análises apontam que o modelo criminoso foi utilizado para contratos de locação de veículos por outras secretarias e órgãos do Governo do Estado do Piauí e por dezenas de municípios do interior”, apontam ainda os investigadores.

A PF aponta ainda que a terceira fase da operação visa aprofundar as investigações a respeito do recebimento e solicitação de bens e valores, diretamente ou por intermediários, por agentes públicos com poder de comando na Secretaria de Educação do Estado do Piauí no período da Investigação.

Estadão Conteúdo