PIB brasileiro cresce 7,7% no terceiro trimestre do ano, mas não repõe perdas da pandemia

Publicação: 2020-12-04 00:00:00
O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços finais produzidos no País, cresceu 7,7% no terceiro trimestre, em relação ao período anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou, nesta quinta-feira (3), os números das Contas Trimestrais, essa é a maior variação desde o início da série em 1996, mas ainda insuficiente para recuperar as perdas provocadas pela pandemia. O resultado indicou ainda que a economia brasileira se encontra no mesmo patamar de 2017, com uma perda acumulada de 5% de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período de 2019.

Créditos: Adriano AbreuSetor de comércio registrou alta de 15,9%, segundo o IBGESetor de comércio registrou alta de 15,9%, segundo o IBGE

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Na comparação com o mesmo trimestre de 2019, o PIB, apresentou recuo de 3,9% e, em valores correntes, chegou a R$ 1,891 trilhão. Desse valor, R$ 1,627 trilhão em Valor Adicionado a Preços Básicos e R$ 264,1 bilhões em Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

Mesmo com a alta de 7,7% no terceiro trimestre ante o segundo, o PIB brasileiro ainda está 4,1% abaixo do nível do quarto trimestre de 2019, recuperando apenas uma parte das perdas por causa da pandemia de covid-19, segundo o IBGE. "No auge da pandemia, chegamos ao mesmo nível de 2009, e abaixo do pico em 14%", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Agora recuperamos uma parte dessa perda, mas ainda estamos 7,3% abaixo do pico e 4,1% abaixo do fim de 2019", completou a pesquisadora.

O pico da série histórica do PIB, iniciada em 1996, foi registrado no primeiro trimestre de 2014, antes de o País entrar na grande recessão de 2014 a 2016. 
Segundo Rebeca, após a recessão de 2014 a 2016, a economia vinha se recuperando desde o início de 2017. O nível da atividade no terceiro trimestre foi equivalente ao do início de 2017, quando a economia brasileira começava a trajetória de recuperação após a recessão anterior à atual.

A pesquisadora do IBGE chamou a atenção para a heterogeneidade da retomada do terceiro trimestre. Atividades como a indústria e o comércio já recuperaram o nível de atividade do primeiro trimestre deste ano, enquanto o PIB de serviços e o consumo das famílias estão em nível semelhante ao do início de 2017.

O desempenho do PIB brasileiro no 3º trimestre de 2020 ocupou o 25º lugar em ranking com 51 países, elaborado pela Austing Rating. O País ficou empatado com a Holanda na 25ª posição e o resultado está acima de países como Estados Unidos, Suíça, Chile, Japão e China.

Serviços
Segundo Rebeca, o PIB brasileiro ainda não voltou ao patamar pré-pandemia, principalmente, por causa do setor de serviços, que ainda sofre as consequências da mudança nos padrões de consumo da população decorrentes da crise sanitária. O setor responde por cerca de 73,5% da economia brasileira, portanto, a retomada contundente depende de resultados positivos também neste segmento, confirmou Rebeca. A pandemia afetou especialmente o desempenho dos serviços prestados às famílias e o transporte de passageiros.

"Além de serviços terem três quartos da economia como um todo, principalmente os serviços prestados às famílias, mesmo que tenham acabado as restrições, obviamente que tanto a oferta e também a demanda não voltaram aos patamares pré-pandemia", disse Rebeca, lembrando que as pessoas estão deixando de ir ao salão de beleza e ao cinema. Segundo ela, a baixa demanda por serviços elevou a poupança. "Houve um aumento grande da poupança. As pessoas com mais renda estão conseguindo poupar mais", justificou a coordenadora.