Pior do que o esperado

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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Luiz antônio felipe 
 laf@tribunadonorte.com.br

Um verdadeiro “freio de arrumação” na atividade econômica com a retração de 7,0% da economia em abril, na comparação com março. O resultado do IAE-FGV - 1ª Prévia, mostra o impacto negativo gerado pela COVID-19 na economia brasileira, no primeiro mês completo de isolamento social. Na análise interanual a queda registrada em abril foi de 10,9%. Ambas as taxas foram recorde de retração nestas comparações considerando a série histórica iniciada em 2000. Uma conjuntura que exigirá meses para ser revertida plenamente.

Indicador
Os maiores impactos negativos foram sentidos nas atividades industriais e de serviços, que apresentaram recordes de retração em abril, na análise interanual. No trimestre móvel, o indicador aponta retração de 5,0% no trimestre em abril, em relação ao trimestre findo em janeiro e de 3,7% na comparação interanual.

Varejo
Por conta da pandemia, as vendas do Dia dos Namorados deverão cair 33%, com prejuízo de R$ 19 bilhões para o comércio de São Paulo. Projetando para o Brasil, o varejo deverá sofrer um impacto jamais visto em toda a história, principalmente, por ser o pico da pandemia. Vão sentir a queda das vendas todos os setores, com mais intensidade o de vestuário, perfumaria, calçados, além dos restaurantes.   

Barreiras
A Confederação nacional da Indústria (CNI) identifica 17 novas barreiras comerciais a produtos brasileiros, entre março e maio. As informações foram registradas no SEM Barreiras, do governo federal. Os dados mostram que apenas 10% das medidas identificadas desde 2018 foram solucionadas. Do total, 10 dizem respeito a barreiras impostas pela China. As demais foram criadas pela Argentina, México, Arábia Saudita e União Europeia.

Cotações
No mercado financeiro o dólar fecha em queda de 2,29%, a R$ 5,095, menor valor desde 25 de março. A Bolsa voltou a reagir com alta de 2,15% a 93.002 pontos,  avançando com expectativas sobre reabertura de economias, liquidez global. Já o petróleo (spot) subiu para U$ 36,67, alta de 0,16%.

Indústria no fundo
O salão de fábrica nunca esteve tão limpo como agora no Brasil. A produção industrial  caiu 18,8% em abril, na comparação com o mês anterior (março), revela o IBGE. Na comparação com o abril de 2019, o baque foi maior, a produção caiu 27,2%. A projeção do FGV IBRE para a PIM-BR é de -35,4% na comparação com o ano anterior, e -27,3% na comparação com março. A produção bateu no fundo do poço e não tem amortecedor.

Segmentos
O principal destaque negativo deve ser na produção de bens duráveis e bens de capital. Já uma sondagem da Abine (associação das indústrias eletroeletrônicas) mostra que o coronavírus prejudicou a produção de  68% das empresas do setor. Segundo pesquisa, o impacto nos resultados foi percebido nos meses de abril e maio.

Abertura
A Petrobras iniciou o procedimentos para dar acesso a outras empresas a suas plantas de processamento de gás natural. A companhia passará a atuar como processadora de gás natural fornecido por outros agentes. Com a medida, a Petrobras promete contribuir para o desenvolvimento de um mercado de gás aberto, competitivo e sustentável no país e, possivelmente, com queda de preços.

Aviação
A demanda global por transporte aéreo despenca 94% em abril, mas maio indica retomada. A crise é grande no setor e atinge a todos. A Latam registrou prejuízo de R$ 11,5 bilhões no primeiro trimestre de 202º e a Embraer prejuízo de R$ R$ 1,28 bilhão, no trimestre afetada por pandemia e fracasso com o acordo com a Boeing.

Isolamento
Diante do aumento de casos de Covid-19 e da escassez de leitos, várias entidades estão se posicionando contra o relaxamento das medidas de distanciamento social mesmo que gradual. O sistema de saúde opera com insuficiência e inadequação para o tratamento por não dispor de leitos de UTI. O país conta somente com 40.662 leitos (SUS, privados e hospitais de campanha) e sem capacidade de fazer testes na população (até hoje, o país só testou 3,5% com testes rápidos e 1,4% com PCR).

Extensão 
O Covid-19 atinge quase 80% do semiárido nordestino, mostra um estudo coordenado pelo Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS-Covid19). O avanço da contaminação no interior do Nordeste, com base em informações atualizadas no dia 30 de maio, aponta que 79,7% dos municípios da região contam com ao menos um caso confirmado da doença.






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