Pin ups, “Long time no see” (2019, Midsummer Madness, 11 faixas)

Publicação: 2020-01-15 00:00:00
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Vinte anos após ter dado fim às atividades, os paulistas dos Pin Ups ensaiaram um retorno aos palcos em 2018. A reunião foi tão positiva que a seminal banda formada em 1988 resolveu gravar um novo álbum. Fora da ala do metal, o quarteto foi uma das primeiras a cantar em inglês o repertório todo, iniciando a carreira com o barulhentíssimo “Time will burn” (1988), dando vida ao chamado indie rock brasileiro. As novas canções exibem gravação impecável, ficando as guitarras com aquele jeitão Superchunk de ser. Melódicos vocais femininos e acordes distorcidos com fuzz – tipo de distorção bem suja, típica do indie rock em geral –, as duas primeiras canções (“You can have anything you want”, “Portraits of lust”) são mais barulhentas e rápidas do que a melódica “Little magic”, esta lembrando a fina flor do rock ianque noventista de primeira linha (Drop Nineteens, Breeders, Veruca Salt). O lado punk da banda volta a dar as caras na curtíssima “Separate ways” enquanto o lado baladeiro – sim, ele existe debaixo de toda a distorção usada – comparece na bela “Spinning” e nos teclados vintage da compassada “Ballad for Samuel and Tobias”. Os riffs cadenciados retornam em “Mexican tale”, escolhida para virar single/clipe. A rolling stoneana “Damn right” é diferente de tudo que a banda já gravou, soando como um blues fuzzeado e acelerado, desacelerando de vez no clima setentão de “Gone tomorrow”. Já no final, “Crazy” e a faixa título lembram Mojave 3 (isto poucos sabem fazer). Que venham mais discos.

(por Alexandre Alves)

PRIMAVERA BLUE, “Antídoto” (2019, Independente, 07 faixas)
Ultimamente esquecido na terra de Augusto dos Anjos e de Zé Ramalho, o rock volta a sair dos subterrâneos pessoenses, mas a nova sensação do rock paraibano é formada por veteranos de longa data do cenário local . Com a junção do vocal de Fábio Medeiros (ex-Flávio Cavalcanti), Guilherme Fechine (guitarra, ex-Projeto 50), Fábio Jorge (ex-Nailspop) e Hardman Cavalcanti (bateria), o que se ouve são canções atravessando diferentes vias do rock, como nos riffs da faixa de abertura, “Alento”, cuja letra veio do autor Caio Fernando Abreu (!). O hit fica com a oitentista “Escapei”, com marcantes riffs pós-punk (vestígios de New Model Army e Celibate Rifles resvalam nos alto-falantes) e refrão mais grudento que chiclete no asfalto do verão brasileiro. O quase samba-rock da faixa título quase lembra os paulistas Fellini, se não fossem os riffs de hard rock que adentram na canção na hora do refrão, uma sacada inusitada, no mínimo.  A cadenciada “Eu não quero esse lixo” tem lado meio pesado e meio brega (!!) no refrão, chegando a lembrar clássicos de Odair José, assim como o single/videoclipe “Jodele”, trazendo riffs memoráveis. Na concretista  “A palavra” não há como não lembrar do Flávio Cavalcanti, quinteto paraibano que chegou a assinar com a gravadora Trama, mas não decolou como o desejado. Apenas a blueseira “Primavera” ainda resvala alguns riffs e acordes do blues, soando muito Barão Vermelho (sim, isso não é elogio) ao invés da margem do Rio Mississipi. E que o Primavera Blue dure muitas estações.

(por Alexandre Alves)